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Convite

Lançamento E-book:
OSVANDIR E LUA CHEIA
Vampiros, lobisomens
& assombrações
de Manoel Amaral

Conversa com o autor.
Não haverá venda de livros.
Sexta-feira, dia 13, agosto
Início: às 19h30m.
Encerramento: 20h30m.
Local: Bib. Pública A. Lago
Av. Sete Setembro, 1160
Divinópolis-MG

HÍSTÓRIAS DE TERROR – O Defunto

O DEFUNTO

Tem pessoas que vão a velórios para conversar, rever amigos, tomar uma pinga da roça, fabricada com mistura de puro álcool ou para tomar um cafezinho na cozinha.

Outros vão fazer Merchandising, distribuir cartão, vender produtos e incrível, – não vai acreditar, – para chorar, berrar.

Advogados vão para ver se conseguem faturar mais um inventário.

Tem gente que é viciado em velório. Muitos cidadãos adoram fazer discurso quando o caixão está descendo na cova. Palavras de pura falsidade:
__ “Conheci este cidadão, gente fina, pagava todo mundo, ajudava quem podia, nunca foi preso, foi um grande político sem nunca ter ganho nenhuma eleição…”

Puro humor negro (não adianta reclamarem, não existe humor Afro-brasileiro). Mais palavras, palavras e palavras falsas.

Um até chorava de verdade, era velho amigo do falecido, havia emprestado alguma grana para ele e sabia que agora não receberia nunca.

Mas neste caso o defunto era mesmo querido, estava ali esticado, com algumas folhas incomodando-lhe o nariz e uma abelha que insistia em beijar todas as flores do caixão e das coroas.

O prédio do velório era novo, bem construído, com um defeito muito grande: era muito próximo demais do cemitério. Já pensaram? De madrugada se os mortos resolvessem dar uma passeada entre os vivos?

Estava aproximando-se da meia-noite, as conversas foram rareando, ficaram apenas dois bêbados ao lado do caixão. Zezinho, velhinho e medroso; Zequinha, jovem e corajoso.

Os outros foram todos embora, com promessa de voltarem de manhã para continuar os papos. Aqueles dois ali, quase dormindo. Um sempre cutucando no outro. Zezinho dormiu que até caiu da cadeira.
Sono pesado. Zequinha resolveu ir embora e saiu de mansinho.

Ficou então Zezinho naquele sono bom, ali ao lado do defunto. Acordou, o falecido ainda estava ali. Continuou dormindo.

O defunto, com o saco cheio, resolveu levantar-se do caixão e ficou ali sentado numa cadeira, mais afastado. Nesse meio tempo Zezinho acordou sobressaltado, olhou ao lado e havia um novo companheiro.

Começou a conversar:
__ Está muito tranqüilo isso aqui, né companheiro?
__ Um pouco – falou o defunto com voz um pouco rouca.

Foi aí que a coisa pegou fogo! Zezinho resolveu dar uma conferida no defunto e teve a ingrata surpresa de encontrar o caixão vazio. Apavorado foi falar com o novo colega:
__ Não a de ver que o defunto saiu do caixão?
__ Como era o nome dele?
__ João da Mariazinha…
__ Este é meu nome.

O bêbado deu três pulos, desceu o morro correndo só indo parar quando chegou em sua casa. Até esqueceu que estava tonto.

Manoel Amaral
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OSVANDIR E A MULHER DA MALA III

Capítulo III
O Casamento
“Marido de mulher feia sempre acorda assustado.”
(Osmair, Tio do Osvandir)

Osvandir lembrou também que “marido de mulher feia detesta feriado”. Veio assim na sua cabeça, sem pensar em mais nada.

Mas precisava de explicar para o pessoal, o que representava aquilo tudo que achou na maleta da Mulher de Branco.

Ela veio em sonho e contou-lhe como tudo aconteceu:
__ Foi num mês de janeiro ensolarado, que casei, numa fazenda de meu pai, há quase cem anos. Tudo estava correndo muito bem, em meu casamento, até que meu marido enrabichou por uma garota com a metade de sua idade.

Osvandir tomou um gole de água fria, para acordar, mas não acordou e a Mulher de Branco continuou contando:
__ Lutei com todas as minhas forças para ver se retirava aquela garota do meu caminho. Melhorei o meu visual, comprei novas roupas, mas nada, ele estava completamente enamorado da jovem. Ela estava consumindo nossas economias.
Meus filhos, um casal, já estavam crescidos, arranjei mais um para ver se mudava o roteiro do destino. Nada. O menino morreu com dois anos. Guardei só uma blusinha dele, que carrego na maleta.

__ Mas você não tentou mudar de cidade, de fazenda, sei lá? – Osvandir ainda sonhando.
__ Tentei, fui até para um local perto de Itaúna, uma fazenda maior que a nossa.
Não adiantou. O marido levou a coisinha. Ficou pior, todo fim de semana os dois saiam para passear na cidade e eu ficava trancada em casa. – Mulher de Branco, ainda assustando…

Continuando, ela deu informações muito importantes:
__ Foi aí que fiz um plano para matar os dois, no sábado ele se enfeitava para ir visitá-la. Armei tudo no local do encontro. Comprei uma Mauser, modelo 1889 e um Winchester de longo alcance. Fiquei a espera dos dois num local mais alto. Assim que começou a escurecer ouvi uma conversa, eram os dois agarradinhos. Não pensei duas vezes, dei quatro tiros, dois em cada um. Aproximei-me, parece que a mocinha ainda estava viva, saquei da Mauser e dei mais um tiro em sua cabeça.

__ Mas você saiu atirando assim, sem esperar para comprovar que eram eles? Já era quase noite, meio escuro, como fez?
__ Conheci pelas roupas e depois fui lá para conferir. Estavam mortos, um sobre o outro. Não me senti muito bem. A Jovem estavam com um fino lenço no pescoço, retirei-o e levei-o para casa e coloquei-o em minha mala maior. Estava manchado de sangue. O tempo passou, ninguém desconfiou de mim. Acharam que eram assaltantes.

Osvandir ficou remexendo na cama e depois acordou assustado, parece que alguém havia batido na porta.

Levantou, olhou e nada! Lavou o rosto e ficou um tempo na cozinha, conferiu o relógio, eram três horas da madrugada.

Deitou e começou a sonhar de novo:
__ Como ninguém desconfiava, – contava a Mulher de Branco – tratei de providenciar o enterro dos corpos. Ninguém veio reclamar o corpo da jovem. Foi enterrada em cova rasa. Para o meu marido, mandei fazer um túmulo grande, de puro mármore preto. Paguei uma fundição para fazer um belo anjo de metal amarelo. Gravaram as datas de nascimento e falecimento na lápide: 1850 – 1909, ele faleceu com 59 anos.

Osvandir remexeu na cama, mas antes de acordar, lembrou de perguntar para a Mulher de Branco:
__ E a Senhora, o que aconteceu depois?
__ Eu sobrevivi mais uns dez anos e depois faleci, acometida de uma gripe espanhola. Hoje fico zanzando por aí, sem destino.
__ O que poderia fazer para minorar o seu sofrimento?
__ Mandar celebrar uma missa pelas nossas almas e rezar um Pai-Nosso e algumas Ave Marias, no próximo enterro que acompanhar. Ao visitar o cemitério de Pedra Lascada, lá irá encontrar o nosso túmulo, passe por lá e faça alguma oração por nós. Não esqueça da jovem que também precisa de ajuda.

Osvandir levantou de um salto, entre dormindo e quase acordado, olhou pela janela e ainda pode ver um fino lenço branco voando no quintal…

MANOEL AMARAL
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OSVANDIR E A MULHER DA MALA II
Capítulo II
As Malas
“Nós somos nossos defeitos”. (Osvandir)
(Para o Amigo Al, da Bahia)

Muitos leitores queriam saber o que continha naquelas duas malas da Mulher de Branco.

O Osvandir fez uma investigação sobre este assunto, vamos ver a seguir a sua conclusão: Parece que tinha um pedaço de pano branco, com manchas de sangue, vazando para fora da mala maior.

Aquilo seria um crime? Ou apenas o assoamento de nariz, em época de Gripe Suína? Poderia ser outra coisa também: resto de roupa íntima, em dia de menstruação.

Pegou o ônibus, desta vez em Bom Despacho, tinha feito uma venda importante, deveria ir aquela cidade para receber o valor de vários computadores para uma Lã House, adquirido por uma livraria, e também um Notebook, para um açougue. As coisas são assim mesmo, inusitadas.

Vinha vindo tranqüilo no ônibus, cheio de estudantes, com uniformes azuis e brancos, de uma escola famosa na cidade.

Ao estacionar na Rodoviária de Nova Serrana, lá estava a Mulher de Branco, conversando com o motorista, desta vez um outro, para nós desconhecido.

Muito gentilmente ele atendeu aquela senhora, pobre senhora.

Com todos estes pensamentos na cabeça, Osvandir olhou para traz e viu aquela mulher: magra, olhos azuis claros, rosto comprido, seios pequenos, quase aparecendo sobre aquelas vestes esvoaçantes contra o vento de agosto, dando adeus para todos.

O olho clínico de Osvandir não saiu daquelas malas. A curiosidade mata mais que gripe suína. Ele não conteve e acabou puxando uma daquelas malas, a menor, para bem perto de si.

Na descida, no trevo para Igaratinga, levou consigo, a dita mala, a menorzinha.

Estava aflito, o que teria ali dentro. Ela estava até leve pelo tamanho. Quando parou num posto, foi ao banheiro e levou a pequena mala, uma maleta.

Ao abri-la levou um tremendo susto, até quis gritar! Mas pensou bem e se conteve.

Pensou em deixá-la ali, em qualquer lugar bem visível. E se a Mulher de Branco viesse buscar a mala? Pegou carona no carro do primeiro colega que encontrou e seguiu para Divinópolis.

__ E aí companheiro? O que tem dentro desta mala velha e suja?
__ Segredo, mistério!
__ Ora vai, conta aí, Osvandir!

Foi então que Osvandir resumiu toda a história e o motorista, não gostou do assunto, porque disse que a Mulher de Branco, estava aparecendo no Povoado de Água Limpa, logo à frente.

Foi só ele acabar de falar, olhe ela lá antes da Curva do Cachorro Morto.

Osvandir estremeceu, não esperou ela pedir a mala. Jogou-a pela janela. Ela foi rápida, pegou-a, ainda no ar e sumiu…

__ Mas e o segredo da mala? Agora você pode contar. Ela foi embora mesmo.
__ Certo, vou revelar: dentro da mala tinha apenas alguns retratos antigos, um de casamento e outros de filhos do casal, uma carta que não li e uma blusinha de crianças de uns dois anos.

Manoel Amaral
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OSVANDIR E A MULHER DA MALA I – Conto de Terror

Capítulo I
A Mulher de Branco
(Para o amigo Al, da Bahia)

Osvandir seguia, via ônibus, pela rodovia BR-262, para a cidade de Pará de Minas-MG, saindo de Nova Serrana.

Lá para as bandas do Povoado dos Limas, pertencente ao Município de Igaratinga, uma senhora, de branco, deu sinal, o motorista parou no acostamento e ela perguntou:

__ Vai passar em Pará de Minas?
__ Vamos. – Respondeu o trocador, com cara de jovem que vive assustado o dia inteiro, devido os assaltos constantes, nestas linhas.
__ Pode levar estas malas para mim, até o entroncamento de Pará de Minas? Alguém vai pegá-las naquele local.– Completou aquela mulher magra e de olhos grandes.
__ Pode deixar que entregamos. – Respondeu o motorista, um cara bonachão, gordinho, de bigode fininho, parecido com aqueles artistas de filmes italianos.

A mulher sumiu numa estradinha que não sabemos onde ia dar. Já era quase noite, mas o sol ainda dava sinal de sua presença, atrás do Morro Agudo.

O ônibus seguiu sacolejando por aquelas estradas, ora entrando num acostamento para descer ou entrar passageiros ou então em algum Povoado para uma pequena parada.

__ Quanto pago até Torneiros? – Disse um passageiro que já estava aflito para chegar em casa e devorar um queijinho de Minas, agora Patrimônio Mundial ( pode?).
__ A passagem é R$3,50, mas porque esta aflição? – Aquele trocador estava achando que seria mais um ladrão que estava apenas disfarçando…
__ É que tenho que apartar algumas vacas e já está ficando tarde…

Nesse meio tempo entra uma senhor, cabelos grisalhos, com um saco (uns 5 quilos) de feijão e alguns ovos numa cestinha. Colocou aqueles ovos, várias dúzias, ali no piso do corredor. Já imaginaram o que poderá acontecer na saída de algum passageiro? Pois foi isso mesmo que aconteceu: um rapazinho distraído pisou no balaínho e alguns ovos foram para o beleléu.

A mulher, muito bondosa, disse ao rapazola que não tinha importância, era para presente, mas o feijão ainda estava a salvo.

Numa curva em “S”, aquele saco de feijão que estava desamarrado, esparramou no assoalho transformando-se numa verdadeira arma para derrubar qualquer um.

Um moleque pisou com seu tênis, moderno, de amortecedor, escorregou e bateu com a testa na cadeira de número 13. Reclamou do número da cadeira, disse que o dito dá azar.

Uma moça, bonita, de batom vermelho, acudiu o rapaz e limpou o sangue que escorria em sua testa. Ele agradeceu e disse que era técnico em informática, deu-lhe um cartão e pediu para procurá-lo em Pará de Minas, consertava tudo, até impressoras antigas.

Osvandir seguia ali quietinho, mas de olho naquelas malas que estavam bem perto do motorista. Já estava quase chegando na entrada para a cidade onde elas deveriam ser entregue.

Mais uma subida, uma descida, uma curva à direita, um baixadão e lá estava o ponto onde alguém estaria esperando aquelas malas, que parecia não conter coisa agradável dentro.

Algumas máquinas, construindo uma terceira pista, atrasaram um pouco aquela viagem. As pás carregadeiras estavam levando terra para aterrar um buraco bem ao lado da rodovia.

Lá estava alguém a espera das malas. Uai! Mas que coisa interessante! Parece que era a mesma mulher que entregou as (mal)ditas lá atrás, no Povoado dos Limas…

Aproximando mais, Osvandir pode conferir que era mesmo aquela mulher, magra, olhos grandes, roupa fina e branca. Estava escuro, mas deu para reparar esses detalhes porque o trevo era bem iluminado.

O ônibus parou, a mulher pediu as malas, o motorista solicitou ao trocador que descesse e as entregasse aquela pessoa as duas malas grandes. Nem prestaram atenção naquela estranha mulher.

__ Muito obrigado seu motorista. – Disse aquela mulher, magra e de olhos grandes.
__ De nada, minha senhora. – Respondeu o motorista e trocador, sem nem mesmo olhar para quem as recebia…

Fica aí a história para o leitor decifrar este mistério.

Manoel Amaral
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OSVANDIR E OUTRAS HISTÓRIAS

SEXTA- FEIRA SANTA, GATO PRETO,
SEXTA-FEIRA 13 E O FIM DO MUNDO

“A superstição é a barreira dos tímidos,
o refúgio dos fracos e a religião dos covardes.”

Tamires

Todos tinham medo de Sexta-feira da paixão. Era uma tristeza que começava na Quinta-feira depois do meio dia. Dava para ouvir o canto dos pássaros e o zumbir das abelhas.

A mula sem cabeça ficava marchando nas cabeças das crianças e nas de alguns adultos.

Passar debaixo de escada, ver gato preto na sua frente e sair de casa na Sexta-feira 13, era coisa de louco.

A superstição era muito cultivada na década de 50, e olha que não tinha TV.

Alguns pássaros também eram considerados agourentos: urubus, acauã, morcegos e corujas. Quando a acauã cantava próximo de uma casa era sinal de falecimento de alguém da família. O mês de agosto era o pior do ano.

As tragédias das Guianas, Tim Jones envenenou várias pessoas, aqueles lunáticos do cometa Houtek, nos EUA, tudo não passou de superstição, o mundo não acabou naquela época e nem vai acabar tão cedo.

Há uma semana os jornais, revistas, TVs e rádios anunciaram o FIM DO MUNDO para o dia 11-8-1999, Quarta-feira, e o pior que a Sexta-feira seguinte era 13, mês de agosto. Muito azar junto!
Mas passou a Quarta-feira, eclipse na Europa e Ásia e um sol de rachar mamonas no Brasil e nada mais aconteceu. Sexta-feira 13 chegou, sol lindo no horizonte. Nenhum sinal de FIM DO MUNDO, pelo contrário, um bom dia das 6:00 às 18:00 horas, pouco movimento nas ruas.
Final de semana, todos cidadãos (moradores na cidade) pegaram a estrada e foram para zona rural (hoje sítio).

Chegou dia 14 e o susto passou, o mundo não acabou, vamos esperar mais 1000 anos (3000), porque 2000 já era.

14-8-1999

MANOEL AMARAL
Fonte: Vide jornais diários da data.

DOR DE CABEÇA?
USE VERAMON!

Saíram do baile quase de manhã, uma dor de cabeça de rachar. Haviam tomado todas, inclusive doses de conhaque São João da Barra. As bebidas e as batidas da fábrica de bebidas Naná, de Divinópolis, enchiam a festa. A cerveja Brahma, rara, tinha como único distribuidor na região, um Sangonçalense, que vendia até para Divinópolis. O tradicional vinho Sabiá, mesmo falsificado, estava nas mesas. As mulheres de longos vestidos, quase todos de cor escura. Os homens de terno de casimira azul marinho ou preto, camisa branca e gravata fina. Corria os fins da década de 50. A alta sociedade estava lá, o baile foi ali na antiga casa do Geraldo Mourão, Rua Cel. Pedro Teixeira com Av. Divinópolis.

O barulho era grande pelo assoalho de grossas tábuas, a orquestra Cassino de Sevilla tocava tangos, boleros, mambos, valsas e as vezes arriscava um chá, chá, chá.
Os rapazes beberam muito, como disse, a Av. Divinópolis, ainda sem calçamento, ali nas proximidades da Rua São José, havia um enorme buraco e um poste de madeira, encurvado, carcomido pelo tempo, quase caindo. O primeiro rapaz não viu buraco nenhum, caiu. O outro tentou tirá-lo e também foi parar lá no fundo.
Foi uma dificuldade tirar dois bêbados daquela cratera.
Amanheceu, a dor de cabeça não tinha fim. Passaram numa farmácia para comprar bicarbonato e Veramon que era para dor de cabeça.
Quando subiam pela Av. Divinópolis resolveram dobrar a esquina da Rua São José para comprar cigarro, na venda da Praça Benjamim Constant, depois seguir pela Rua da Fábrica de Tecidos.
O comerciante avisou que só tinha Saratoga, o pior de todos, compraram assim mesmo.
Comeram uma lingüiça Maria Rosa, mesmo seca, engasgando, custou a descer.
A dor de cabeça foi indo embora e estômago melhorando. Mais três quilômetros pela frente, era Domingo, não tinha importância, podiam chegar tarde em casa.
Quando estavam chegando no portão da fazenda, um lembrou:
_ Puxa! Esquecemos as tintas Guarany que a mãe encomendou …

MANOEL AMARAL

OSVANDIR E O TRIÂNGULO DAS BERMUDAS

Capítulo II

O NAVIO MISTERIOSO

“Alguns relatórios dizem que até 100 navios e aviões desapareceram na área, com mais de mil vidas perdidas. .” Lee Ann Obringer

Osvandir, munido de celular com “pen-drive” para gravação de voz e lanterna impermeável de duas pilhas, foi o primeiro a subir pela corda até à amurada do grande navio. Outros três tripulantes o seguiram, portando celulares e lanternas impermeáveis. Era necessário ser alpinista, ter muita força nos bíceps para galgar uma altura de cerca de 10 m.
Colocaram uma das pernas por cima da amurada e passaram para o convés, muito sujo e liso. Com dificuldade conseguiram segurar-se na amurada. O nevoeiro encobria a visão a uma distância maior que uns 10 m.

O piso de madeira era muito liso e sujo necessitando cuidado para não escorregar. Só se ouvia as ondas se chocarem contra o casco. Havia um silêncio de cemitério.
O que poderiam esperar ver, eram apenas ossadas humanas. Caminharam em direção à Ponte de Comando, que ficava na extremidade da popa. Os porões se estendiam desde aí até à proa da embarcação.

Por uma escada muito enferrujada, mas ainda forte, desceram em direção á proa onde estavam os porões. Não havia ninguém lá. O que era metálico estava muito estragado.Desceram e dirigiram-se ao porão por uma portinhola que saia da Ponte de Comando. Desceram como medo que os degraus quebrassem. Um terrível cheiro de mofo contagiava o ar. Não havia nenhum mau cheiro de organismo morto. Lá estava tudo morto.

Tiveram acesso a um porão muito abaixo da linha d’água e o que viram lá foram apenas aparelhos sanitários de louça, como pias, bidês, vasos sanitários, ainda embalados em tiras de madeira que por ser de boa qualidade haviam resistido ao tempo e umidade.

Na escuridão reinante, com o local sendo iluminado apenas com as lanternas que trouxeram na cintura, chegaram ao outro porão, depois de algum tempo. Havia uma quantidade enorme de bombas hidráulicas elétricas, também embaladas em tiras de madeira.

O cargueiro era muito comprido, podendo ter quase uns cem metros. O terceiro porão continha um infinidade de canos de plástico para serviço hidráulico. Parece que era um carregamento de peças para infra-estrutura sanitária.

Subiram por escadas de ferro a um nível mais alto que os porões. Lá depararam com um alojamento para dormitório com vários beliches desarrumados.Um refeitório com restos ressecados de alimentos, com talheres e pratos na mesa, como se a tripulação houvesse abandonado o recinto, às pressas. Logo a seguir estava a cozinha, também parece haver sido abandonada repentinamente pelos cozinheiros e serviçais.

O silencio reinava entre os quatro visitantes, que nada diziam, mas pensavam, e parece que o que pensavam eram as coisas piores possíveis.No fim da cozinha depararam-se com um esqueleto pequeno, de osso finos e longos. Um corpo pequeno tinha o crânio descarnado. Era triangular e grande.

Tinha órbitas ovais, mandíbula pequena e pequenos dentes. Tórax estreito, com uma faca de cozinha, comprida e enferrujada, enfiada entre as costelas. Também possuía a bacia estreita. Ossos dos braços e pernas eram longos e finos.

Viram o segundo esqueleto. Ossos carbonizados, do tamanho médio de um homem, deitado no solo em frente ao pequeno esqueleto esfaqueado. A visão deixou os quatro exploradores calados e perplexos pela visão inconcebível pela razão natural de verem as coisas corriqueiras da vida.
Osvandir parou, tentou ligar-se com o comandante John, mas o celular não funcionou. Usou o celular com pen-drive para gravar os restante da operação, uma vez que já havia feito as gravações dos parcos acontecimento da viagem até aquele local.

Ele emitiu suas opiniões pessoais sobre os fatos presenciados, mas guardou as informações para enviar pelo Fax de Miami, em forma codificada, para o CUB. Quando daria por terminada sua missão de pesquisa.A um gesto de Osvandir os três tripulantes o seguiram e em fila, segurando-se à corda do gancho, desceram já sem maiores dificuldades para bordo do “Alice”.

Imediatamente o capitão perguntou pela não comunicação do Osvandir com ele. Osvandir respondeu que os celulares não funcionavam no interior do navio. Diante dos fatos, o capitão não se admirou do fato. O que assistiu nunca mais esqueceria.

Osvandir e os tripulantes fizeram planos para rebocar aquele imenso navio para a respectiva posse.A grande névoa foi dissipando-se e todos verificaram que o cargueiro havia desaparecido, sem mergulhar no oceano. Ninguém tocou naquele assunto para não ser mentiroso. Estabeleceu-se entre eles a “lei do silêncio”.

O reboque do navio foi impossível e essa esperada fonte de renda esfumou-se como o cargueiro. Os planos para aplicar o dinheiro ficou apenas no sonho.Osvandir e os tripulantes descansaram, tomaram um banho frio e trocaram as roupas suadas por causa do grande calor existente no interior do grande cargueiro. Alimentaram-se bem, com a ração-fria e empreenderam a viagem de volta para Miami, onde o capitão e os tripulantes receberiam a metade da gorda remuneração já adrede cominada.

Na volta gastaram 35 dias, com as ondas encapeladas empurrando o barco, de leste para oeste. A embarcação elevava a proa e em seguida mergulhava para a água, para logo subir até à crista das ondas. O rebocador media uns vinte metros, mas era uma embarcação pesada, por causa dos apetrechos que ela conduzia, visando situações de emergência inesperadas.

Finalmente na manhã do dia 31 de março de 2007, o “Alice” aportou no píer de Miami. Osvandir dirigiu-se ao centro comercial daquele porto e no interior do Banco do Brasil em Miami finalizou o pagamento dos prestativos ajudantes.

Em uma agência de Xerox e emissão de Fax codificado para o CUB, Osvandir escreveu:”Encontramos o cargueiro Milton Artrides com carga de material sanitário intacta, mas havia somente um esqueleto pequeno como o de um Grey esfaqueado com faca comprida, de cozinha, por um homem que estava com esqueleto calcinado. Sei que houve desaparecimento de aviões até 1976.

Conclusão – Minha opinião que os Greys, a raça desonesta no que respeita a abduções. Suponho que os greys podem estar em estado de extinção e estão abduzindo humanos para formarem seres híbridos ou usarem órgãos para transplantes. As fêmeas deles podem estar fora da função natural de procriar. Roubam sêmem e óvulos. Pelo que eu observei esta deve ter sido uma das últimas visitas de greys, utilizando um portão comum de comunicação entre Portais Dimensionais. Devem ter fechado este Portal alarmados com o assassinato de um dos elementos de sua raça. A teoria das bolhas de Metanol, deve ser apenas uma das teorias, ou o Metano acabou-se.

Osvandir – OO8 Moura/Manoel – 28-10-08 “

OSVANDIR NO CEARÁ II

Capítulo II

OS CASOS UFOLÓGICOS

O Brasil é o país mais rico do mundo.
Roubam à noite e no dia seguinte ele está novamente rico.
É o Milagre Brasileiro.” (Moura)

Moura olhou para cima procurando se lembrar de alguma coisa:
— Vou falar sobre o que eu me lembro, pela imprensa e do que vi na Internet:
“No início deste ano um médico de Quixadá fotografou, por acaso um Disco Voador, bem alto, por trás das serra, além da Galinha Choca. Lá aparecem Discos Voadores e Bolas de Fogo. Já aconteceu um avistamento, presenciado pelas pessoas que estavam presentes a um comício, nas vésperas de eleições. Todos correram da pracinha. Não me lembro o ano, mas foi um dos maiores avistamentos. Antes disso houve o caso de um homem de meia-idade que viu um disco voador e recebeu um facho de luz no rosto. Desde esse tempo ele foi enfraquecendo, passou a viver em uma rede e a mente dele involuiu e dizem que ficou com a idade mental de uma criança de 9 anos. Ele faleceu há mais ou menos 5 anos atrás. Não tenho mais certeza das datas.”

— Lembro muito bem deste caso, retrucou Osvandir

Moura continuou contando: “O agricultor Antônio disse que viu um disco sobre a Pedra da Galinha Choca, ao lado do Açude Cedro, neste ano, por volta das 21/22 horas.
”As aparições são comuns, para Tadeu, funcionário aposentado do Banco do Brasil. Ele garante que já viu vários ÓVNIS em sua fazenda, que fica próxima de Quixadá.”

“O músico Dudu, disse que já foi perseguido OVNIs . Disse que seu conjunto saía de um show e foram seguidos por uma esfera grande com luzes piscando, de cores variadas. O carro parou sozinho e
ficaram na estrada. Depois disso uma bola gigante voou em alta velocidade para o poente.”

Osvandir ouviu tudo atentamente e depois, curioso, perguntou:
— Moura você já teve avistamentos?
– Já tive cinco, mas nunca vi um disco voador, só esferas ou sondas, sendo três com luz própria.

Osvandir perguntou:
— Gostaria de saber as suas opiniões a respeito de UFOs?
Moura respondeu:
— Minhas opiniões a esse respeito são muitas e nenhuma. Não sei de nada. Talvez poucas pessoas saibam a verdade, pois o campo é muito vasto. Existe muito acobertamento pelos governos.

Deu 12 horas e Da. Conceição anunciou que a mesa estava posta.
Foi um almoço frugal. Constou de filé ao “molho madeira”, feijão preto temperado com carne do sul e lingüiça, arroz branco, purê de batatas, macarrão talharin, salada de verduras. Serviram refresco de cajá e creme de abacaxi na sobremesa.

– Não tenho Don Perignon, pois sei que você gosta de vinho. Aqui só tenho o suco de uva, que não é a mesma coisa, disse o Moura, como a se desculpar pela ausência de um bom vinho.

Terminado o almoço, Moura e Osvandir demonstravam preguiça e prazer, pela barriga cheia. Voltaram a sentar-se nas cadeiras do alpendre arejado, para conversarem mais.
– Moura, devo que estar no hotel bem antes do carro da agência chegar. Ainda tenho que tomar banho.
– Fique à vontade, disse o Moura, já lamentando a ausência de “um bom papo”, com o Osvandir.

O táxi foi chamado e veio logo. Começaram as despedidas, desejos de boa viagem e muita sorte na excursão.

Na manhã seguinte Osvandir serviu-se do café, com variedades, pagou a diária e desceu para a entrada. Mais ou menos às 9 horas a Van da Agência de Turismo parou em frente ao Othon Pálace Hotel.

— Estamos aqui para conduzi-los até Quixadá. Podem entrar, colocar as malas na traseira do veículo, por favor.

O veículo vinha apanhando as pessoas nas residências ou hotéis.
Osvandir colocou suas duas malas na van e subiu no veículo se acomodando em um dos bancos, sentando junto a uma janela. Estava com seu Notebook a tiracolo. Também retirou a mochila das costas onde havia pertences que poderiam precisar a qualquer instante.

Começou a viagem de uns 170 km, rumo a Quixadá. Após umas 4 horas de viagem, chegaram ao Hotel Monólitos, onde ficariam hospedados, no centro da pequena cidade.
Continua…
Moura e Manoel

OSVANDIR E A CASA ASSOMBRADA

A CASA ASSOMBRADA

Osvandir foi convidado para passar uns dias na fazenda de um amigo lá no interior de Minas. No caminho para a fazenda acabou se perdendo. Ele resolveu seguir a pé para ir conhecendo melhor a região. A distância da cidade até a fazenda é de seis léguas (dezoito quilômetros), segundo informou um morador da cidade. Mas Osvandir não se importou e resolveu ir caminhando mesmo. Era bem cedinho. O tempo parecia ser quente naquele dia. Tirou a gravata, paletó, calçou umas botas de fazendeiro e botou o pé na estrada.

Logo na saída da cidade notou uma cocheira, onde havia alguns cavalos amarrados. Mais à frente, quase fora do centro urbano, entrou por um largo corredor com vários coqueiros. Os moradores do local o olhavam com curiosidade.

As horas se passaram. Era mais um dia de aventuras para aqueles dois irmãos. O mais velho montava um cavalo chamado Pampinha. Na garupa do animal, o irmão mais novo. Estavam indo tirar ingá, fruta típica do local, bastante apreciada pelos meninos. É comprida, parecida com a vagem, um pouco mais larga. O caroço da ingá é coberto por uma polpa branca de sabor adocicado.

Sempre andavam juntos quando crianças. Naquelas paragens, sem energia elétrica no local, muito menos computador com internet, o passa-tempo predileto era a natureza.

Viveram dias difíceis nos períodos da seca. Com a falta de água era preciso caminhar várias léguas até o rio Jequitionha. Apesar de tudo, a Fazenda Cristal era boa e dava belos frutos na época das chuvas.

Os dois irmãos chegaram no brejo. De cara, um grande pé de ingá bem na beira do brejo. Os galhos estavam tão carregados que nem foi preciso descer do cavalo para pegá-las. Tiraram várias frutas e amarraram.

Enquanto estavam distraídos com as frutas, um assustador rugido veio de dentro do mato. Naquele tempo as matas eram bem fechadas, o capim podia esconder qualquer espécie de bicho.

O cavalo empinou, quase derrubando os dois meninos. Em seguida saiu em disparada como nunca havia feito antes. Era manso e não costumava correr tanto daquele jeito. No meio do caminho uma forte chuva desabou.

O cavalo seguia desenfreado. O irmão mais novo segurava firmemente na sela para não cair. As ingás, naquele momento, já não importavam mais. O medo adentrou pela alma daqueles pobres meninos aventureiros.

Um sujeito que caminhava pela estrada quase foi pisoteado pelo cavalo em disparada. Ao avistar o animal indo bem para cima dele, deu um salto e caiu em cima de um barranco, sujando-se ainda mais de lama.

O cavalo finalmente parou, ofegante, em frente à casa da fazenda. Os dois meninos estavam encharcados, ainda assustados com o que acabara de acontecer. A chuva continuava forte.

Apearam e saíram correndo para dentro de casa. Lá dentro a mãe preparava o almoço. Ao ver os meninos com olhar assustado e ensopados pela água da chuva, indagou sobre o ocorrido. Os meninos mal conseguiam falar, tamanho foi o medo que passaram.
Mais calmos e recuperados do susto, contaram detalhadamente o que havia se passado, minutos antes, inclusive sobre o sujeito andando pela estrada que quase foi atropelado pelo cavalo em disparada. Provavelmente era algum vizinho andando pelas proximidades. Naquela chuvarada toda não dava para ir lá fora ver quem era.

O almoço estava servido à mesa. De repente ouve-se alguém batendo à porta. A mãe dos meninos levantou-se e foi até lá. Ao abrir a porta deparou-se com um sujeito magro e cabelos pretos. Estava segurando uma mala preta. Suas roupas estavam molhadas, cobertas de lama e estrume de gado.

O estranho apresentou-se como sendo Osvandir, ufólogo e pesquisador de fenômenos inexplicáveis. Estava indo para a fazenda de um amigo e acabou se perdendo pelas diversas trilhas da região.

Após as apresentações, Osvandir foi convidado a almoçar com a família. Os meninos o fixavam com curiosidade. Percebendo que os meninos não tiravam os olhos dele, Osvandir resolveu puxar conversa. Quis saber por que o cavalo corria tanto, quase passando por cima dele.

Ouvindo atentamente a história, Osvandir perguntou se o barulho ouvido pelos meninos não teria sido um boi perdido no mato. Pareceu o rugido de uma onça. Se tivesse sido um boi o cavalo não teria se assustado tanto porque ele conhece o mugido – Responderam os meninos.

Mais tarde, depois que a chuva havia parado, Osvandir saiu com os meninos para conhecer a fazenda. Tinha comido feito uma onça. Comida muito gostosa como nunca tinha experimentado igual. A mãe dos meninos cozinhava muito bem.

No pequeno curral para eqüinos da fazenda tinha um lindo cavalo branco, o Bossanova, nome dado em homenagem ao estilo musical criado no final dos anos 50 e início dos anos 60. No flanco direito do cavalo um grande ferimento impossibilitava o animal de ser montado. Osvandir quis saber o que causou o ferimento, mas os meninos não souberam explicar. Um dia ele apareceu daquele jeito.

O tempo passou rápido na fazenda. O entardecer não demorou a chegar. Osvandir fez amizade com os meninos. Eles já não o olhavam mais com curiosidade. Pescou na empoeira – uma espécie de pântano que ficava numa baixada próximo da casa. Tomou banho na represa e contou algumas histórias pelas quais havia passado. Histórias sobre assombrações e alienígenas.

Osvandir ficou conhecendo vários nomes de frutas que jamais tinha ouvido falar. Até anotou tudo para não esquecer. Também ficou impressionado com a quantidade de animais peçonhentos nas proximidades. Na descida para a lagoa quase pisou numa cobra atravessada no meio do caminho. Em outro local, mais duas cobras disputavam um apetitoso anfíbio. Sentiu arrepios ao ver a cena.

Na fazenda, sem internet e televisão, todo mundo ia dormir cedo. Raramente alguém dormia depois das 21 horas. A não ser por um velho rádio antigo sobre a cômoda, não havia outro meio de passar o tempo durante à noite. Mas aquela seria uma noite bem diferente das anteriores.

Algo estranho estava acontecendo. Uma luz que vinha do curral chamou a atenção de todos. Parecia a luz de um candeeiro se movimentando entre o gado. Todos se amontoaram na janela da cozinha para verem melhor a estranha luz. No momento em que se preparava para pegar seu binóculo de visão noturna, Osvandir perdeu tempo, suficiente para ver a luz se apagar e sumir no meio do curral.

Aquele fenômeno no curral já havia acontecido em outras ocasiões. Porém, a estranha luz não seria o único fato intrigante naquela noite. Algo ainda bem mais assustador estaria por vir.

No cair da madrugada estavam todos dormindo. Osvandir dormia no quarto de visitas. No outro quarto, os meninos e a mãe dormiam juntos. O sono foi interrompido pelo barulho do rádio que estava em cima da cômoda, na sala. Estava chiando. Era o chiado típico da emissora já fora do ar.

Na estante, que ficava na mesma sala, um barulho parecido com o de uma pessoa batendo na madeira deixou ainda mais assustadora aquela noite. Deve ter alguém lá na sala – pensaram.

Alguns minutos de silêncio tomaram conta do local. Osvandir estava com os olhos esbugalhados, coberto dos pés à cabeça. A noite era muito escura na fazenda. Quando as luzes dos candeeiros se apagavam, não se via nem um palmo à frente do nariz.

Aquela parecia ser uma noite bem longa. Quando todos imaginavam que o mistério tinha acabado, um barulho vindo da cozinha fez subir calafrios pelo corpo. Parecia que todas as panelas da prateleira tinham vindo ao chão.

A mãe dos meninos tomou coragem e resolveu levantar junto com eles para averiguar o que estava ocorrendo. Osvandir, vendo a luz do candeeiro sendo acesa, levantou-se também. Deu um salto para fora da cama ao perceber uma caranguejeira bem próxima, descendo lentamente pela parede. Era enorme.

Reunidos na sala, perceberam que não havia mais ninguém ali a não ser eles mesmos. O rádio estava desligado e não havia ninguém atrás da estante. Na cozinha, todas as panelas estavam em seus devidos lugares, como se nada tivesse acontecido. Teria sido fantasma?

O dia finalmente clareou. Era uma bela manhã de primavera. Osvandir estava de mala em punho, pronto para voltar à cidade e de lá pegar o ônibus de volta para casa. Soube que a fazenda do amigo que o convidou ficava a cerca de três quilômetros dali. Inclusive dava para ver a casa ao longe. Ele optou por voltar em outra oportunidade, afinal a noite anterior foi o suficiente para fazer ele esquecer que estava de férias. O mistério continua.

Al Cruz
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