OSVANDIR NO ESPAÇO

CAPÍTULO VI
DOR DE CABEÇA
Recapitulando: há dois dias um rapaz fora encontrado a 50 km na Rod. Bandeirantes, estava meio atordoado, sem camisa e dizendo que estava com uma tremenda dor de cabeça.
Pelos fatos distinguimos alguns detalhes que coincidiram com o Osvandir.
Peguei o carro, segui até aquele posto de gasolina indicado no jornal, ao chegar ele já estava bem melhor, até reconheceu-me…
Fomos procurar o seu carro, que havia sido rebocado para um depósito de ferro velho, bem perto dali.
Quis conferir o local e os dados do pouso da nave para ver se ele lembrava de alguma coisa.
Aproximamos de uma vargem, com amplo acostamento e um pequeno boteco de beira de estrada, com um mictório fedorento.
Perguntei para algumas pessoas residentes ali, elas informaram-me que fora naquele local que o rapaz embarcara no pequeno aparelho.
Pude observar as três marcas fundas no chão, onde a grama estava amassada.
No circulo, em diâmetro, contei 21 passos de uma ponta a outra.
As folhas das gramas estavam queimadas. Um pequeno arbusto no centro ficara bem amassado e o caule carbonizado. Um odor diferente ainda estava no ar.
Peguei, com uma pequena pá, alguns pedaços do solo e outros materiais para mandar analisar.
Arranquei uma pequena planta que não havia queimado, mas as suas raízes estavam esquisitas, cheias de bolinhas, pequenas batatinhas.
Eu que conheço bem essas plantas do mato, nunca vi umas coisas dessas.
Levei o Osvandir ao médico, não havia nada de anormal, apenas uns pequenos sinais, furos, nas pontas dos dedos. Mas ele continuava a reclamar de dores de cabeça.
Fomos até a casa de um Senhor meio estranho, com uma cara bem fechada. Era um hipnotizador.
Na primeira sessão nós não aproveitamos muita coisa. Apenas algumas frases soltas:
___Estou com muito medo. Eles são como nós, até mais bonitos, mas estou com medo, repetia Osvandir…
___É assim mesmo no início, depois nós conseguiremos mais detalhes, falou o estranho médico hipnotizador…
Fomos embora, mas Osvandir ainda queixava da persistente dor de cabeça.
Em casa, ele reclamava muito de qualquer barulho, até do arrastar de meus confortáveis chinelos de solado de couro, que ele mesmo havia comprado, em Feira de Santana-BA, quando lá esteve no ano passado.

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