OSVANDIR EM CÓRREGOLÂNDIA

O CARNAVAL, O CANAVIAL E O ARROZAL

Tudo voltara ao normal, era quarta-feira de cinzas. Alguns bares e lojas já estavam abertos após o meio-dia.

Restos de confetes, serpentinas e até algumas peças íntimas foram vistas no lixo dos clubes.
Tudo não passou de uma grande ilusão. Quem pulou, pulou. Quem dançou, dançou! Quem gastou, ficou com conta para pagar no fim do mês pelo cartão de crédito corporativo!
Osvandir resolveu não viajar para o Rio de Janeiro, São Paulo ou Bahia, achou melhor caçar ufos no arrozal.
Ficou sabendo que tinha alguns sinais em Córregolândia, foi direto para lá.

Para não perder as transmissões carnavalescas, monopolizadas da TV Globo, levou o seu novo aparelho com mini-TV cinco polegadas, com gravador, CD/DVD, ipod (não pode), Iphone, câmara digital, rádio, MP3, MP4, MP5, tudo junto, do tamanho de um maço de cigarro; tecnologia chinesa! Coisa de louco!

Na correria, quando queria ver TV acabava ligando o rádio. Se ligava o gravador ouvia o DVD, uma confusão dos diabos. Acabou tendo umas lições com um jovem de 12 anos que lhe deu umas dicas “maneiras”.

Ao chegar ao local, a Pousa Piaba, a beira do córrego, encontrou arrozais a perder de vista. Tudo num verde sem fim, era muito lindo.

O Senhor Felício, 30 anos, dono da Pousada, foi quem lhe deu as primeiras informações: “Fui deitar mais cedo e de madrugada levantei-me para tomar água e com fome, resolvi atacar a geladeira. Quando ouvi um cachorro miando, um gato latindo, um galo berrando e um boi cantando. Aí pensei: a coisa aqui tá preta! Fui lá fora e vi uma grande nave espacial que cobria todo o arrozal, soltando pequenas bolas, sondas ou periféricos que de repente começaram a fazer desenhos no local. Fiquei gelado, minhas pernas endureceram, perdi a fala, larguei a água e o bolo em cima da mesa fiquei mais amarelo que laranja madura. O coração disparava e a voz continua contida na minha garganta. Fui até o quarto de meu irmão, bati na porta mas ela estava aberta e ele roncando. Gritei, gritei, mas de nada adiantou, ele continuava a roncar como um porco. Aproximei-me e puxei a sua orelha. Ele espantado gritou?
__ Que é isso homem?
__ É um Disco Voador lá fora!
__ Você ficou vendo Carnaval até tarde pela TV, o desfile da Beija-Flor…
__ Venha ver…
Meu irmão vestiu a camisa e fomos até a porta da cozinha. A nave já tinha subido para uns 500 metros de altura, mas deu para ele ver as luzes por baixo dela. Eram de um branco leitoso que ainda iluminava a região. Meu irmão não se assustou tanto como eu. De manhã, lá pelas sete horas fomos ver os estragos. No meio do arrozal um círculo grande, de 60 metros de diâmetro e sete pequenos de 20 metros cada um. Olhando de longe dava para ver um quadrado no meio do círculo grande, assim meio embaçado. A disposição deles era muito bem definida.”

Depois de ouvir tudo isso Osvandir resolveu fotografar e medir a radiação do local com um Contador Geiger (ou contador Geiger-Müller ou contador G-M) que serve para medir certas radiações ionizantes (partículas alfa, beta ou radiação gama e raios-mas não os neutrons).(*) Apenas um leve movimento no Contador, radiação nenhuma.

Não encontrou as plantas todas amassadas como o dono da Pousa falou, 80% já haviam voltado ao normal, sobrou apenas um leve rebaixamento de algumas plantas. Fez algumas fotos e ouviu música ao mesmo tempo. Tempos modernos! Não conseguia entender essas novas tecnologias. Chamou o Senhor Felício para entrar no meio do círculo grande, mas ele não quis ir.

Procurou saber se mais alguém tinha visto a tal nave, informaram-lhe que apenas mais uma pessoa, que morava perto da cidade de Córregolândia vira algumas luzes durante a noite.

Alguns radialista e ufólogos xenófagos, mais assustados que boi correndo de maribondos, iam e vinham no meio do arrozal, todos com cara de quarta-feira de cinzas, procurando qualquer pista que a nave tenha deixado. Um deles encontrou um pedaço de uma enxada velha e já foi logo guardando na sacola para levar ao exame.

Ai então Osvandir não aguentou tanta invasão, foi logo despedindo de todos, pegou seu equipamentos de medição e aparelhos eletrônicos, colocou-os no carro e foi saindo pela estrada do arrozal.

De repente viu alguma coisa se mexendo no meio de uma fileira de arroz. Um ser esquesito com uma máscara e uma mangueira na mão, apesar da ocasião séria, ele lembrou do carnaval.
Tinha um emblema brilhante no ombro direito, um tanque nas costas. Sua roupa era cinza, cobriam todo o corpo. Botas de cano alto até o joelho.

Osvandir ficou assustado, seria uma ET esquecido pela nave-mãe, no meio do arrozal?
Foi aí que ele pode notar no emblema algumas letras que diziam:

VIGILÂNCIA SANITÁRIA.

Manoel
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(*) OSVANDIR também é cultura! (Fonte: Wikipédia)

2 thoughts to “OSVANDIR EM CÓRREGOLÂNDIA”

  1. oooooooooooooooi !! avchei sinistro, quer dizer, legal a estória de ufolândia, quer dizer, Riolândia, quando eu crescer (mais) eu quero ser igual ao Osvandir!!

    se eu fizer uma pergunta indecente vc me processaria?? bem, então la vai a pergunta, vc é parente do Urandir ????

  2. Caro Pscopata,

    Sei não viu! Acho que está escondendo alguma coisa…
    Não é uma boa idéia querer ser igual ao Osvandir. Inspire-se em seu pai ou avô, é melhor…
    Osvandir nunca viu falar em Ura, é aquele dos Cartões Corporativos do PT?

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