O SOLDADINHO DE PLÁSTICO

O SALDADINHO DE PLÁSTICO
Soldadinho O SOLDADINHO DE PLÁSTICO
Imagem Google

Naqueles tempos, onde não tinha
apagão e nem Ministro Lobão, um velho General, grande herói de guerra, resolveu
fazer vinte e cinco soldadinhos, com espingardas ao ombro, todos  de
sucata de garrafa pet, para dar de presente ao seu netinho.

O aniversariante abriu a caixa de
presente e foi colocando-os enfileirados. Eram quase todos idênticos, um deles
tinha apenas uma perna, porque o plástico acabou e não deu para completar o
bonequinho, mas isso não impedia que ele ficasse em pé junto aos outros.

Ali naquela sala tinham vários
brinquedos caros, da indústria nacional e outros bem baratinhos vindos da nação
vizinha.

Mas o que mais chamava a atenção
do soldadinho de plástico era uma bela garotinha, que estava à porta de um
castelo de papelão com um lindo vestido de bailarina, de tecido de TNT e um
xale cheio de pedrinhas brilhantes de biju.

Ela tinha os braços e uma perna
levantados e ficava a dançar ao som de uma música eletrônica; o soldadinho de
plástico mal conseguia parar em pé, mas nem lembrava que só tinha uma perna de
tanta emoção.

Morador de uma caixa de tênis, o
seu batalhão, vivia marchando prá lá e pra cá.

Em noite de lua cheia, quando não
havia queimadas, nem outras fumaças no ar, fazia chorosas serenatas para sua
amada.

No meio da festa apareciam
juntinhos e ele sempre olhando para aquele belo rostinho.

De outra velha caixa de sapatos
surgiu um ser estranho, que foi confundido com o Saci Pererê, mas este tinha as
duas pernas. Ele ficou nervoso e gritou com o soldadinho de plástico:
― Pode largar a minha bailarina!

O Soldadinho nem deu atenção, só
ficou agarrado à linda mocinha.

Aí o feioso personagem gritou com
mais força ainda:
― Depois da meia-noite você vai
ver!  As coisas vão ficar pretas!

Quando chegou meia  noite o
velho relógio de parede da mansão bateu: dim, dom; dim, dom.

Depois da última badalada tudo
escureceu! Apenas uma luz de um raio no céu e o barulho do trovão.

O soldadinho foi atirado na rua e
aquela chuva forte provocou uma enorme enxurrada que tudo levou. Grande
quantidade de terra e pedras  desceram das encostas.

E o pequeno soldado de plástico
seguia acompanhando a águas. Deu sorte, pois no meio do rodamoinho havia um
bueiro, aí  ele conseguiu voltar ao ponto de  onde caíra.

Foi resgatado por seus amigos do
batalhão, olhou para um lado e para o outro e vislumbrou aquela menininha linda
que chorava num cantinho.

De repente uma das crianças jogou
o soldadinho na lareira e ele sentiu um calor envolvendo o seu corpo. Achou até
que seria o imenso amor que sentia pela bailarina.      

Conseguiu, ainda, dar uma última
olhada para sua amada. Ela retribuiu, atirando o seu xale o que piorou a
situação, o fogo aumentou. Um  vento forte que vinha da janela da sala e
sem ninguém soubesse como,  levou a bailarina para a lareira.

Uma luz azulada foi vista pelas
crianças lá pelos lados da fogueira. Dos dois só sobraram algumas pecinhas de
biju da bailarina e um pedacinho de plástico do soldadinho.

Manoel Amaral
www.osvandir.com.br

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