OSVANDIR & NAZTAR NA ÁFRICA

Capítulo II
PIRATAS DA SOMÁLIA

Os trabalhadores ficaram presos nas galerias desde quarta-feira, um dia depois que Naztar chegou. O acidente foi mantido em segredo durante quase todo o dia, e a Desharmony só começou a liberar informações sobre o ocorrido no começo da noite.

Os primeiros 50 mineiros foram resgatados por volta da meia-noite, e os outros, a uma média de 100 pessoas por hora, estavam sendo retirados por elevadores de carga ou conexões com outras minas da mesma região.

A empresa informava aos jornalistas que há uma semana tinha realizado a manutenção da jazida.

Na Somália um novo confronto com um navio Corsário, solicitava a presença dos dois aventureiros.

A pirataria é uma praga praticada desde a Época do Ouro entre os séculos XV de XVIII. Todos piratas atuam à margem da lei, atacam até navios de seu próprio país.

Muitos corsários ingleses se apossaram de imensas fortunas nos mares e ainda jogavam a culpa nos pobres dos piratas.

Mas o que estaria acontecendo na Somália? Navios estrangeiros eram atacados e toda a carga saqueada.

Osvandir e Naztar seguiram para a região. A força naval anti-pirataria da União Europeia (UE), estava lá, tentando recuperar o que sobrou.

O navio atacado era francês, sem contar outro da semana passada que era inglês.

Quando menos esperavam, novo ataque. Osvandir e Naztar foram capturados pelos piratas.

O Governo da África do Sul foi contatado e os piratas exigiam uma alta soma como resgate.

Ali amarrados, naquele pavimento de bordo do navio, ficaram os dois incomunicáveis. Apesar do clima tropical do país, onde estavam fazia muito frio, pelas constantes rajadas de ventos vindo do sul.

Um dos piratas estava chegando próximo dos dois. O momento era de muita emoção, pois ele trazia na mão um enorme facão. Osvandir comentou com Naztar sobre as antigas tribos que decepavam as cabeças dos prisioneiros e isso aumentou mais ainda o terror entre os aprisionados.

__ Quem é Osvandir? – Perguntou o homem meio desdentado, numa linguagem aproximada do português, misturado com espanhol.
__ Sou eu.
__ Acompanhe-me – disse ele depois de cortar as cordas das pernas do Osvandir.

Foram para a cabine luxuosa do Capitão. Ali uma conversa desenrolou-se com muitas perguntas e poucas respostas. Queriam saber quem era o outro jovem. Osvandir informou que era o Neto do famoso Tarzan, que vivia com os macacos nas florestas africanas.

Uma gargalhada se fez ouvir pelo corredor. Era um outro pirata que ouvira parte final da conversa.
__ Que neto de Tarzan que nada! Tarzan nunca existiu. Aquilo tudo foi uma grande mentira dos americanos para humilhar o nosso continente. Aqueles filmes de aventuras eram para enganar inglês.

Num intervalo das conversas um silêncio baixou na cabine do capitão, maus pressentimentos, um barulho ensurdecedor lá fora. Tiros de canhão anti-aéreo.

Um dos tripulantes informou que era um Trinity, arma sueca, de grande alcance, tiro rápido e que poderia atirar até mísseis. Estes piratas estavam bem equipados. Este canhão é uma versão muito mais moderna que outros de 40mm.

O Capitão saiu para ver a emergência e deixou ordem para soltar os dois reféns.

IPAD CUMPADI!

(Uma Sátira da Sátira)

Gazeta de Itanhanhém, século 21, bem depois de Cristo.

Há duas semanas não se fala em outra coisa: de Sampa a BH, de Belém a Nova Jerusalém, aquém e além do Rio São Francisco, todos discutem a nova tecnologia que, segundo seus criadores vai revolucionar a forma como lemos, ouvimos, vemos, sentimos, escrevemos e fotografamos.

Para aqueles totalmente desinformados,(do MST) que passaram os últimos dias saqueando fazenda vizinhas, degolando os canaviais, laranjais ou fazendo libações a Deus, explico: trata-se de um pequeno bloco retangular, mais ou menos do tamanho de um maço de cigarro do paraguai, embora mais fino, a que chamam de “Canivete Suiço”. A novidade tem conquistado tantos adeptos que já há quem anuncie o fim do livro, celular, Kindle, iphone, ipad, (e outros tabletes mas) câmara digital, rádio, TV, Computador, Net e Notebook.

A maior diferença do “Canivete Suiço” em relação aos outros bons e velhos equipamentos eletrônicos é que o conceito “tecnológico”, em vez de ser usado individualmente, como fazemos há anos, muito eficientemente, diga-se de passagem – o “Canivete Suiço” desmonta toda essa teconlogia juntando tudo num único e eficiente aparelho.

Para passar de um aparelho a outro basta apertar um botãozinho e vc poderá ler, ouvir uma boa música, limpar ou cortar as unhas, pentear ou cortar o cabelo, passar batom e uma infinidade de coisas de grande utilidade para o homem ou a mulher.
Algum dizem que o uso individual de cada aparelho, como nos velhos tempos era muito melhor do que essa parafernália paraguaia.

Os defensores do tal “Canivete Suiço” dizem que sua superioridade em relação a cada aparelho eletrônico reside principalmente em sua capacidade de armazenamento. Enquanto os adoráveis celulares, PC, Ipade, Iphone, Kindle, etc. arquivavam um tiquinho de coisas, o novo “Canivete Suiço” pode conter uma centena de geringonças eletrônicas equivalente a dezenas de imprestáveis aparelhos da atualidade. Ora: para que eu quererei levar por aí tanta informação, se só consigo absorver uma coisa de cada vez? Além do mais, se pretente ler, ouvir, trabalhar, num delicioso fim de semana no Mar de Natal, basta pedir a um fiel escravo da tecnologia que coloque em nosso carro (flex) uma sacola de plástico onde guardo as bugigangas, antes de partirmos para a praia.

Outra vantagem que os aficionados pela nova tecnolgia não se cansam de apontar é a facilidade de se achar qualquer um dos aparelhos, dada a existência de uma tal de “trombada”,. Se bem entendi, trata-se de uma tecla que localiza qualquer coisa.. Ah, judeus! Não sabem que o prazer da busca reside no caminho percorrido mais do que o objeto encontrado? Nunca viveram a delícia de tirar da sacola, todos aqueles aparelhos, ligá-los, e na procura de algum item dar de cara com outros há muito tempo esquecidos e rememorar os dias da mocidade, quando o mundo era calmo e seguro, não havia “espiadinha” nos bancos, seqüestro relâmpagos, balas perdidas, motos assassinas, toque de recolher comandado por menores e nem invenções cretinas ameaçando a ordem e o progresso?

Ouçam o que eu digo, filhos de Deus: nós lemos, ouvimos, escrevemos, fotografamos e trabalhamos muito bem com aqueles adoráveis aparelhinhos por mais de uma dezena de anos e não há por que se supor que assim não faríamos até o fim do ano.
“Tijolo Suíço” é invencionice desses Jobs, Bill Gates e outros deuses da tecnologia que devem desaparecer antes que você termine de ler, fotografar, ouvir, ver estranhas imagens de sua preferência. Internet?! Orkut?! Twitter?! Anticristo?! Quem acredita nestas sandices?

Nota do Autor:
Para entender esta Sátira é necessário que leia o texto “IPAD”de Antônio Prata. Originalmente republicado no Digestivo Cultural que veio do Estado de São Paulo.
Link: http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=357&titulo=iPad

Mané Ferreira
Mineirim da gema (do ovo)