O GAVIÃO REAL

Ele voou, voou e
pousou. Com seus olhos pequenos e penetrantes, visou uma enorme floresta mais
adiante. Árvores grandes, sem galhos e sem folhas.
pousou. Com seus olhos pequenos e penetrantes, visou uma enorme floresta mais
adiante. Árvores grandes, sem galhos e sem folhas.
Fugindo de
queimadas, animais muito grandes para o seu sustento. Quadrúpedes que viviam
berrando no meio de uma grama verde a perder de vista.
queimadas, animais muito grandes para o seu sustento. Quadrúpedes que viviam
berrando no meio de uma grama verde a perder de vista.
Foi aproximando-se
daquela que poderia ser doravante o seu reino. Bateu as enormes asas com mais
de dois metros de envergadura. Estava magro, mas quando vivia no seu habitat
natural, as florestas, pesava mais de 5 quilos.
daquela que poderia ser doravante o seu reino. Bateu as enormes asas com mais
de dois metros de envergadura. Estava magro, mas quando vivia no seu habitat
natural, as florestas, pesava mais de 5 quilos.
Visualizou uma
estranha árvore, muito alta. Parecia de pedra, retangular, toda branca e com
uns buracos quadrados. Uns maiores outros menores. Era a maior daquele local.
estranha árvore, muito alta. Parecia de pedra, retangular, toda branca e com
uns buracos quadrados. Uns maiores outros menores. Era a maior daquele local.
Pousou, observou.
Alimento estava difícil. Voou novamente pelas redondezas e deparou no chão, um
pequeno animal correndo.
Alimento estava difícil. Voou novamente pelas redondezas e deparou no chão, um
pequeno animal correndo.
Deu um voo rasante
e conseguiu pegá-lo quando entrava num dos buracos de outra árvore menor.
Arrastou-o até um canto sossegado e fez a sua primeira refeição em muitos dias.
Só uma coisa preocupou-o, nunca viu um animal tão peludo e branquinho.
e conseguiu pegá-lo quando entrava num dos buracos de outra árvore menor.
Arrastou-o até um canto sossegado e fez a sua primeira refeição em muitos dias.
Só uma coisa preocupou-o, nunca viu um animal tão peludo e branquinho.
Uma peça vermelha
que adornava o pescoço do pequeno animal levou consigo até o alto da sua árvore
preferida.
que adornava o pescoço do pequeno animal levou consigo até o alto da sua árvore
preferida.
Já a tardinha deu
um giro nos arredores. Pequenas aves entravam e saiam de um dos buracos da sua
árvore. Olhou bem e notou que elas davam apenas para aperitivo. Pegou uma, em
pleno voo, levou-a até ao seu novo lar e devorou-a. Gostou.
um giro nos arredores. Pequenas aves entravam e saiam de um dos buracos da sua
árvore. Olhou bem e notou que elas davam apenas para aperitivo. Pegou uma, em
pleno voo, levou-a até ao seu novo lar e devorou-a. Gostou.
No dia seguinte,
além de outros animais, como o primeiro, saboreou mais uma daquelas pequenas e
barulhentas aves. Agora elas já estavam mais ariscas. Com a sua chegada saiam
em revoada.
além de outros animais, como o primeiro, saboreou mais uma daquelas pequenas e
barulhentas aves. Agora elas já estavam mais ariscas. Com a sua chegada saiam
em revoada.
Foi vivendo ali. Um
dia comia mais outro dia menos e tudo estava bem.
dia comia mais outro dia menos e tudo estava bem.
Quando fazia uma
pesquisa numa matinha das redondezas notou algumas aves um pouco maiores que as
suas vizinhas. Fez uma visita ao local e conseguiu pegar uma, notou que era
marrom, parecida com as outras, porém um pouco mais pesada.
pesquisa numa matinha das redondezas notou algumas aves um pouco maiores que as
suas vizinhas. Fez uma visita ao local e conseguiu pegar uma, notou que era
marrom, parecida com as outras, porém um pouco mais pesada.
Na falta dos
animais maiores pegava duas daquelas aves e levava para o seu aconchego,
devorando-as como almoço. No fim da tarde caçava uma daquelas pequenas por ali
mesmo. Estava tudo muito fácil. Muito tranquilo.
animais maiores pegava duas daquelas aves e levava para o seu aconchego,
devorando-as como almoço. No fim da tarde caçava uma daquelas pequenas por ali
mesmo. Estava tudo muito fácil. Muito tranquilo.
Nesta selva de
pedra, tudo pode acontecer. Lá do alto viu uma presa fácil. Um pequeno macaco,
com pelo apenas na cabeça. Pensou em variar de refeição.
pedra, tudo pode acontecer. Lá do alto viu uma presa fácil. Um pequeno macaco,
com pelo apenas na cabeça. Pensou em variar de refeição.
Achou aquele animal
meio estranho, mas estava ali perto daquelas árvores resolveu atacá-lo num
brilhante vou rasante.
meio estranho, mas estava ali perto daquelas árvores resolveu atacá-lo num
brilhante vou rasante.
Assim que cravou as
suas garras na presa, esta soltou uns sons desconhecidos. Definitivamente não
era de macacos que conhecia. Muito branco, parecia ser filhote. Não andava
direito ainda. De repente os pais apareceram com pedaços de paus e aquele rei
da mata teve que soltar o pequeno animal e voar rápido, apesar de uma asa
danificada, com um ferimento que sangrava muito. Alcançou o seu recanto com
muito esforço.
suas garras na presa, esta soltou uns sons desconhecidos. Definitivamente não
era de macacos que conhecia. Muito branco, parecia ser filhote. Não andava
direito ainda. De repente os pais apareceram com pedaços de paus e aquele rei
da mata teve que soltar o pequeno animal e voar rápido, apesar de uma asa
danificada, com um ferimento que sangrava muito. Alcançou o seu recanto com
muito esforço.
Passou um dia sem
comer, não conseguiu voar direito. Andou por aquele buraco sem fim, até
encontrar aquelas avezinhas menores, deu um salto sobre uma que ainda não voava
e a devorou num instante. O gosto não era o mesmo das mais velhas, mas fazer o
que, ali não tinha mais nada para comer.
comer, não conseguiu voar direito. Andou por aquele buraco sem fim, até
encontrar aquelas avezinhas menores, deu um salto sobre uma que ainda não voava
e a devorou num instante. O gosto não era o mesmo das mais velhas, mas fazer o
que, ali não tinha mais nada para comer.
Passaram-se os dias
e numa manhã sem sol, localizou uma enorme lagarta andando sobre duas linhas
compridas e atravessadas por paus. No mesmo momento que olhava para baixo pode
notar que uma daquelas aves mais gordinhas também passava perto daquele
monstrengo.
e numa manhã sem sol, localizou uma enorme lagarta andando sobre duas linhas
compridas e atravessadas por paus. No mesmo momento que olhava para baixo pode
notar que uma daquelas aves mais gordinhas também passava perto daquele
monstrengo.
Desceu em voo cego
até aproximar-se da ave, mas o seu cálculo não foi dos melhores, bateu de cabeça
na lagarta de aço. Morreu na hora.
até aproximar-se da ave, mas o seu cálculo não foi dos melhores, bateu de cabeça
na lagarta de aço. Morreu na hora.
Mais tarde
Carlinhos passou com seu pai pelos trilhos da ferrovia de minério e achou no
chão um lindo pássaro, empolgado disse:
Carlinhos passou com seu pai pelos trilhos da ferrovia de minério e achou no
chão um lindo pássaro, empolgado disse:
–Pai, posso levar
esta ave para fazer chaveiro de suas garras?
esta ave para fazer chaveiro de suas garras?
–Pode. Este aí é o Gavião
Real, não sei por que está por esta região, o seu habitat natural é a floresta.
Real, não sei por que está por esta região, o seu habitat natural é a floresta.
Manoel Amaral
Nota
do Autor:
Este texto foi premiado pela Academia Divinopolitana de Letras – ADL
do Autor:
Este texto foi premiado pela Academia Divinopolitana de Letras – ADL
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