OSVANDIR E O LOBISOMEM

Abro o jornal “A Folha de São Paulo” e a notícia: NOVO TREMOR DE TERRAS NO NORTE DE MINAS. Há muito tempo que o Nordeste do país e o Norte de Minas vêm sofrendo com os abalos sísmicos. No ano passado na região de Caraíbas houve, em 24 horas, 162 tremores.

O povo supersticioso, abalado com estes acontecimen-tos, chega a sexta-feira da paixão, amedrontado.Qualquer barulho é motivo de preocupação.

Na rádio a música de Zé Ramalho, “Mistério da meia-noite”, põe todo mundo de sobreaviso:
“Mistérios da meia-noite
Que voam longe
Que você nunca
Não sabe nunca
Se vão se ficam
Quem vai quem foi
Impérios de um lobisomem
Que fosse um homem
De uma menina tão desgarrada
Desamparada se apaixonou
Naquele mesmo tempo
No mesmo povoado se entregou
Ao seu amor porque
Não quis ficar como os beatos
Nem mesmo entre Deus ou o capeta
Que viveu na feira”

A lenda do Lobisomem é contada de rua em rua, boteco em boteco, roda de amigos e em família. Uns dizem que o lobisomem se transforma à meia noite de sexta-feira, em uma encruzilhada, é metade lobo e metade homem. Sai procurando sangue, adora um galinheiro. Ao amanhecer ele procura a mesma encru-zilhada para voltar a ser homem.

Em algumas regiões dizem que o lobisomem deve percorrer sete cemitérios até o amanhecer, para voltar a ser humano. Caso contrário ficará em forma de besta para sempre.Para matar o lobisomem só bala de prata ou fogo. Uns até acreditam que ele nunca pode ser morto, pois se transforma em outro animal qualquer.

Se alguém for mordido por lobisomem e não conseguir a cura até a 12ª badalada do sino da velha igreja matriz da cidade, ficará assim para toda a eternidade.

Mas hoje vamos contar uma versão diferente, não é aquela que a sétima criança em uma seqüência de filhos do mesmo sexo, tornar-se-á um lobisomem, ou aquela da sucessão de sete mulheres, ou ainda outra que diz que o sétimo filho homem de um sétimo filho homem se tornará a fera.

A nossa história foi contada pelo culto Professor Osvaldo Catarino Evaristo, de Belo Horizonte, que na década de 70 residia em São Gonçalo do Pará. “Por volta de 1700, na época do ouro e da escravidão, muitas fazendas tinha escravos para cuidar do garimpo ou da plantação. Trabalho duro, pesado, de sol a sol. Os escravos mais fracos morriam logo nos primeiros dias de trabalho. Muita doença nos sertões de Minas.

A febre do ouro fácil foi tomando conta de todos. Os fazendeiros tratavam mal aos escravos, pouca comida e muito trabalho. Namorar moças de outras fazendas, nem pensar. Foi aí que surgiu a idéia de um preto velho para aliviar a pressão sobre os jovens. Criou uma fantasia de pele de lobo guará, muito bem feita e passou para seu filho e disse:
__ Vai filho, coloque a fantasia e procure o seu amor na próxima fazenda.

Ao ouvir aquela história o Osvandir foi ficando curioso, queria saber mais…

O rapaz seguiu caminho, encontrou com alguns fazendeiros e capatazes, escondeu-se atrás de uma moita. Quando pensou que tudo estava bem, foi saindo devagarzinho, mas foi visto por um fazendeiro que assustado sacou a velha espingarda e deu um tiro que acertou na perna da fera. Caça daqui, procura dali, mas o lobo escapuliu…

No outro dia um comentário na senzala assustou a todos: uma fera, um homem lobo foi encontrado nas divisas das fazendas “Buracão” com “Água Podre”. O fato foi assunto para o resto do mês.

Com a divulgação para outras paragens, através dos negros dos quilombos, tudo foi ficando mais fácil para o namoro entre eles.

Um dia, o namorado não apareceu para a bela mulata Marina, da Fazenda do Brejo Seco, ali bem próximo do Arraial do Ouro. Ela tinha a fantasia que foi preparada por sua mãe, uma bela manta com pelos dourados. Resolveu ir a procura do namorado. Sexta-feira 13, lua cheia, céu bem claro que parecia dia.

A jovem com pouca experiência de seguir pelo mato afora, esqueceu-se do perigo que corria para aquelas bandas para onde ia. Era o local próximo do garimpo, com gente trabalhando dia e noite.

Num descuido, a moça tropeçou nuns galhos secos, o Capataz pegou o seu Arcabuz, ou seria um Bacamarte? Não sabemos. O tiro foi certeiro, e a fera tombou ao lado daquela grande árvore de gameleira.

Ao aproximar-se, o homem viu aquele lobo estirado no chão. Cutucou com a ponta de uma vara e algo se mexeu, deu o último suspiro. O tiro foi certeiro, no coração.

Quando o Capataz foi verificar o lobisomem, teve uma surpresa: por baixo de tantos pelos de um lobo guará, estava morta uma linda mulher… era a lobismulher…

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Fonte: www.wikipédia.com.br
Folha de São Paulo
Vale a pena ler:
http://contoselendas.blogspot.com/2004/12/lobisomem.html
http://www.famiglia.barone.nom.br/index67.htm

3 thoughts to “OSVANDIR E O LOBISOMEM”

  1. Muito interessante Osvandir. Eu que vivo cá pelas bandas do ouro , do escravo, conheço bem estas lendas cultivadas até hoje, rm teatro vivo percorrendo as ruas de São João del – Rei! Adorei! Sonia Leao blog post!

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