OSVANDIR E AGOSTINHO NO RIO

OSVANDIR E AGOSTINHO
NO RIO I
A+Grande+Fam%C3%ADlia OSVANDIR E AGOSTINHO NO RIO
Imagem Globo
Capítulo I

COPACABANA PALACE
“Fica
sempre a dúvida: essa guerra ali, essa guerra acolá, porque há guerras em todos
os lugares, é realmente uma guerra por problemas ou é uma guerra comercial para
vender essas armas no comércio ilegal?”
(Papa
Francisco)
Osvandir
estava rememorando as aventuras por que passou no meio da Floresta Amazonas,
algumas palavras mais pronunciadas naquela região, veio-lhe a mente a linda
imagem de Caá-Potyra, a “Flor do Mato”, morena de olhos azuis, com aquela
meiguice de índia ainda não aculturada.
O avião
moveu-se para cima e depois para baixo, qualquer coisa não ia bem. Uma fumaça
saía de um lado da asa direita. Passageiros em polvorosa. As máscaras de gazes
caíram, dando a impressão que a coisa era mesmo grava. Mas já estávamos próximo
ao Aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio de Janeiro.

Naquela segunda-feira, uma névoa intensa cobria a região, não se avistava
ninguém, nem nada, a partir de uns 50 metros de distância.

Ao apanhar as malas notou um motorista de táxi de bigode fino, olhos castanhos,
magro, de uns 30 anos, nem bonito nem feio, aquele tipo de pessoa que qualquer
um pode reconhecer na rua. Ali estava AGOSTINHO, motorista de táxi, típico
carioca, com aquele linguajar característico, soltando o “s”, contador de
histórias.
― Olha só quem eu encontro no Rio, falou Osvandir.
― Sim Senhor, para onde vai? Respondeu Agostinho.
― Para Copacabana.
― Vou levar o Senhor para um bom hotel, pode deixar.

No trajeto, Agostinho começou a contar uma história, mas Osvandir estava com
sono e não ouvia muita coisa. O motorista aproveitou-se para dar umas voltas,
enquanto o velocímetro rodava, rodava e os valores iam subindo. A corrida teve
seu preço triplicado.

Ele pegou a Via Perimetral, virou na Av. Presidente Vargas, passou pela Praça
da República, virou a esquerda e já estava saindo do centro.

Uma parada acordou Osvandir, um barulho de metralhadora pipocou no ar. Eram as
quadrilhas em constante luta pela posição de comando nas favelas. Estávamos
atravessando a Favela Dona Marta.
― Já estamos quase chegando doutor, pode ficar tranquilo.

Agora sim, ele contornara uma rua estreita, naquela escuridão e voltara para o
local indicado: Copacabana.

Passou pelo túnel André Rebouças seguiu direto beira mar, pegando a Av.
Atlântica e algumas quadras depois deixou Osvandir no Copacabana, aquele lindo
hotel que os chineses estão tentando construir uma réplica lá em Pequim.
― Agostinho, quando foi inaugurado o Copacabana Palace?


― Em setembro de 1923, considerado o mais suntuoso edifício do gênero que
possui a América do Sul e um dos mais lindos do mundo. O hotel tornou-se um
ponto de convergência da alta sociedade carioca e turistas do mundo inteiro.
Tenho trazido para cá pessoas dos EUA, França, Alemanha, Rússia, são tantas que
nem lembro mais.

Ao descer do veículo Osvandir dirigiu-se a portaria do hotel para confirmar sua
reserva.

― Apartamento Luxo Clássico, com vista para a praia de Copacabana e sala de
estar. Falou o atendente.
― “Rio, Cidade Maravilhosa”. Temos atrações incríveis como museus, igrejas
e prédios históricos e com suas belezas naturais como o Pão de Açúcar, o
Corcovado, o Jardim Botânico e o Parque da Lage; o Rio é uma cidade
incomparável! O carregador de malas não cansava de explicar.

Osvandir cansado, dirigiu-se ao apartamento para uma soneca.
Uma hora depois desceu para o café da manhã no Restaurante Pérgula, próximo à
piscina.

Naquele primeiro dia iria visitar o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, na parte
da manhã.


Ligou para o Agostinho, o celular não atendia. Aguardou alguns instantes e
tornou a ligar.

― Alô, é o Agostinho? Aqui é o Osvandir, lembra-se, de ontem, quando você
levou-me até o Copacabana Palace Hotel.
― Onde você está?
― Estou na portaria do Hotel.

Meia hora depois chegou o motorista de táxi, apavorado, dizendo que tinha sido
assaltado pela terceira vez neste mês.

Explicou onde queria ir e seguiram rápido, primeiro para o Cristo Redentor,
aquela estátua maravilhosa de onde pode avistar-se grande parte da cidade
maravilhosa. Várias pessoas e países diferentes estavam ali aos pés de uma das
maravilhas do mundo.

Seguindo para o Pão de Açúcar, uma pequena parada para tomar água de coco e
devorar aquele churrasquinho de camarão.

― Osvandir, o bondinho do Pão de Açúcar é considerado um dos mais seguros do
mundo. As atuais linhas são dotadas de dispositivos de segurança, com alarme em
todos os pontos. O percurso é todo programado e controlado por equipamento
eletrônico.


― Sei disso Agostinho, são três estações – a da Praia Vermelha, Morro da Urca e
Pão de Açúcar – interligadas por quatro bondinhos.
― Você vai subir comigo?
― Não! Tenho medo de altura!

Enquanto nosso amigo subiu da Urca até o Pão de Açúcar o Agostinho ficou por
ali, batendo papo com turista e se metendo em confusão.

Do bondinho podia-se ver a Praia Vermelha e adjacências.

De volta para o hotel, Osvandir resolveu ler os jornais do dia.
Pegou o Estadão e a primeira manchete que viu foi a seguinte:

Globo vai dar continuidade ao programa “A Grande Família”.

A seguir tecia uns comentários sobre a audiência do programa que ia muito bem.

(Continua)

Manoel
Amaral

NOTA DO AUTOR: Este texto foi enviado, graciosamente, para Rede Globo para compor algum capítulo da Série “A Grande Família”, em resposta
o autor recebeu o seguinte e-mail: 

Manoel Amaral

Rede Globo quer se relacionar e interagir com seu público, criando uma programação cada vez mais próxima de quem nos assiste. Informamos, contudo, que a nossa política interna não permite o recebimento ou a análise de materiais (tais como sinopses, roteiros, modelos de programas, formatos etc.) elaborados por profissionais que não são contratados pela emissora. Agradecemos seu interesse e sua audiência.


Cordialmente,
Globo.



Saiba mais: www.redeglobo.com.br
Siga @rede_globo
E curta nossa página no www.facebook.com/RedeGlobo

Compartilhe este conteúdo:

Publicar comentário