OSVANDIR FOI PRA PASÁRGADA

“Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá a existência é uma aventura”
Manuel Bandeira

Enquanto nossos amigos Argonautas seguiam para a exposição de foguetes em Cabo Canaveral, na Flórida, local que Dr. Mendes conhecia muito bem de outra viagem sua, lá no acampamento de Bost Osvandir, ferido, febril, passou a delirar.
“__ Quero ir para pasárgada, lá posso passear com Angelina Jolie, com aqueles lábios grossos e tentadores.
Lá o Planalto não tem plano “B”, tem “plano alto”.
Naquele local a Ordem dos Advogados Extraterrestres não fica fiscalizando terceiros, metendo o nariz onde não deve, nem existe Prédio da Justiça em construção, que gasta bilhões de Zolares.
O Zolar, moeda local, está sempre estabilizada, não baixa e nem sobe, não prejudica ninguém.
Cartões corporativos nem pensar, os que existem somente para meia dúzia de autoridades maiores, que sabem como gastar.
Assalto a banco é coisa do passado. O último foi aquele do Banco Central, mas já está tudo resolvido. Os bandidos estão todos na Cadeia Global Intergaláctica (CGI).
Em Pasárgada os políticos são todos honestos, não existe fome e nem pobreza. Na verdade alguns políticos adotam apelidos bem engraçados: Progresso, Felicidade, Pai de Todos, Mão Branca, Polvo e outros mais…
Os Partidos políticos são poucos, mas trabalham pelo e para o povo. Tem nomes comuns: PL – Partido da Lua, PS – Partido do Sol, PSR – Partido Sem Religião, PP – Partido do Povo.
Na Capital Federal tem um hotel com o nome de “Legislatura” onde alguns políticos menores passam a maior parte do dia.
Naquela terra os Bancos têm juros baratinhos, quase zero por cento. São controlados, não podem assaltar o povo, com taxas e juros extorsivos. Não são como empresas que têm lucros. Têm programas sociais, realmente sociais, ajudam o povo.
Os aposentados nunca estão endividados. Podem passear, fazer turismo. São bem tratados, nunca assassinados.
As crianças têm prioridade em tudo, crescem lindas e saudáveis. Nunca são atiradas pelas janelas.
O Programa de Saúde funciona muito bem, a Febre Verde, já está controlada. Ela foi disseminada pelo vírus de um macaco ET, raça em extinção do Planeta Amarelo.
O único inconveniente é que naquela boa terra existem alguns mosquitinhos denominados Petedengues que são uma verdadeira praga. Infestam todos os locais de trabalho e os altos escalões. Mas já, já, estarão extintos pela fome e pelos próprios erros de cálculo.
Os seqüestros Raio são problemas menores, que foram controlados pela CIA – Comando Intergaláctico Aeroespacial.
Todos os brancos também têm cotas nas Universidades. Não existem raças superiores.
O gás da cidade-estado vem de outras duas comunidades chamadas Rolívia e Arruela.
Lá tem uma revista de ufologia denominada ARRUFOS e vários jornais eletrônicos – os impressos em papel estão em extinção: Virgília, Rodovia, Galáctíca e por aí…
A Galáxianet – com bunda larga, não deixa ninguém em desvantagem, todos podem navegar sem Explorer. Os programas Zoogle, Piorhoo, garantem busca em todo o universo.
Em pasárgada tem uma famosa indústria de refrigerante Rota-Cola que está sempre em briga com a concorrente Pesca-Cola. Coisa de mercado, no fundo são todas iguais. Satisfazem o desejo dos cidadãos.
Corrupção nem pensar… O último caso em que um funcionário público roubou um centavo do Zolar, foi severamente punido!”
Osvandir estava acordando, voltando a si, caindo na realidade. Olhou para um lado e para outro, ainda estava em Bost!
Em Cabo Canaveral, Dr. Mendes convida seus amigos a segui-lo pelos emaranhados caminhos dos foguetes, cápsulas e naves.
__ Esta aqui é a Gemini–5, levava dois astronautas, em 1965, ela ficou quase oito dias no espaço, falou Dr. Mendes.
Assim que terminou algumas palavras sobre o foguete Titan, foi chamado por policiais que guardavam o local.
__ Were is your passaport?
Exigiram os passaportes, ninguém tinha tal documento.
__ We have passaport!
Todos foram presos e conduzidos ao interrogatório.
(Continua…) Manoel
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FONTE: Texto extraído do livro “Bandeira a Vida Inteira”, Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

OSVANDIR E O PORTAL DO TEMPO

“O tempo pode ser extinto como uma chama que se apaga”
John Archibald Wheeler

Osvandir e Al ao voltarem para o acampamento na praia, já escurecendo, viram um estranho brilho no céu. Uma bola de luz azul vinha em direção dos dois.
Esconderam-se atrás de umas pedras e aquele misterioso objeto caiu nas proximidades. Foram procurar pelo mato e encontraram uma pedra azul, de uns cinco quilos mais ou menos. Estranho que ela vindo do espaço naquele instante, não estava quente, pelo contrário, estava fria. Resolveram levá-la para melhor análise, pelos peritos que chegaram recentemente a ilha.
Numa das barracas estavam Dr. Jack, Dr. Mendes, Ildefonso, Fábio e Manoel discutindo sobre espaço, tempo, buraco negro, etc. Com a chegada da Pedra Azul o foco da conversa mudou.
__ Onde encontraram esta pedra, quis saber Dr. Jack.
__ Veio do céu, falou AL.
__ Mas como, ela está fria, retrucou Dr. Mendes.
Aquela discussão iria longe não fosse Manoel chegar com suas piadinhas sem graça:
__ Essa linda pedra azul não seria a Pedra Filosofal?
Ildefonso não agüentou tamanha burrice e disparou:
__ Caro amigo, a Pedra Filosofal foi apenas uma metáfora dos alquimistas.
Já o Fábio, também muito gozador, falou:
__ Então poderia ser a Criptonita do Super Homem!
Aí quem interveio foi Dr. Mendes, que sacou lá do fundo do baú, o seu conhecimento:
__ Até poderia ser, porque no ano passado encontraram na cidade de Jarda, na Sérvia, um mineral batizado de Jardarita, parecida com a criptonita, só que era do planeta terra mesmo.
Todos soltaram um oh!!! Quanta sabedoria escondia-se por trás daqueles cabelos grisalhos. Mas a pedra continuava ali, azul clara como o céu da Ilha de Bost.
Osvandir que até o momento nada dissera, expôs sua teoria:
__ Poderia ser descarga de banheiro de algum avião e cuja água tenha solidificado até chegar a terra?
Dr. Mendes e Ildefonso concordaram com essa idéia. Possibilidade haveria, até porque a pedra era mesmo de gelo e começava a derreter-se.
Todos foram dormir depois de ingerir algumas frutas tropicais, colhidas no dia anterior.
De manhã Osvandir foi verificar a pedra e só encontrou uma coisa preta enrolada na mesa. O fedor era enorme, saiu em disparada da barraca, o que acordou todos os outros amigos.
O segredo da Pedra Azul estava revelado: era bosta mesmo!
Passada a discussão, a gozação, Dr. Mendes perguntou ao Dr. Jack, se na ilha havia alguma coisa interessante para ver. Depois de pensar um pouco falou:
__ Fora os animais de regiões diferentes desta e os habitantes do outro lado da ilha que chamamos de “Outros”, o Osvandir descobriu esses dias um paredão, com inscrições dos povos Maias.
Dr. Mendes quis saber mais detalhes, direção e distância destas ruínas. Osvandir foi chamado para conversar sobre o assunto.
__ Olha Doutor, o paredão fica ao sul, bem próximo de um barranco. Já estive lá várias vezes, até encontrei umas inscrições esquisitas, muitas figuras, tigres, cobras e caras de índios. Tem um grande portal de entrada onde lá no alto está escrito um texto que não consegui traduzir. Alguma coisa parecida com estrelas, portão, portal, etc.
__ Estou curioso, vamos lá. Quero conhecer este sítio arqueológico.
Dr. Mendes reuniu o pessoal do Grupo Ufovia e informou que estava partindo com Osvandir para investigar o local, que poderia ter sido uma cidade Maia. O pessoal do grupo, sem nada para fazer, resolveu ir também, nesta aventura.
Para garantia de sucesso do passeio, Dr. Jack pediu ao Sawyer, por ser um bom atirador, para seguir junto aos pesquisadores.
Passaram na gruta, onde reabasteciam de água potável e seguiram pela mata fechada. Depois de certo tempo caminhando, o pessoal demonstrava cansaço. Pararam debaixo de uma árvore frutífera, parecida com a manga, experimentaram, estava boa. Guardaram algumas para a viagem.
Com mais algum tempo avistaram uma planície, daí mais um pouco e já se podia distinguir no horizonte algumas pedras do paredão. Caminharam cerca de umas duas horas para alcançar o objetivo.
Com aquelas pedras todas cheias de inscrições, Dr. Mendes e Ildefonso ficaram encantados. Começaram a traduzir alguns trechos e a seguir foram parar no Portal de Entrada.
Logo do lado direito tinha um teclado numérico em linguagem Maia. Osvandir mostrou ao Doutor o que descobrira, no alto do Portal. Traduzindo uma palavra, comparando outra chegou a algo como: Portal das Estrelas.
Foi aí que veio na cabeça de Dr. Mendes um filme que assistira há muito tempo, STAR GATE.
__ Acho que isso pode ser um Portal do Tempo! Disse com todo entusiasmo o Idelfonso.
__ Olhem bem, este material do teclado é todo brilhante, parece Nióbio de Araxá, disse Fábio.
Apertando-se as teclas, girava uma grande roda em torno do portal, formando algumas figuras.
__ Quem sabe o teclado funcionasse como um GPS, disse Osvandir.
__ Pode ser, indicaria onde a pessoa iria aparecer, falou AL.
No meio de todas essas descobertas, Dr. Mendes lembrou que trazia anotado na “caderneta de campo” as coordenadas de sua cidade, Dois Córregos – SP.
Apertou os números no teclado e uma matéria plasmática preencheu todo o círculo interno do portal. Manoel colocou a mão no plasma e sentiu uma dormência no braço.
__ Pessoal, se querem voltar para casa não custa tentar, disse Dr. Mendes.
Sawyer levantou o braço, indicando que queria sair da ilha. Todos queriam, até o Osvandir.
Prepararam as mochilas e ficaram enfileirados. Foram entrando um a um naquele material que mais parecia gelatina, todo branco. Osvandir ficou por último, quando estava preparando-se para entrar, um urso polar veio em disparada e agarrou-o pelas costas, jogando-o longe do portal. (CONTINUA…)
Manoel