OSVANDIR NO CEARÁ – FINAL

Capítulo V
OS ESPORTES RADICAIS
“A escuta telefônica desmascara os “honestos”.
Acho que isso não cabe na nossa democracia,
mas há tanta ladroagem que esta é a
única maneira de conhecer nossos políticos.” (Moura)

Bebericaram e o tempo passou. Mais ou menos as 12 hora a loura avisou a todos que poderiam almoçar quando quisessem.

As mulheres chegaram e ocuparam duas mesas perto dos homens, que já haviam feito o pedido para o almoço. Cada uma fez o pedido pelo menu. O prato mais solicitado e oferecido foi o peixe Tilápia, muito criado nos açudes do Ceará. O almoço foi regado a cerveja ou vinho. A sobremesa variou com vários doces.

Terminado o almoço, o grupo ficou falando sobre coisas comuns a cada grupo. As mulheres se divertiram no açude, mas os homens desistiram do banho por causa da cobra do Osvandir.
Lá pelas 13:30 horas a loura avisou que iríamos ver outros pontos turísticos, a começar com o Santuário Imaculada Conceição Rainha do Sertão, onde também havia a prática do vôo livre. Fica na Serra do Tucum.

A van percorreu uns 15 km para chegar ao Santuário. È uma bela arquitetura. Todos desceram e se espalharam entre edificações como restaurantes, a Igreja e os homens depois de olhar o que podiam falaram com a guia, avisando que iriam para o local da rampa de vôo livre e poderiam demorar umas duas horas. Ela aquiesceu e olhou para seu relógio. Osvandir ficou satisfeito.

O local era aberto aos excursionistas. Já eram mais de 14 horas e o calor do sol queimava a pele exposta. Os companheiros de Osvandir notaram que ele estava exultante com a próxima aventura. Abrigaram-se sob uma árvore frondosa.

Francisco disse:- Há uns anos atrás um campeão de asa delta morreu na serra de Maranguape, quando deu uma ventania e ele foi jogado contra a pedra, com muita violência. Quem pratica isso tem muita coragem.
— Podemos voar na asa delta? Perguntou Osvandir.
— Se você já tem experiência é só colocar o capacete e pegar a asa que você quiser. Respondeu o ajudante.
— Já competi em Itamonte, Minas Gerais, contra Gustavo Saldanha e outros, em 2005. Ainda não estou enferrujado. Posso usar apenas o capacete, sem o macacão oficial?
— Pode sim. Você já é craque nisso, não há risco algum.

Colocou um capacete colorido, fechou a jugular do capacete. Apanhou uma asa delta e foi por trás do início da rampa de corrida para o salto.

Os três jovens, acompanhando toda a movimentação embaixo de uma árvore, comentaram que ele, ou era doido ou era um campeão. Mas ficaram maravilhados quando a asa ficou suspensa no ar com Osvandir dirigindo o vôo.

Ele colou-se sob a asa segurando a haste de direção. Verificou se o apoio para os pés estava no comprimento certo para sua altura. Viu que tudo estava correto, ergueu o tórax, segurando a haste da asa e correu com velocidade ladeira abaixo. O calor que subia a serra auxiliou a subida da asa, que se afastou da rampa e inflou o pano.

Depois de um tempo esticou as pernas e colocou seus pés dentro das argolas na traseira da asa.
Sobrevoou a mata, em círculos, por mais de uma hora, e foi descendo em forma de espirais largas para poder estar sempre vendo o ponto de pouso. Viu a cidade, os monólitos próximo à Galinha Choca, mas não viu nada que talvez pudesse atrair discos voadores. Não viu brechas sobre os montes de pedra. Analisou toda a mata e gostou do que viu.

Continuou seu vôo descendente em direção ao alvo, que era uma larga clareira com um ‘xis’ de pano colocado no chão. Ao chegar mais próximo viu outro ajudante com um HT na mão, talvez informando sobre a chegada do turista no solo. Quando chegou perto do solo e do alvo, arremeteu um pouco e deixou-se cair lentamente sobre o ‘xis’ preto.

Havia um grupo de homens esperando por ele. Um disse?
— Ele já voou com o Gustavo Saldanha.
Todos bateram palmas para ele. O nome do Gustavo não lhes era desconhecido, pois os presentes pareciam todos entendidos e hobystas de vôo-livre.
— Obrigado pela festa, disse Osvandir, sorrindo.
— Agora vou deixá-lo no Santuário. Da sua turma ninguém vai mais saltar, disse o motorista de uma Kombi.

Mais ou menos às 16 horas o veículo estacionou próximo à igreja. Lá estavam seus companheiros, as mulheres e a loura.

Estavam passando o tempo em um dos restaurantes, onde era mais fresco e havia o que comer. Também visitaram a Igreja. Nem todos eram católicos. mas entraram para ver a suntuosidade do interior. Também foram ver as estátuas de mais ou menos 1 e 80 de altura, que representavam a Paixão de Cristo.

– Soube que você se foi bem na asa delta. Foi bem recebido lá embaixo pelos suicidas do vôo-livre, disse sorrindo a guia loura, ainda com um HT (Hyper-Threading) na mão para se comunicar com ponto da plataforma o e alvo na mata. Dá a impressão de que você é bem vivido e experimentado na Vida!

– Isso é verdade, disse Osvandir sorrindo de alegria e um pouco de vaidade.
Osvandir correspondeu ao sorriso e os demais bateram palmas para ele. Isso foi o acontecimento mais falado pelos colegas, posou de herói o resto do dia.

Capítulo VI
CHALÉ DA PEDRA
A PF prende muito, mas há pouquíssimos encarcerados. (Moura)

O Chalé da Pedra fica na cidade, no centro da Praça da Cultura e vizinha ao Centro Cultural Raquel de Queiroz.

Todos subiram na van. Desceram a serra e chegaram ao centro da cidade, já em direção ao Chalé de Pedra. O que havia de antigo era somente o Chalé que estava construído sobre um monte de pedra na centro da Praça da Cultura. Tinha três entradas idênticas, sendo uma para frente e duas laterais, em posições antagônicas. Não era um prédio grande, mas tinha história.

Havia sido uma Loja Maçônica em tempos idos. O prédio novo era o Centro Cultural Raquel de Queiroz. Edificação moderna com cores suaves. Seu interior era quase luxuoso, tendendo para o bonito. Não havia muita coisa para ver. Mas fazia parte do percurso do turismo. Era uma obrigação a visitação.
– Terminamos a excursão e agora vamos voltar para o nosso hotel, disse a guardiã loura, de cabelos cacheados, olhos azuis e um narizinho quase arrebitado que lhe dava graça ao rosto quase quadrado. Onde teria nascido?

Todos entraram no veículo e voltaram para o hotel, para tomar banho e depois aguardar o jantar. Osvandir deitou-se, já sonhando com o dia seguinte. Conseguiu dormir bem. Acordou, espreguiçou, tomou um banho frio e foi tomar café, acompanhados de variedade de frutas regionais.

Foi servido até leite “mugido”, aquele quentinho tirado da vaca naquele momento, mas foi alertado pelo garçom, para uma possível diarréia, não tocou no leite fresco.
Às oito horas os excursionistas estavam em frente ao hotel esperando o veículo de transporte. A guardiã loura desceu e duas lindas mulheres desceram também.

A guia loura reuniu os visitantes, formando um meio círculo e informou que haviam 3 veículos que iriam para três destinos diferentes, conforme o desejo dos excursionistas. Dessa forma o grupo foi separado em três, os quatro homens foram em uma só van.

As oito mulheres se separaram em dois grupos, indo cada grupo em uma van diferente, unidas pelo mesmo objetivo.
– Bem, agora vocês quatro homens, irão visitar a Lagoa dos Monólitos onde poderão praticar, mountain bick, motocros, ou Off Road. O Parque fica no anel viário da CE-285 que liga Quixadá à Morada Nova.
— Eu os acompanharei, disse a loura, nossa guardiã, subindo no veículo, após a entrada dos quatro homens.

A van percorreu aproximadamente uns 50 km, pelo anel rodoviário CE-285 para chegar ao Parque Ecológico da Lagoa dos Monólitos. Há uma grande lagoa e uma serra de pedra em um lado. O Parque é pequeno e pouco povoado, as edificações são novas e o pavimento em paralelepípedo está em excelente estado.

O veículo parou em baixo de uma sombra de árvore, próxima à estação de partida para, mountain bike, MotoCross e Off Road. Todos desceram e os homens seguiram para lá, pretendendo uma aventura motorizada. Eram quase 10 horas. A guia olhou para o relógio e usou o HT para se comunicar com a Agência, informando o destino de chegada.

A guia foi com os homens e informou a encarregados dos veículos que eles eram turistas registrados na Agência Sertão & Pedras Turismo. Imediatamente o encarregado franqueou os veículos para visitantes. Poderiam utilizar quaisquer um. Ele forneceria os mapas das trilhas. No local de chegada havia empregados usando HT para informar o acontecido. Do ponto de chegada um veículo os levaria para Morada Nova de onde voltariam para Quixadá pela CE 285, de 72 km.

Capítulo VII

CORRIDA DE JIPE

“Noventa por cento da população pasta a grama
enquanto dez por cento são donos das fazendas.” (Osvandir)
Haviam estacionados, várias bikes, motocicletas para motocross, e uns dez jipes com tração 4 x 4, usando pneus de Buggy, com capota, “Santo Antônio”, um pneu sobressalente e caixa de ferramentas.
Os quatro dirigiram-se para os jipes, sentaram-se, regularam os bancos, pisaram nas embreagens para saber se estavam na altura certa, acertaram a posição dos bancos, apertaram os pedais de freios, observaram o ponteiro da gasolina. Aceleraram um pouco para frente e testaram novamente as embreagens, os freios, inclusive os freios de serviço.
Estando os veículos testados e aprovados foram saindo de um em um, em busca do início da trilha que era de piçarra. Osvandir saiu em terceiro lugar, seguindo os demais, com a alavanca de transferência de eixos, na posição 4L, reduzida, que permitia o veículo andar em velocidade abaixo dos 50 km/hora.
Francisco, que vinha atrás, logo ultrapassou Osvandir, que já tinha prática nesse esporte e até participou do campeonato em Bambuí, em Minas Gerais, em junho de 2008, pressentiu logo, que ele iria entrar na pista de piçarra com uns 80 por hora. Qualquer saída para um lado seria uma derrapagem perigosa. Não sabia ainda como os outros se comportariam. O que valia era chegar inteiro.
Percorreu uns 5 km e logo viu o jipe do Francisco com a traseira toda no mato ao lado da estrada e acelerando muito para sair de um buraco que ele cavou com as rodas traseiras.
– Já ganhei desse, disse Osvandir em voz baixa, para ele mesmo.
Continuou devagar, depois de mais ou menos um km, a uns 40 km por hora e deparou-se com uma pista estreita, de piçarra, com pedras soltas, o que diminuía o atrito nas rodas.
Depois de uns 3 km, a partir do desastre do Francisco, viu o Bacus atravessado na pista, indo e voltando no espaço estreito para ficar novamente de frente da estrada.

Osvandir pediu passagem, pois não podia perder tempo, e não foi atendido. Deu um ligeiro sorriso para o colega e disse:
— Obrigado. Ainda há muito chão pela frente.
Seguiu a uns 40 km por hora, na terceira marcha, para evitar derrapagens. Continuava com a marca 4L engatada pela alavanca pequena.

Depois de viajar uns 5 km avistou um pequeno riacho, largo mas raso, passando por um leito de barro. Viu isso quando reduziu a velocidade para uns 5 km por hora, e atravessou o riacho a uma fundura de meio metro. Logo após havia uma curva fechada à direita.

A trilha tinha muitos sulcos de pneus e estava molhada. Notou que escorregava como sabão. Continuou na mesma velocidade, com a tração da 4 rodas presas no solo viscoso e liso.

Foi fazendo a curva, lentamente para direita e deparou-se com o jipe de Fábio atolado na argila macia e de lado na estrada.
– Olá Fábio. Perece que você não escolheu um bom carro. Deve ser por causa dos pneus carecas, sem biscoitos. São pneus de Buggy! Disse Osvandir achando graça.
E continuou andando a uns 30 km por hora, gastando a gasolina que tinha direito. Deveria estar gastando uns 4 litros por km.

Logo depois defrontou-se com uma pista cheia de pedras toscas, pequenas, como as que usam como calçamento nas ruas. Estavam espalhadas sobre uma camada de barro seco. Os pneus poderiam passar em um dos lados de uma elas e lançá-las para o interior do fundo do carro ou jogá-las para o exterior. De qualquer forma o jipe mudava de direção quando as rodas dianteiras giravam sobre as laterais das pedras. Os pneus grandes, traseiros, se comportavam normalmente, pois estavam calibrados com 8 a 10 libras.

De repente um animal vindo em boa velocidade, do interior do mato lançou-se com violência contra o motor do seu carro, pelo lado esquerdo, ele sair de frente para o lado direito. Era um veado com poucas galhas, animal existente na região, preservado na Reserva Ecológica.

Osvandir tomou um tremendo susto e imediatamente analisou o acontecimento. Olhou para os lados. Desceu do jipe e foi observar o animal. Ele achou que o animal também deveria ter jugular, carótida e coração. Tocou com os dedos no pescoço do garboso animal e não sentiu pulsação.

Colocou seu ouvido no tórax do animal e não ouviu ruído algum. Colocou o nariz próximo ao do animal e não sentiu nenhum odor saindo pelas narinas.
– Está morto, disse em voz baixa. Eu o matei. Não vou me acusar, Não tive culpa. Vou esconder o corpo no mato. E assim fez.

Utilizou todos os seus músculos e puxou o pobre animal para o lado esquerdo da mata, de onde viera. Puxou-o por uns dez metros mata adentro. Voltou para a estrada cheia de pedras. Olhou para o mato e viu a trilha deixada pelo corpo do animal. Achou que ninguém iria desconfiar de nada.

One thought to “OSVANDIR NO CEARÁ – FINAL”

  1. Manoel,

    Vc postou tudo de uma vez…
    Agora o leitor deverá ler do V capítulo ao VII de uma vez só, não é mesmo. Agradeça ao Moura por mim.

    Osvandir

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