OSVANDIR EM BUSCA DO OURO PERDIDO

Osvandir esteve em Pitangui, visitou a biblioteca local, encontrou uma antiga revista editada em Belo Horizonte e ficou impressionado com o que leu.

A transcrevemos abaixo o texto do Professor Morato, publicado na Revista Acaiaca, em 1955, páginas 62 a 64:

“Não é de certo muito possível dar aqui circunstanciadamente descrição perfeita dos acontecimentos de Pitangui, lá pelo ano de 1720, época da revolução do pagamento do quinto do ouro, em que se envolveu o famoso chefe Domingos Rodrigues do Prado; todavia, procurarei dar em poucas palavras, e como me for possível, uma leve idéia dos fatos desenrolados em Pitangui. Devido ao grande atraso com a Real Fazenda, governo português, em 30 e tantas arrobas de ouro, cobradas incessantemente pelos fiscais, os pitanguienses resolveram, em solidariedade aos rebeldes de Vila Rica, contrapor à ganância dos reinóis, com armas nas mãos.

Só o poderoso Domingos do Prado possuía uma grande quantidade de homens que ia lá pelos 500 com seus trabucos e suas escopetas escorvadas, à espera dos Dragões (soldados do Conde de Assumar), verdadeiras araras, com suas fardas berrantes e penacho nas cabeças, para impressionar os pobres aventureiros, supersticiosos, mal armados e pior alimentados. A tropa entrou pelo São Joanico, a metade, e pelo lugar hoje denominado Guardas, onde houve algumas arruaças, tendo os nossos guardas ou sentinelas avançadas, lá postadas, fugido para aqui onde avisaram a Domingos do Prado.

Os Dragões traziam umas caixas surdas (tambores) colocadas em um animal, de cada lado, onde um soldado vinha batendo com uma batuta, ecoando pelas encostas, o ensurdecedor barulho da lei que se aproximava.

Ora, Domingos do Prado, homem arguto além de seu poderio, aliou-se a outros bandeirantes como os irmãos Fraga, que possuíam seus monjolos, no morro que ainda hoje tem o seu nome e a Alexandre Afonso, também rico garimpeiro morador ao lado dos Fragas, ali mesmo naquele desbarrancado que avistamos em caminho do Brumado. Estavam os dois chefes bem preparados para ao lado, de Domingos Prado, resistir os dragões, quando, ao aviso das sentinelas, de que se aproximavam centenas de soldados do Conde de Assumar, foge Domingos Prado para Conceição do Pará, sem dar combate às tropas do governo, abandonando seus leais companheiros Fraga e Alexandre Afonso à mercê dos ferozes dragões.

Os irmãos Fraga e Alexandre Afonso, verdadeiros heróis esquecidos da nossa história, não se atemorizaram com a covardia do poderoso Domingos Prado; organizaram a resistência, tendo, Alexandre Afonso, o cuidado de enterrar todo o seu ouro em pó e pepitas, ilegal na época, que montavam em 40 arrobas, em lugar até hoje desconhecido.

Também seus escravos o imitaram, com o pouco que possuíam, enterrando o ouro em pó em potes de barro. Com a chegada dos dragões comandados pelo sargento Madureira, foram todos derrotados, suas casas destruídas, salgadas e seus corpos esquartejados, suas cabeças plantadas em paus, para exemplo, pela estrada, dando ao local que hoje ainda conhecemos, o nome de Mato das Cabeças, no caminho que liga esta cidade a Brumado.

Depois de dois séculos de existência, a lenda do abastado bandeirante Alexandre Afonso, trouxe aos pitanguienses certa dúvida sobre as 40 arrobas de ouro enterradas entre Brumado e esta cidade. Ninguém encontrou até os dias de hoje o tesouro enterrado..

Assim termina a descrição da batalha de 1720 que aconteceu próximo do Córrego Bromado (Brumado) e Córrego do Alexandre Afonso, ao lado do desbarrancado.”

Ouvindo toda esta história Osvandir ficou impressionado com a riqueza de detalhes. Foi conferir tudo na história de Pitangui-MG. Pegou na biblioteca vários livros de história de Minas Gerais. Leu, leu, mas encontrou muito pouco sobre o assunto.

Resolveu ir até Pitangui para ver de perto onde ficaria este sítio da batalha de 1720. Procurou o pessoal da Prefeitura, Câmara Municipal e do Patrimônio Histórico para confirmar tudo.
Não conseguiu muita coisa. Uns diziam que era lenda. Outros que era loucura do Professor Morato. Continuou pesquisando e encontrou um velho Senhor chamado Antônio que ainda lembrava das histórias que o seu avô contava, sobre este assunto.
Ouviu com muita atenção tudo que ele falou. Pediu que indicasse o local da batalha, os córregos Bromado e Alexandre Afonso.

Para lá se dirigiu nosso herói, encontrou o Povoado do Brumado com esses dois córregos, ao longe, um resto de construção antiga lhe chamou a atenção. Andou no meio do pasto e viu um pedaço de parede de uns três metros de comprimento e dois de altura. Muitas pedras no local. Era próximo do córrego de Alexandre Afonso.

Pesquisando mais, cavando aqui e acolá, nada de ouro em pó. Muito menos 60 potes com 600 quilos. Por um descuido esbarrou na parede, aí caiu um pedaço de reboco na sua sacola.
Chegando em casa, viu aquele material, mistura de areia, bosta de vaca e cal, achou meio estranho. Esfarelou um pedacinho em suas mãos, levou ao sol, alguma coisa estava brilhando. Era ouro!
Manoel

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