ZÉ CACHACEIRO

ZÉ CACHACEIRO

“Mais vale um bêbado conhecido do que um alcoólatra anônimo.”
Zé Cachaceiro ou Zé Pinguço, como era mais conhecido, desde os tempos de menino, já conhecia o gosto da “pinga”.
Não adiantava o pai falar que aquilo não prestava, ele conhecia, era fabricante da “danada”, Zezinho continuava a entornar “aquela-que-passarinho-não-bebe”.
Se chovia ou no frio, tomava a “melindrosa” para esquentar, se fazia calor usava a “cristalina” para refrescar.
Uma vez, quando choveu muito, quase morreu afogado num buraco de enxurrada, só porque estava com a da “cabeça”, no estômago.
Ele vivia de boteco em boteco provando umas e outras, nunca se esquecia de começar com a “abrideira” e encerrar com a “Zuinga”.
Em festas de aniversário, em casamentos, bailes; lá estava ele tomando as suas “águas de setembro”.
Bom pai ele era, mas não se esquecia de passar sempre no Bar Bicha, para secar mais uma “água ardente”.
De copo em copo e no corpo a corpo diário, lembrava sempre da “caninha”.
Se era de dia, à noitinha, ou mesmo de madrugada, ele levantava e tomava uma “canjibrina”.
Os amigos o convidavam para mais um “sumo de cana” e ele não fazia de rogado: – Traga logo esta “sinhazinha”.
Faziam uma aposta para ver quem bebia mais e Zé Cachaceiro lá estava, sempre na frente, consumindo as “aninha, azougue, azuladinha, azulzinha, bagaceira e baronesa”.
Pinguço como era não enjeitava nem a “bicha” (no bom sentido).
Tinha um arsenal em sua cabeça, os mais esquisitos: “bico, boa, borbulhante, boresca, branca, branquinha, brosa, brozinha, cambraia, corta bainha, cândida”.
Mas no Bar Bosa repetiam outros sinônimos bem interessantes: “canguara, canha, canjica, catuta, caxaramba, caxiri, cobreira, corta baínha, cotréia, cumbu, cumulaia, danada, delas-frias”
Já no Bar Tolomeu discutiam os seguintes: “dengosa, desmacha-samba, dindinha, dona branca, elixir, espírito, engasga-gato, esquenta-por-dentro, filha-do-senhor-de-engenho, fruta, girgolina, gramática, grampo, homeopatia.”
O Zé continuava tomando “suor de alambique”, até que um dia foi parar no hospital da cidade. O diagnóstico não era dos melhores: o fígado estava inchado, os rins muito abalados. Nem tinha cor de gente, um amarelão sem fim.
Na volta para casa, no primeiro bar recebeu a listagem de um amigo.
Que também fazia coleção de sinônimos da palavra cachaça, que nem o Zé. A relação dele era grande: “dengosa, dindinha, dona branca, elixir, engasga-gato, espírito, esquenta-por-dentro, filha-do-senhor-de-engenho, fruta, girgolina, gramática… “
É que ele viajava muito e em cada cidade tinha o cuidado de anotar tudo relacionado com a pinga.
Atrás da porta da cozinha, escrito à lápis uma lista: “grampo, homeopatia, já-começa, januária, jesebita, jimjibirra, joça, junça, jura, legume, limpa, linha branca, lisa, maçangana, mandinga, manhosa, mãe de Luanda, mamãe-sacode, mandureba, monjiprina, marafo, maçã-branca, montuava, morrão, morretiana, óleo, orantanje, panete, parati, patrícia, perigosa, pevide, piloia, pinga, piribita, porongo, prego, pura, purinha, puríssima, Roma, remédio, restilo, retrós, roxo-forte, samba, sete virtudes sinhaninha, sipia, simba,  supura, tafiá, teimosa, terebentina, tinguaciba, tiquira, tiúba, tome-juízo, uca, xinapre, zuinga”. E numa mesinha da sala um Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, organizado por Hildebrando de Lima e Augusto Barroso em 9a. edição de 1951, Editora Civilização Brasileira, aberto na letra “C” e a palavra Cachaça assinalada em vermelho.
Passado alguns dias alguém chegou em casa avisando que o Zé havia morrido de tanto beber.
A viúva inconsolável foi despedir-se pela última vez e notou que uma de suas mãos estava fechada com qualquer coisa dentro. Com esforço conseguiu retirar um pequeno papel onde estava escrito: ”imaculada.”
Foi o último nome que disseram ter vindo do nordeste.
“Carpe diem. Beba!”
Aproveite o Dia. Beba !

Manoel Amaral 
Se quiser conhecer nomes curiosos de cachaça: http://mulher.terra.com.br/bebidas-com-nomes-curiosos/


TROPICÁLIA – O PAÍS DAS MARAVILHAS

TROPICÁLIA – O PAÍS DAS MARAVILHAS

Este país ao sul da África está nos seus melhores dias. Hoje mesmo o presidente conseguiu fechar negócios com grandes exportadores da China para comprar carne bovina e frango.
Abaixo alguns detalhes do país das maravilhas:

1 – Fado, Forró e Funk
O país é uma mistura de tudo. Todos os ritmos são rodados, e o povo aprecia aquilo tudo em CDS, DVD vendidos nas feiras das cidades.

2 – Putas, Transvestis e Prostituição
Elas ou eles ficam na beira da estrada, nos postos de combustíveis tentando conseguir algum dinheiro com programas.
3 – Morangos, Pimentões e Tomates,

São os que têm maior índice de agrotóxicos, mas o povo continua comprando assim mesmo.

4 – Frango, FriVaca  e Peixe
Agora já se fala até em carne de cachorro e cavalos. O povo está faminto e cada vez pede mais. O FriVaca está exportando a maior parte de sua produção. Os frangos congelados têm mais de 30% de gelo, que é incluído no peso para o consumidor. Peixe virou produto de rico, só podem comer sardinha e o bagre africano, que são mais baratos.

5 – Cebolas, Cenouras e Batatas
No alto da serra produz Cebolas, Cenouras e Batatas. Mas ali o trabalho do menor é explorado. Eles vão atrás das máquinas apanhando as plantas que não são alcançadas. Muitas mulheres ali trabalham e ganham uma ninharia.

6 – Ovo e Uva boa – Vinho
As granjas estão vendendo os ovos com altos preços. Seriam ovos de ouro?
As plantações de uvas estão rendendo um bom dinheiro com a exportação de vinho.

7 – Melões, Melancias, Cruá, Melão-caboclo, Jamelão

Os melões, melancias, Cruá, melão-caboclo, jamelão  são produzidos nestas terras, de pouca chuva, grande parte pode ser utilizado para exportação.

8 – Alface, Salsa e Chuchu (Cerveja)
E agora que estão utilizando o chuchu para fabricar a cerveja, o consumidor não vai mais comer o dito cujo. Teremos que ficar na alface e a salsinha.

9 – Aveia, Milho e Trigo
O terreno é pródigo, produz o milho, a aveia e o trigo.

10 – Etanol, Gás e Petróleo
No país das maravilhas tem muito álcool combustível e pouco petróleo. Só agora estão explorando o gás. Existem canaviais por todos os lados.

11 – Mandioca, Cachaça e Carne de Porco
Quem é que não quer passar num bar e pegar uma porção de mandioca frita, um dose de cachaça, bem como uma carne de porco?
Não podemos esquecer do torresminho…

12 – Teatro, Literatura e Cultura
Aquele país não tem leitores, livros são escritos aos milhares todos os anos, mesmo sem incentivo do Governo Federal. Os teatros estão quase todos vazios. O povo não quer saber de cultura.

13 – Água: Outorgas e as Empresas
Depois de anos explorando o povo e sem nenhum investimento na área, as empresas detentoras do direito de uso da água agora estão devolvendo para os municípios o abacaxi. Rede de esgoto? Praticamente nada foi feito em obras. Os rios estão completamente esgotados. As outorgas para as empresas pagam uma ninharia, quando pagam. As mineradoras estão poluindo os rios e nunca recuperam o meio ambiente, bem como as empresas que retiram areia dos mesmos.

14 – Dengue, Caxumba e outras doenças
Aqui aparece todo tipo de doenças: caxumba, dengue e muitos outras que estão voltando.
Os carrapatos dos cavalos têm picadas mortais. As capivaras agora livres, beirando os rios também são hospedeiras destes insetos.

15 – Laranjas, mangas e outras frutas.
As laranjas estão por todo lugar e as mangas também, inclusive as de boa qualidade para exportação.

16 – Partidos, Políticos e Propinas -PPP
Por todas as cidades, estados e na capital federal estão infestados de políticos que vivem de propinas.

17 – Drogas, Tráfico e Riqueza
O país está afundado em dívidas, mas o tráfico cada vez tem mais dinheiro para gastar, subornando todo mundo.

18 – O País das Maravilhas
Este é TROPICÁLIA– o país das maravilhas. Os turistas acham que ali tudo pode ser feito. O que eles não podem fazer nos seus, vão até lá para fazê-lo.

Manoel Amaral

15 DE JULHO: DIA DO HOMEM… FELIZ!

COMO FAZER UM HOMEM FELIZ
Imagem Google

A história começa assim…
No mais alto pico do Tibet vive o mais sábio homem do mundo.
Certa vez uma mulher foi à sua procura e perguntou-lhe:
– Mestre dos mestres! Qual o caminho mais curto e seguro para o coração de um Homem?
O mestre respondeu-lhe:
– Não há caminho seguro para o coração de um homem, filha.
Só trilhas à beira de penhascos e caminhos sem mapas, cheios de pedras e serpentes venenosas..
– Mas, então, mestre… O que devo fazer para conquistar o coração da meu marido?
Então lhe disse o grande guru:
– Fazer um homem feliz é fácil.
– Só é necessário ser:
1) Amiga
2) Companheira
3) Amante
4) Irmã
5) Mãe
6) Chefe
7) Educadora
9) Cozinheira
9) Mecânica
10) Encanadora
11) Decoradora de Interiores
12) Estilista
13) Eletricista
14) Sexóloga
15) Urologista
16) Psicóloga
17) Psiquiatra
18) Terapeuta
19) Audaz
20) Simpática
21) Esportista
22) Carinhosa
23) Atenta
24) Cavalheira
25) Inteligente
26) Imaginativa
27) Criativa
28) Doce
29) Forte
30) Compreensiva
31) Tolerante
32) Prudente
33) Ambiciosa
34) Capaz
35) Valente
36) Decidida
37) Confiável
38) Respeitadora
39) Apaixonada
40) E, de preferência, RICA!!!
41) Limpar sempre o chão;
– Não coçar aquele lugar na frente dele;
– Não arrotar alto. Aliás, não arrote;
– Dê uma TV de 50”… Muitos presentes;
– Não comer as unhas;
– Não peide sob o cobertor. Aliás, não peide.
– Não ronque;
– Levante a tampa do vaso depois de fazer xixi.
– Deixe ele ter ciúme de você, ele pode;
– Use perfume (que preste);
– Dê descarga depois de sair da privada;
– Não fale palavrão;
– Não seja engraçadinha com os outros;
– Não fale mal da mãe dele. Aliás, ame a mãe dele;
– Não tenha ciúme dele;
– Não fique barriguda. Aliás, não engorde;
– Não demore no banho;
– Não chegue tarde em casa.
– Saia para trabalhar e volte correndo;
– Não bata papo até tarde com amigas. Aliás, não tenha amigas;
– Seja econômica. Não use cartões de crédito;
– Nunca diga que homem não sabe dirigir;
– Não olhe para outros homens…. Aliás, não existem outros homens;
– Aprenda a cozinhar o mais rápido possível;
– Diga ‘eu te amo’ pelo menos 05 vezes por dia;
– Lave a louça;
– Não fique ligando para ele de qualquer lugar;
– Deixe ele conversar durante horas ao telefone;
– Só ele pode ficar no Facebook o dia inteiro.
– Não seja fanática por Novelas.
– Faça as unhas todos os dias para não arranhá-lo;
– Nunca reclame de nada; e deixe a g
eladeira cheia de cerveja. 
– Repare quando ele cortar o cabelo e diga sempre que ficou lindo…
E é muito importante ainda não esquecer as datas do churrasco, da festa 0800, aniversário da mãe dele, tia, irmão ou irmã mais querida; aniversário dos avós, da melhor amigam dele… E do cachorro de estimação
Infelizmente, o cumprimento de todas estas instruções não garante 100% a felicidade dele, porque poderia sentir-se preso a uma vida de sufocante perfeição.
– E o mais importante, minha jovem… Espere… Volte aqui…
NÃO… NÃO PULE… NÃO SE MATEEEEEEEEEEEEE!!!!
Manoel Amaral

CARGA SAQUEADA

CARGA SAQUEADA

Imagem Google

O ano de 2014 mal começou e o registro de acidentes com caminhões, nestas estradas esburacadas, sempre aumenta. Dia 1º, em Poções/Ba  um caminhão da Coca-Cola tombou e populares aproveitaram para saquear a carga.
Ainda neste mesmo dia,  um caminhão de batatas foi acidentado em Campina Grande e a carga foi levada principalmente por crianças do bairro do Catolé.
No dia 02, foi a vez de uma carreta carregada com cerveja em lata, que saiu de Corumbá com destino ao estado de São Paulo. A carga, acabou se espalhando na pista e foi saqueada por populares.  
caminhão que tombou em  Itabela nesta quinta, dia  2 de janeiro, levava quase 30 toneladas de bebida alcoólica, carga diversas, garrafas de bebidas, entre uísque, vodca, energético e cachaça. Algumas pessoas foram presas, quando estavam saqueando a carga.

No interior de Alagoas, no Sábado (04) município de Pilar, um caminhão carregado de louças e copos, tombou e acabou caindo numa valeta. A carga de louça foi saqueada por populares.

Um caminhão carregado com bebidas tombou na sexta-feira (10) em  Mariópolis, no sudoeste do  Paranã, uma das cintas que seguram a carga arrebentou. As pessoas que moram nas proximidades da rodovia roubaram a carga de três mil caixas de cerveja. A Polícia não conseguiu evitar o saque devido à grande quantidade de pessoas que estavam no local.
Quarta-feira, 15, no trecho que liga Palotina a Assis Chateaubriand, proximidades da entrada para o patrimônio do Nice, um veículo tombou às margens da rodovia, espalhando toda a mercadoria, populares saquearam toda a carga de cigarros do Paraguai.

Uma carreta carregada com óleo de soja, que trafegava próximo a cidade de Bambui/Mg, no domingo (19), quando o motorista perdeu o controle da direção do veículo em uma curva e tombou, a carga foi saqueada.

Um caminhão que transportava pneus, tecidos e cremes neste sábado (21), em Carmópolis de Minas, sofreu um acidente. Como sempre, parte da carga foi saqueada por populares.

Em dezembro do ano passado tivemos os seguintes:
Uma carreta tombou quando transportava milho, em Redenção/PA, na quinta-feira, a rodovia tem muitos trechos com buracos e pontes perigosas, sendo o tráfego muito grande de caminhões carregados de mercadorias de todos os tipos. Parte da carga foi levada por populares.
Um caminhão carregado de carne bovina tomba na localidade Boqueirão, próximo a Nazaré do Piauí, nesta quinta-feira. A carga foi subtraída por populares.
Para ilustrar esta crônica recortamos de vários jornais do país os textos acima, apenas nos meses de dezembro e janeiro. Sabemos que no ano inteiro isso acontece e na maioria das vezes a carga desaparece, isto é, levada, subtraída, ou melhor, saqueada por populares.
A alegação é sempre a mesma, a carga está segurada, as empresas não perdem nada.
Mas vejam bem, não é este o caso, saquear é crime, com pena de até 4 anos de reclusão.
Essa prática que se tornou comum por aqui, quando um caminhão está acidentado na estrada, várias pessoas vão logo pegando as mercadorias, mesmo não tendo utilidade para elas.
Já vi gente saqueando até carga de melancias e em local muito perigoso.
É que o povo anda faminto e aonde um vai, a boiada vai atrás.
Nossa alerta é para que não parem o seu carro na estrada e em hipótese alguma desçam para apanhar mercadorias de veículos acidentados. Pode acontecer algum acidente e por causa de algumas batatas alguém perca a vida.
Manoel Amaral
Fonte: Jornais das regiões onde ocorreram os acidentes.

CACHACEIRO COMEU TATURANA COMO TIRA GOSTO

CACHACEIRO COMEU TATURANA COMO TIRA GOSTO


A palavra taturana (ou tatarana) vem da língua tupi e significa “semelhante ao fogo” (tata = “fogo”; rana = “semelhante”). Wikipédia

Estavam os dois na rua, na porta de suas casas, sem nada para fazer, olharam aqueles insetos subindo e descendo as paredes do muro.

Foi aí que o Zé teve a grande (ou péssima) ideia de proposta: quem comesse mais tataranha venceria o jogo e levaria a bolada.

A bolada era apenas uns míseros dez reais, restinho que sobrou da aposentadoria de cada um. Final de mês sabe como é, falta tudo!

Comer taturana, ora pois, pois! Que coisa mais idiota, só poderia ter saído da cabeça daqueles dois. Onde já se viu uma coisa dessas?

Aquilo queimava como pimenta malagueta, era fogo puro.

Foram comendo, comendo, as barrigas inchando cada vez mais. Pareciam até mulher grávida. A cerveja não descia mais. A garganta inflamou. Água só bebiam na bacia.

E aqueles dois foram parar no hospital, quase morreram.
Receberam alta e fugiram do local, foram para zona rural para evitar a gozação do povo.

Tudo isso se passou na data de 26 de janeiro de 2012, do Ano de Nosso Senhor Jesus Cristo (Anno Domini Nostri Iesu Christi).

Manoel Amaral

OSVANDIR E OUTRAS HISTÓRIAS III

ALAMBIQUE

“Se cachaça fosse boa,
não precisava de tira-gosto!”
David Blaser

No Fumal, o pai abandonou o algodão e passou a cuidar apenas da cana. Fabricava rapadura e cachaça. A marca da pinga era “Palmeira”, muito conhecida na região pelo esmero na fabricação, sem nenhum produto químico, apenas fubá de milho e garapa.

A fama da “água-que-passrinho-não-bebe” atravessou fronteiras e de Itaúna, Pará de Minas, Pitangui e Divinóplois apareciam gente interessados em comercializar a maldita da pinga, a “puríssima”. E a Palmeiria fez muita gente visitar nossa fazenda. Até alunos da quarta-série do Grupo Escolar Benedito Valadares estiveram por lá para conhecer como fabricavam a “branquinha”.

Fiquei até um pouco envergonhado por ver tantas meninas bonitas, com o vistoso uniforme de saia azul e blusa branca. O Joaquim era quem alambicava a “cheirosa”, portanto foi explicando para todos os principais processos pelos quais passavam desde o corte da cana madura, o carro-de-boi, o engenho, os cochos, o alambique, a serpentina e finalmente a “abrideira”, saía geladinha direto para os barris ou tonéis de madeira.

As crianças aproveitavam para tomar uma deliciosa garapa, comer melado ou rapadura (pac-pac). Outros preferiam chupar mexerica ou laranja. O certo é que todos se divertiam. Os professores apreensivos de que alguns pudesse machucar-se, tomavam a “branquinha” para disfarçar.

Acabou acontecendo mesmo! Uma menina mais assanhada que as outras resolveu subir no monte de lenha que servia a caldeira do engenho e acabou engarranchada no meio das toras de madeira. Outro menos avisado subiu num monte de casca de arroz no quintal, nem percebendo que ele estava em “combustão interna”, queimava por dentro. O menino acabou queimando o pé esquerdo, dando uma trabalheira danada para os professores.

A caixa de primeiros socorros foi usada e vários alunos receberam esparadrapos nas mãos e pés.

Um professor tirou do bolso uma lista dos nomes mais conhecidos da pinga:
“Água ardente, abrideira, água-que-passarinho-não-bebe, águas-de-setembro, aninha, azougue, azuladinha, azulzinha, bagaceira, baronesa, bicha (no bom sentido), bico, boa, borbulhante, boresca, branca, branquinha, brosa, brozinha, cambraia, corta bainha, cândida, cachaça, caiana, cana, caninha, canguara, canha, canjica, canjibrina, catuta, caxaramba, caxiri, cobreira, corta baínha, cotréia, cumbu, cumulaia, danada, delas-frias, dengosa, mdesmacha-samba, dindinha, dona branca, elixir, engasga-gato, espírito, esquenta-por-dentro, filha-do-senhor-de-engenho, fruta, girgolina, gramática, grampo, homeopatia, imaculada, já-começa, januária, jesebita, jimjibirra, joça, junça, jura, legume, limpa, linha branca, lisa, maçangana, mandinga, manhosa, mãe de Luanda, mamãe-sacode, mandureba, monjprina, marafo, maçã-branca, montuava, morrão, morretiana, óleo, orantanje, panete, parati, patrícia, perigosa, pevide, pilóia, pinga, piribita, porongo, prego, pura, purinha, puríssima, Roma, remédio, restilo, retrós, roxo-forte, samba, sete virtudes, sinhaninha, sinhazinha, sipia, simba, sumo-de-cana, suor-de-alambique, supura, tafiá, teimosa, terebentina, tinguaciba, tiquira, tiúba, tome-juízo, uca, xinapre, zuinga”.

O nosso professor copiou os sinônimos do Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, organizado por Hildebrando de Lima e Augusto Barroso em 9a. edição de 1951, Editora Civilização Brasileira.

MANOEL AMARAL

Fonte: 1 – Joaquim Ferreira do Amaral
2 – José Ferreira do Amaral

OSVANDIR E OUTRAS HISTÓRIAS

SEXTA- FEIRA SANTA, GATO PRETO,
SEXTA-FEIRA 13 E O FIM DO MUNDO

“A superstição é a barreira dos tímidos,
o refúgio dos fracos e a religião dos covardes.”

Tamires

Todos tinham medo de Sexta-feira da paixão. Era uma tristeza que começava na Quinta-feira depois do meio dia. Dava para ouvir o canto dos pássaros e o zumbir das abelhas.

A mula sem cabeça ficava marchando nas cabeças das crianças e nas de alguns adultos.

Passar debaixo de escada, ver gato preto na sua frente e sair de casa na Sexta-feira 13, era coisa de louco.

A superstição era muito cultivada na década de 50, e olha que não tinha TV.

Alguns pássaros também eram considerados agourentos: urubus, acauã, morcegos e corujas. Quando a acauã cantava próximo de uma casa era sinal de falecimento de alguém da família. O mês de agosto era o pior do ano.

As tragédias das Guianas, Tim Jones envenenou várias pessoas, aqueles lunáticos do cometa Houtek, nos EUA, tudo não passou de superstição, o mundo não acabou naquela época e nem vai acabar tão cedo.

Há uma semana os jornais, revistas, TVs e rádios anunciaram o FIM DO MUNDO para o dia 11-8-1999, Quarta-feira, e o pior que a Sexta-feira seguinte era 13, mês de agosto. Muito azar junto!
Mas passou a Quarta-feira, eclipse na Europa e Ásia e um sol de rachar mamonas no Brasil e nada mais aconteceu. Sexta-feira 13 chegou, sol lindo no horizonte. Nenhum sinal de FIM DO MUNDO, pelo contrário, um bom dia das 6:00 às 18:00 horas, pouco movimento nas ruas.
Final de semana, todos cidadãos (moradores na cidade) pegaram a estrada e foram para zona rural (hoje sítio).

Chegou dia 14 e o susto passou, o mundo não acabou, vamos esperar mais 1000 anos (3000), porque 2000 já era.

14-8-1999

MANOEL AMARAL
Fonte: Vide jornais diários da data.

DOR DE CABEÇA?
USE VERAMON!

Saíram do baile quase de manhã, uma dor de cabeça de rachar. Haviam tomado todas, inclusive doses de conhaque São João da Barra. As bebidas e as batidas da fábrica de bebidas Naná, de Divinópolis, enchiam a festa. A cerveja Brahma, rara, tinha como único distribuidor na região, um Sangonçalense, que vendia até para Divinópolis. O tradicional vinho Sabiá, mesmo falsificado, estava nas mesas. As mulheres de longos vestidos, quase todos de cor escura. Os homens de terno de casimira azul marinho ou preto, camisa branca e gravata fina. Corria os fins da década de 50. A alta sociedade estava lá, o baile foi ali na antiga casa do Geraldo Mourão, Rua Cel. Pedro Teixeira com Av. Divinópolis.

O barulho era grande pelo assoalho de grossas tábuas, a orquestra Cassino de Sevilla tocava tangos, boleros, mambos, valsas e as vezes arriscava um chá, chá, chá.
Os rapazes beberam muito, como disse, a Av. Divinópolis, ainda sem calçamento, ali nas proximidades da Rua São José, havia um enorme buraco e um poste de madeira, encurvado, carcomido pelo tempo, quase caindo. O primeiro rapaz não viu buraco nenhum, caiu. O outro tentou tirá-lo e também foi parar lá no fundo.
Foi uma dificuldade tirar dois bêbados daquela cratera.
Amanheceu, a dor de cabeça não tinha fim. Passaram numa farmácia para comprar bicarbonato e Veramon que era para dor de cabeça.
Quando subiam pela Av. Divinópolis resolveram dobrar a esquina da Rua São José para comprar cigarro, na venda da Praça Benjamim Constant, depois seguir pela Rua da Fábrica de Tecidos.
O comerciante avisou que só tinha Saratoga, o pior de todos, compraram assim mesmo.
Comeram uma lingüiça Maria Rosa, mesmo seca, engasgando, custou a descer.
A dor de cabeça foi indo embora e estômago melhorando. Mais três quilômetros pela frente, era Domingo, não tinha importância, podiam chegar tarde em casa.
Quando estavam chegando no portão da fazenda, um lembrou:
_ Puxa! Esquecemos as tintas Guarany que a mãe encomendou …

MANOEL AMARAL