O
JOVEM CANDIDATO II
“No meio de um povo geralmente corrupto a liberdade não pode durar muito.”
 Edmund Burke
Jovem
Não precisava nem contar os votos, todos sabiam que
aquele candidato ia ganhar mesmo, a chuva de votos foi tão grande que ninguém
acreditou. Ele foi eleito com mais de 80% dos votos. Os outros candidatos
pegaram uns 15% e 5% para os votos nulos ou brancos.

A oposição não conseguiu fazer quase nenhum candidato.

Eleito e tomado posse, o jovem presidente foi logo
tomando as providências para fazer um bom governo.

Primeiro diminuiu o número de Ministros. Convidou só
homens gabaritados para os cargos e não esqueceu os pequenos partidos.

A primeira medida que tomou foi um alvoroço total:
foram abolidos todos os incentivos fiscais e bolsas.

Agora as empresas deveriam competir com os produtos
internacionais.

Os bolsistas deveriam fazer o mesmo, arranjar um
emprego para pagar os estudos.

Outros benefícios de qualquer espécie foram acabando.
Os que vivam na mamata, sugando os cofres da nação, foram ficando preocupados.

As ONGs receberam uma comunicação que para receber novas
verbas federais deveriam comprovar o uso das anteriores.

A metade fechou, espontaneamente, as portas. Não tinham
meios de comprovar todas as despesas. O dinheiro público tinha ido para o ralo.

Era tudo tão prático que diminuiu as saídas e aumentou
as entradas de dinheiro.

Alguns impostos foram abolidos e outros tiveram as
alíquotas rebaixadas, isto seria o novo incentivo para todos, não para
determinados grupos.

O maior problema foi quando ele resolveu fiscalizar as
obras das grandes empreiteiras, negar alguns empréstimos para grandes empresas
e fiscalizar as licitações marcadas.

As empreiteiras, os canais de TV, as grandes revistas, os
grupos sugadores trabalharam em surdina e começaram a montar um esquema para
derrubar o jovem Presidente.

Pegaram um motorista que trabalhava no grupo
presidencial, uma faxineira, montaram um falso filme sobre sexo e suborno.

Coitado do político, as manchetes das revistas e
jornais só publicavam aquilo.
O povo é ingrato, é como folha de bananeira, vira de
acordo com o vento. Não esperaram o resultado, o condenaram antes de o processo
terminar. Foram todos contra ele.

Foi retirado do governo através de Impeachment. 

Grandes cartazes foram espalhados por todo lado:O povo coloca o povo tira.”  

Os canais de TV filmavam uns dez manifestantes
e replicavam transformando-os em mil, dez mil, fazendo crer que aquilo era no
país inteiro.

O povo como sempre, foi manobrado e enganado, em favor
de grupos.

Caiu o jovem Presidente da URNA – União Republicana Nacional, outros bandidos
tomaram conta do poder e tudo continuou com antes naquela republiqueta.

Manoel Amaral

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