OSVANDIR – SÉRIE ASSOMBRAÇÃO

OSVANDIR E O CARRO PRETO
Foi meu tio Osmair quem contou-me:
“Senhor Antonio havia acabado de trocar o motor 1300 de seu fusca 80 por um mais possante, 1600, cor bege, Fafá de Belém, lanternas traseiras redondas e bem grandes, meio estranhas para a época, 1990.
Fazia viagens curtas, visitava várias cidades para vender os seus produtos, num raio de 250 Km.
Trabalhava às vezes até tarde e retornava para sua casa até meia-noite.
Não era como agora que o motorista pode ser morto ali naquele sinal da esquina, por um par de tênis. Mas também não tinha estes confortos de hoje, quando o vendedor pode passar o pedido por um fax, um e-mail de seu Note Book ou pelo equipamento, tipo Palmtop muito usado por grandes empresas.
Tinha que viajar muito, convencer o cliente, carregar pesadas malas de mostruário, dormir em pensões nada recomendáveis e restaurantes desagradáveis. Para emitir o pedido era um enorme sacrifício, citando item por item, retornar a empresa e entrega-los. Passar em casa, ver a esposa e filhos e no outro dia de novo ganhando a estrada. A estrada era a sua casa.
Prestava socorro em caso de acidentes ou de defeito nos veículos. Dava carona para quem conhecia ou quem achava que. Até porque não gostava de viajar sozinho.
Seqüestro relâmpago não existia, nem em filme. Acontecia nestes sertões de Minas de encontrar na beira da estrada algum motorista que teve o seu caminhão roubado, mas era raro.
As estradas eram melhores e a frota de veículos era menor.
Seguia nosso herói, às 17 horas pela Rodovia Federal, de Divinópolis para Pitangui, próximo ao cruzamento com a BR – 262, quase sobre a ponte, pelo espelho retrovisor, divisou ao longe um veículo bonito, todo preto. Vinha acompanhando-o há muito tempo, desde a última curva em esse.
Por uma questão de segundos o caro sumiu, não houve ultrapassagem. O motorista do fusca achou aquilo muito estranho, seu corpo sentiu aquele arrepio. Virou bruscamente o seu carro, parou no acostamento, olhou pra frente, para trás, em todas as direções, nada de carro preto.
Virou o carro e voltou cerca de dois quilômetros, bem devagar para ver se via alguma estrada vicinal, de terra, naquele trecho: nada!
Pesquisou rastos e rastros para ver se o carro havia voltado, também sem resultados.
Foi aí que resolveu seguir em frente. Lá no alto da subida, perto de um velho pequizeiro, próximo de uma curva, visualizou um vulto acenando. Era um rapaz de uns 25 nos pedindo carona, com um pedaço de papelão indicando Pitangui, em letras mal escritas. O motorista parou o carro e perguntou:
___ Vai mesmo para Pitangui?
___ Vou…
___ Suba, amigo…
Os dois seguiram estrada afora, meio calados. Após passar o cruzamento da BR – 262, o motorista resolveu quebrar o gelo:
___ Vinha eu cortando estrada, de repente apareceu no espelho um carro preto. Continuei e num dado momento o carro desapareceu da minha visão, sendo que não havia ultrapassado meu veículo…
___ É o Monza preto…
___ Que Monza preto?
___ O Senhor não sabe?
___ Não!
___ Virou lenda. Ele está sempre aparecendo por aqui.
___ Mais alguém já viu?
___ Muita gente, dizem que foi um rapaz de uns 25 anos que faleceu num terrível acidente aqui por perto.
A conversa foi boa, esclarecedora que nem viram o tempo passar e aí já estavam chegando em Pitangui.
___ Pode parar o carro, vou ficar por aqui…
O motorista parou o carro, já estava escuro, o rapaz desceu, agradeceu e sumiu…
Ao verificar em que local havia parado, o motorista assustou-se, havia parado bem em frente ao velho portão de um centenário cemitério!”

Manoel

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