OSVANDIR E O PRESENTE DE NATAL

O PRESENTE DE NATAL

Todo ano a ECT – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos promove o Papai Noel dos Correios. Funciona da seguinte forma: as crianças enviam as cartas pedindo os presentes para o correio, que ficam numa enorme caixa. As pessoas interessadas passam por lá pegam a carta que achar mais interessante e levam o presente para as crianças em suas casas ou deixam lá para que eles façam a entrega.

Osvandir conversando com o seu tio Osmair sobre crianças pobres, que viu num bairro da periferia, tomou conhecimento sobre o assunto das cartas ao Papai Noel, e resolveu passar pelos Correios para ver.

A primeira carta que pegou não abriu, levou para casa. Olhou no envelope o endereço, era um bairro bem distante. Abriu e leu: “Sou um menino pobre, de 12 anos, tenho duas irmãzinhas, uma de 9 e outra de 11 anos. Gostaríamos de receber presentes do Papai Noel”.

O restante da carta tecia vários comentários sobre suas vidas solitárias naquele bairro, sem ter com que e com quem brincar. Dizia que os pais eram muito pobres e moravam numa casinha branca lá meio do quarteirão. Citavam a rua sem o número.

No outro dia Osvandir saiu para fazer as compras. Ai surgiu o problema: as crianças lá naquele ermo, bairro afastado, sem contato com a cidade, o que poderiam querer como presentes.

Osmair, seu tio, mais experiente, deu a sugestão: bicicleta para o menino, bonecas e bolas coloridas para as meninas. Andaram a cidade em busca de outras dicas. Tinha uma infinidade de bonecas e bolas. Bicicleta era mais fácil, a diferença era praticamente nas cores.

Bem antes do Natal já estava decidido: a bicicleta seria vermelha, com vários decalques e as bonecas, um modelo maior; quanto as bolas procuraria aquelas listradas com várias cores.

Com os presentes devidamente preparados, pegou o carro e saiu à procura daquele bairro chamado Raio de Sol. Como estava difícil de localizá-lo, pediu ajuda a um trocador de ônibus da linha local.

“Olha, meu Senhor, este bairro é tão longe, perto da cachoeira, nem tem linha que vai até lá. É um local abandonado pela administração, ninguém vai para aqueles lados. Pode seguir em linha reta até terminar a rua principal, anda mais uns três quilômetros em estrada de terra, depois vira a direita no próximo cruzamento, mais uns cinco quilômetros e chegará ao local”.

As informações eram precárias, mas resolveu arriscar. Era 8 horas da manhã, céu claro, bom tempo. Seguiu as instruções do trocador, mas as distâncias eram bem maiores. Marcou no velocímetro do veículo quando saiu, já estava aproximando dos 10 Km rodados e nada de aparecer o tal bairro, pensou até que tinha perdido no caminho.

Quando estava pensando em desistir, viu um barracão ao longe. Acelerou o carro e encontrou uma velha senhora regando as plantas de sua horta, com uma lata. Foi logo perguntando:
__ Aqui é o Bairro Raio de Sol?
__É!
__Onde fica a casa do menino Rafael?
__Como se chama seus pais?
__Sr. Raimundo e D. Mariazinha…
__Ah! É lá pros lados do ribeirão, é só seguir direto pela rua de baixo. Aqui, as ruas não tem nomes, nem as casas tem números, poucos tem água e apenas alguns tem energia elétrica em casa.
__Muito obrigado minha Senhora.

Mais alguns minutos e Osvandir estava no local procurado. Era mesmo uma casa modesta. Com o barulho do carro as crianças vieram todas correndo para saber o que se tratava.
__Procuro o Rafael e suas duas irmãs.
__Sou o Rafael, aquela é a “Ninha” e esta a “Tiana”.
__Sou o Osvandir, eu peguei sua carta nos Correios…
__Foi minha mãe quem escreveu, eu não sei ler. Ela não está em casa, foi capinar na roça.
__Está bem, como sua mãe não disse os presentes, eu trouxe para você uma bicicleta e para suas irmãs, bonecas e bolas coloridas.
__É tio, o Senhor está por fora, eu queria era um vídeo game…
__Mas na sua casa nem tem energia…
__A gente joga na casa do vizinho…
__Está tudo bem e as meninas querem as bonecas?
__Não tio, eu queria um MP3 e a “Ninha” um celular para conversar com as amigas.
__CLARO! Respondeu Osvandir.
__Então um OI pro Senhor – disse Aninha.
__Pode ser um bem baraTIM, falou “Tiana”, sorrindo.
__Fique VIVO, meu Senhor, falou Rafa.
__Tem alguma rua aqui que eu possa usar para chegar mais rápido na estrada?
__Pegue a rua de cima que tem menos buracos.

Com os presentes no carro, Osvandir saiu daquele local meio triste pelo ocorrido. Quando estava quase chegando a estrada alguém pediu carona.

Para, não para, eis o dilema. Parou! O que mais poderia acontecer com um Papai Noel frustrado? O homem entrou no carro.

Conversa vai, conversa vem, o motorista acabou contando toda a história para o caroneiro.
Com um sorriso no rosto o homem falou:
__Pare o carro! Isto é um assalto! Vou levar os brinquedos, menos o carro, que não sei dirigir.
__Pode levar o que quiser.
Quando os brinquedos estavam bem amarrados na bicicleta, o homem disse:
__Pode seguir em paz, moço. Esqueci de te dizer, sou o Raimundo, pai do Rafael! Crianças não entendem nada de presentes. Obrigado e Feliz Natal!

Manoel Amaral
www.afadinha.com.br

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