VAMOS CAÇAR TATU?

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VAMOS
CAÇAR TATU?



Lua cheia,
na zona rural, casal de namorados na varanda:
— Que lua
linda – diz romanticamente a garota.
— Boa para
caçar tatu – responde o rapazola.
Para entender o sentido desta piada que corre na zona
rural e mesmo nas cidades, leiam o texto abaixo.

O Zeca convida o seu amigo Joselito para mais uma
caçada de tatu, lá no meio do matagal.

Os dois seguem pirambeira abaixo e bem próximo ao rio
os dois se separam e cada um vai por um lado.

Daí a poucos instantes o Zeca grita:
— Achei um Joselito, venha correndo para começarmos a
caçada.

O amigo dispara pasto afora e na beira da pequena
floresta encontra o Zeca já preparado para enfiar a mão no velho cupim que imagina
ter sido escavado naquela noite por um tatu.

O tatu, como todos sabem, quando atacado, crava as suas
garras na terra e não sai do buraco “nem a pau.”

Mas o nosso amigo Zeca tem uma técnica especial para
caçar tatu. Aprendeu com o seu avô há muito tempo. E vem passando de geração em
geração. Todos faziam a mesma coisa.

Ele enfia a mão no buraco, com todo cuidado, pega no
rabo do tatu, vai com o dedo anular por baixo e toca as partes íntimas do
bichinho. Estes sentindo aquele estranho invadindo a sua privacidade,
esquece-se de tudo e se protege enfiando as patas debaixo de sua carapaça. Aí o
caçador, mas que depressa, puxa o bicho para fora do buraco e coloca no saco.

Nesta noite os dois não estavam no melhor dia. O
lampião não queria parar aceso. Joselito tropeçou num toco de alecrim e quase
arrancou a unha do dedão (eles estavam de sandálias havaianas). O outro quase
caiu no rio quando tentava achar um cupim.

Zeca não reparou direito, aquele buraco não era novo,
já tinha até teia de aranha.

Quando ele enfiou a mão e deu um grito, retirando-a
imediatamente, o seu amigo Joselito não entendeu nada. Só  depois que Zeca disse:

— Fui atingido por qualquer coisa pontiaguda – é que
ele entendeu que o seu grande amigo fora picado por uma cobra.

Preparou um pedaço de pau e retirou-a do buraco. Era um
cascavel, das grandes.

Na zona rural dizem que “picada de cascavel quando não
mata aleija”.

Pegaram as bicicletas e correram para o povoado. Eram seis
horas da manhã e posto ainda não estava funcionando. Esperam e esperam, só
abriu lá pelas sete e meia que eles foram atendidos.

O Zeca começara a ficar com o dedo roxo. O posto fez
apenas um pequeno curativo no dedo anular e encaminhou-os dois para a cidade.

O tempo estava correndo contra a vida de nosso amigo
caçador de tatu.

Assim que chegaram ao posto de saúde da cidade o médico
perguntou qual era a cobra e foi logo pegando o soro antiofídico.

O profissional da saúde disse que não poderia garantir
nada, pois já havia passado várias horas desde a picada e o atendimento.

O que aconteceu foi que Zeca ficou com aquele dedo
inutilizado até o dia em que teve de operá-lo, arrancando as falanges, pois já
prejudicava os movimentos da mão.

PIRAMBEIRA – Ladeira muito inclinada.

Manoel Amaral

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