SURPRESAS NO NATAL

SURPRESA
NO NATAL


Enxada SURPRESAS NO NATAL

Imagem Google

Todo ano naquela casa era uma festança só no Natal.
Champanhe importada, vinhos de vários países. Uvas passas e frutas de dar água
na boca. Sem contar o pernil de porco, bem assadinho.


Mas os visitantes não mudavam nada, eram sempre os mesmos.
Levavam um presentinho e queriam receber um presentão. Enchiam a pança e iam
embora, deixando para trás copos, talheres e vasilhas sujas.

Senhor Lorenzo, o dono da casa daquele Povo de Jerimum,
queria fazer a coisa bem diferente neste Natal. Estudou bem a situação e disse
para todos que naquele ano haveria uma grande surpresa.

Estava preparando tudo direitinho. Encomendou os
presentes, separando os das crianças. Levou o pernil mais cedo para assar.

As horas iam passando lentamente e todos já pensando no
gostinho da carne.

As mulheres da casa receberam comunicação de que não
precisariam fazer nada. Tudo viria prontinho, já estava encomendado.

Todos apreensivos, o velho relógio da capela já havia
tocado onze batidas.

Nada de chegar os comestíveis. Até a dona da casa
começou a ficar vermelha e com o coração batendo forte.

De repente uma camionete chegou e três jovens foram
descendo com as caixas,  colocaram sobre
mesa e pediram para abrirem só a meia-noite.

Várias caixas foram deixadas na sala, eram os
presentes.

Como de costume, foram colocados ao pé da Árvore de
Natal, só que não tinha nome de ninguém nas etiquetas. As caixas eram bem
maiores que do ano anterior.

No outro lado da cidade, Senhor Lorenzo, passou na casa
de Dona Maricota e pegou o suculento pernil de porco. Não se esqueceu de levar
os presentes das crianças e nem as caixas de bombons e uma grande variedade de
doces, não faltando o doce-de-leite e o queijo Minas.

Parou no Centro Comunitário e mandou deixar tudo ali,
depois de conversar com o Presidente da entidade.

Foi uma festa muito alegre. Todo mundo provou o pernil
que o Senhor Lorenzo levou e fez questão de cortar os pedaços para o povo.
Depois distribuiu os bombons para criançada.

O Presidente do Centro Comunitário agradeceu a oferta
do Senhor Lorenzo e disse que deveria voltar sempre.

Lá no centro do Povoado, na casa grande onde tudo
estava preparado, quando bateu meia-noite, todos avançaram sobre ás caixas de
alimentos com os pratos e talheres nas mãos.

Um velhinho perguntou:
— Onde está o pernil? Quero tirar um naco!

Aí veio a primeira surpresa: não tinha pernil, nem
frutas, nem champanhe importada, nem doces e muito menos queijo.

Das caixas saíram umas marmitas, com uma comidinha
baseada em arroz, feijão e carne moída.

Alguns mais orgulhosos, nem quiseram abrir a sua,
deixando-as sobre a mesa.

— E onde estão os bombons? – alguém perguntou.

Ninguém respondeu. Nada apareceu nos restos das caixas.

Como todos estavam desapontados, a dona da casa mandou
trazer os presentes.

Duas crianças colocaram tudo nos sacos e saíram
distribuindo caixa azul para homem e vermelha para mulher, conforme
recomendação do dono da casa.

Foi outra surpresa: dentro das caixas só tinha
cuecas e calcinhas baratas. 
Daquelas que duram apenas uma semana e o elástico
estraga.

Sobrou uma caixa de cor diferente e maior que as
outras, mais pesada.

A menina entregou para um senhor que nem era convidado.

Todos queriam saber o que continha ali, na caixa
amarela.

Esta era a terceira surpresa: uma enxada novinha, marca
“Duas Caras”. E havia uma frase. Como o presenteado era analfabeto, apareceu
logo um jovem para decifrar a mensagem.

Lá estava escrito: “
trabalhar vagabundo!”

A frase foi parar na internet e virou febre, até ontem
já tinha um milhão de curtidas.

Manoel Amaral

Enxada+duas+caras SURPRESAS NO NATAL

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Unknown

Foi uma grande surpresa mesmo Manuel

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Anônimo

Fantástica criatividade meu mestre! Infelizmente a inversão de valores ainda
está no ar!
Até nossas crianças não aceitam " qualquer presente".
Vamos repensar e este é o momento!
Maravilha de crônica! Sônia Leão Hallak

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Anônimo

Fantástica criatividade meu mestre! Infelizmente a inversão de valores ainda
está no ar!
Até nossas crianças não aceitam " qualquer presente".
Vamos repensar e este é o momento!
Maravilha de crônica!

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Anônimo

Admiro esta criatividade de casos que surpreende!

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Manoel

Obrigado amigos.
Vou continuar escrevendo nessa linha
para agradar alguns pq a todos é impossível.

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