OSVANDIR E O PORTAL DO TEMPO

“O tempo pode ser extinto como uma chama que se apaga”
John Archibald Wheeler

Osvandir e Al ao voltarem para o acampamento na praia, já escurecendo, viram um estranho brilho no céu. Uma bola de luz azul vinha em direção dos dois.
Esconderam-se atrás de umas pedras e aquele misterioso objeto caiu nas proximidades. Foram procurar pelo mato e encontraram uma pedra azul, de uns cinco quilos mais ou menos. Estranho que ela vindo do espaço naquele instante, não estava quente, pelo contrário, estava fria. Resolveram levá-la para melhor análise, pelos peritos que chegaram recentemente a ilha.
Numa das barracas estavam Dr. Jack, Dr. Mendes, Ildefonso, Fábio e Manoel discutindo sobre espaço, tempo, buraco negro, etc. Com a chegada da Pedra Azul o foco da conversa mudou.
__ Onde encontraram esta pedra, quis saber Dr. Jack.
__ Veio do céu, falou AL.
__ Mas como, ela está fria, retrucou Dr. Mendes.
Aquela discussão iria longe não fosse Manoel chegar com suas piadinhas sem graça:
__ Essa linda pedra azul não seria a Pedra Filosofal?
Ildefonso não agüentou tamanha burrice e disparou:
__ Caro amigo, a Pedra Filosofal foi apenas uma metáfora dos alquimistas.
Já o Fábio, também muito gozador, falou:
__ Então poderia ser a Criptonita do Super Homem!
Aí quem interveio foi Dr. Mendes, que sacou lá do fundo do baú, o seu conhecimento:
__ Até poderia ser, porque no ano passado encontraram na cidade de Jarda, na Sérvia, um mineral batizado de Jardarita, parecida com a criptonita, só que era do planeta terra mesmo.
Todos soltaram um oh!!! Quanta sabedoria escondia-se por trás daqueles cabelos grisalhos. Mas a pedra continuava ali, azul clara como o céu da Ilha de Bost.
Osvandir que até o momento nada dissera, expôs sua teoria:
__ Poderia ser descarga de banheiro de algum avião e cuja água tenha solidificado até chegar a terra?
Dr. Mendes e Ildefonso concordaram com essa idéia. Possibilidade haveria, até porque a pedra era mesmo de gelo e começava a derreter-se.
Todos foram dormir depois de ingerir algumas frutas tropicais, colhidas no dia anterior.
De manhã Osvandir foi verificar a pedra e só encontrou uma coisa preta enrolada na mesa. O fedor era enorme, saiu em disparada da barraca, o que acordou todos os outros amigos.
O segredo da Pedra Azul estava revelado: era bosta mesmo!
Passada a discussão, a gozação, Dr. Mendes perguntou ao Dr. Jack, se na ilha havia alguma coisa interessante para ver. Depois de pensar um pouco falou:
__ Fora os animais de regiões diferentes desta e os habitantes do outro lado da ilha que chamamos de “Outros”, o Osvandir descobriu esses dias um paredão, com inscrições dos povos Maias.
Dr. Mendes quis saber mais detalhes, direção e distância destas ruínas. Osvandir foi chamado para conversar sobre o assunto.
__ Olha Doutor, o paredão fica ao sul, bem próximo de um barranco. Já estive lá várias vezes, até encontrei umas inscrições esquisitas, muitas figuras, tigres, cobras e caras de índios. Tem um grande portal de entrada onde lá no alto está escrito um texto que não consegui traduzir. Alguma coisa parecida com estrelas, portão, portal, etc.
__ Estou curioso, vamos lá. Quero conhecer este sítio arqueológico.
Dr. Mendes reuniu o pessoal do Grupo Ufovia e informou que estava partindo com Osvandir para investigar o local, que poderia ter sido uma cidade Maia. O pessoal do grupo, sem nada para fazer, resolveu ir também, nesta aventura.
Para garantia de sucesso do passeio, Dr. Jack pediu ao Sawyer, por ser um bom atirador, para seguir junto aos pesquisadores.
Passaram na gruta, onde reabasteciam de água potável e seguiram pela mata fechada. Depois de certo tempo caminhando, o pessoal demonstrava cansaço. Pararam debaixo de uma árvore frutífera, parecida com a manga, experimentaram, estava boa. Guardaram algumas para a viagem.
Com mais algum tempo avistaram uma planície, daí mais um pouco e já se podia distinguir no horizonte algumas pedras do paredão. Caminharam cerca de umas duas horas para alcançar o objetivo.
Com aquelas pedras todas cheias de inscrições, Dr. Mendes e Ildefonso ficaram encantados. Começaram a traduzir alguns trechos e a seguir foram parar no Portal de Entrada.
Logo do lado direito tinha um teclado numérico em linguagem Maia. Osvandir mostrou ao Doutor o que descobrira, no alto do Portal. Traduzindo uma palavra, comparando outra chegou a algo como: Portal das Estrelas.
Foi aí que veio na cabeça de Dr. Mendes um filme que assistira há muito tempo, STAR GATE.
__ Acho que isso pode ser um Portal do Tempo! Disse com todo entusiasmo o Idelfonso.
__ Olhem bem, este material do teclado é todo brilhante, parece Nióbio de Araxá, disse Fábio.
Apertando-se as teclas, girava uma grande roda em torno do portal, formando algumas figuras.
__ Quem sabe o teclado funcionasse como um GPS, disse Osvandir.
__ Pode ser, indicaria onde a pessoa iria aparecer, falou AL.
No meio de todas essas descobertas, Dr. Mendes lembrou que trazia anotado na “caderneta de campo” as coordenadas de sua cidade, Dois Córregos – SP.
Apertou os números no teclado e uma matéria plasmática preencheu todo o círculo interno do portal. Manoel colocou a mão no plasma e sentiu uma dormência no braço.
__ Pessoal, se querem voltar para casa não custa tentar, disse Dr. Mendes.
Sawyer levantou o braço, indicando que queria sair da ilha. Todos queriam, até o Osvandir.
Prepararam as mochilas e ficaram enfileirados. Foram entrando um a um naquele material que mais parecia gelatina, todo branco. Osvandir ficou por último, quando estava preparando-se para entrar, um urso polar veio em disparada e agarrou-o pelas costas, jogando-o longe do portal. (CONTINUA…)
Manoel

OSVANDIR E A PEDRA AZUL

No último capítulo do BIG BANG BOST, Osvandir viu descer do espaço um aparelho esquisito, quase quadrado. Caiu longe da praia, lá na mata.

Dr. Jackello pediu ao Alex Sayid, ao Galego Hurley e ao Fernando Sawyer que fossem procurar o objeto desconhecido que acabara de cair do espaço.

Ao andar pela praia Hurley viu um cabo de aço enterrado na areia, com a ajuda de Sayid foram acompanhando-o por entre galhos e brejos. Fernando, sempre brigão, resmungava: “o que vim fazer neste lugar?”.

Quando estavam quase desistindo viram aquela “coisa” dependurada numa árvore. Ficaram apreensivos ao avistarem algumas pessoas se movendo lá dentro. Procuraram localizar alguma porta ou saída, mas estava tudo muito bem protegido.

Assim que os tripulantes daquela nave estranha notaram os três lá em baixo, tentaram fazer comunicação, mas nada se ouviu do lado de fora. Fizeram sinais para que cortassem alguns galhos das árvores. Hurley que era gordo não subia em árvores, Alex Sayid só entendia de Rádio. Nandão Sawyer foi quem tomou a iniciativa de subir numa árvore próxima cortando alguns galhos.

O barulho foi muito grande, aquela máquina foi ao chão. Hurley foi quem falou primeiro:
__ Quem são vocês? De onde vieram?
__ Nós viemos do Brasil, mais precisamente de São Paulo…
__ São Paulo? A capital da Argentina?
__ Não, São Paulo é a maior cidade da América do Sul. Mas e vocês o que fazem aqui nesta ilha?
__ Viemos da casa do BBB e caímos em Bost.

Daquele mecanismo, mais parecido com um elevador, saíram AL, EL, IL, OL e Dr. Mendes.
Todos reunidos seguiram para o acampamento da praia. Tão logo chegaram avistaram Osvandir sentado num tronco, avivando o fogo, assava um peixe.
__ Olá pessoal, o que estão fazendo aqui meninos?
__ Viemos te visitar, falou AL.
__ Quem é aquele ali, Al? Disse Osvandir.
__ É o Il, ou Ildefonso, a quem o Pepe chama de Ilde.
__ Nossa, até o OL veio, o OLHO QUE TUDO VÊ…
__ Vim e trouxe EL (o Mané) e o Dr. Mendes.

Dr. Jackello quis saber como os cinco vieram parar na ilha. Dr. Mendes então falou:
__ Tudo começou quando eu e o Ilde resolvemos fazer uma pequena experiência de laboratório, em São Paulo,, para reproduzir o “Big Bang”, para isso convidamos Manoel, Fábio e o Al Cruz para assistirem. Acontece que algo deu errado, tivemos que fugir do local às pressas, mas o elevador não desceu, ao contrário, subiu e em alta velocidade, viemos parar aqui, sem sabermos como. Parece que entramos numa região magnética, numa falha do tempo.

Ao fim das explicações Dr. Jack convidou a todos para almoçar o peixe que Osvandir acabara de preparar. A comida sem sal, mas para quem estava com muita fome, ela parecia ótima.

Refeito do susto, Manoel, Fábio, Ilde e Dr. Mendes foram para a barraca mais próxima bater papo de boteco, sem bebida alcoólica, que estava racionada na Ilha de Bost. Há muito tempo não caía avião com este tipo de carga…

Na manhã seguinte Osvandir convidou Al para uma expedição em busca de um pequeno avião que caíra na floresta no mês passado.

Com suas pesadas mochilas às costas, os dois adentraram no meio da mata, seguindo a direção sul, onde avistaram duas montanhas denominadas de Torres Gêmeas. Andaram cerca de dez quilômetros em linha reta e quando pensavam estar chegando, tinham ainda muito terreno para percorrer.

Pesquisando num desfiladeiro, Osvandir encontrou alguns destroços de avião: pedaços de asa, uma porta, cacos de vidro e pequenas peças. Al que o seguia a certa distância gritou:
__ Olha! Ali naquela árvore tem qualquer coisa.
__ É o avião, disse Osvandir.

Al pegou um facão e foi abrindo caminho até o local. Jogou uma corda amarrada a uma pedra e esta enroscou-se num galho de uma árvore de Gameleira. Osvandir subiu lentamente até o avião e gritou de lá de cima:
__ O avião está cheio de imagens de gesso, de vários santos.
__ Toma cuidado Osvandir, a qualquer momento ele pode cair. É melhor você descer…

As palavras de Al soaram como proféticas. Foi só ele acabar de falar e tudo veio parar no solo. Osvandir ficou dependurado num cipó.

Alguns minutos depois os dois examinavam os destroços, encontraram alguns remédios que resolveram levar para Dr. Jack.

Quando estavam preparando para retornar, Osvandir pegou uma imagem daquelas e partiu-a ao meio. Estava cheia de cocaína. Sem saber o que fazer, optaram por encobrir o avião com alguns galhos e capim. (CONTINUA…)

OSVANDIR E OS EVANGELHOS APÓCRIFOS

O avião verde e amarelo que fez um pouso forçado na Ilha de Bost, no meio do canavial, era de alguns Deputados, vindo de um lugar distante denominado Terra de Santa Cruz.

Vieram à procura de um Evangelho Apócrifo, escrito em 1993 por um Apóstolo desconhecido. O documento, segundo alguns estudiosos, estaria num pequeno deserto da Ilha.

Desceram do avião, entraram em contato com o pessoal da praia, mas preferiram ficar na mata. Montaram o próprio acampamento.

Com o raiar do dia puseram-se a procurar o misterioso documento. Os Deputados encontraram algumas pessoas do outro lado da Ilha e os contrataram para ajudar a localizar aquele Evangelho Apócrifo.

Dr. Jack Marcelo, mais conhecido por Jackello, enviou dois de seus homens para fiscalizar o que ocorria no acampamento dos recém chegados: Marcão Locke e Charlie GarRafinha. Osvandir resolveu acompanhá-los, subiram o morro que separava a praia do canavial e ficaram ocultos por uma moita a observar as pessoas numa tremenda mordomia: bebidas, carnes, arroz, feijão, saladas e sobremesa de frutas. Como não comiam tais coisas há muito tempo, aproximaram do local. Numa conversa com um Deputado ficaram sabendo o que eles estavam procurando.

Locke que tinha mais experiência na mata disse que sabia onde era o tal deserto que procuravam. Acabaram combinando para o dia seguinte uma pesquisa no local.

Osvandir levantou-se cedo, colocou junto aos seus objetos uma pequena enxada e uma pá. Chegou primeiro ao local, pesquisou, calculou, examinou e foi direto onde havia uma caverna.

Andando por entre pedras e buracos, avistou um velho pote de barro com umas estranhas inscrições. Ao aproximar-se notou que estava lacrado com uma espécie de cera. Calculou o peso, uns cinco quilos. Colocou-o no saco, sem reparar que haviam outros potes em local mais escuro, saiu da caverna, desceu rápido o morro e sumiu no meio da mata.

Meia hora depois já estava na praia, no Acampamento, entre os destroços de avião. Pediu a Kate Nat para chamar o Dr. Jackello.

­__ Que foi que aconteceu, Osvandir? Perguntou o Dr. Jackello.

__ Encontrei este pote numa gruta lá no alto do morro.

__ Vamos abri-lo, busque uma de nossas facas, Kate.

Enquanto esperavam, Osvandir foi relatando ao Doutor tudo que vira no Acampamento dos Deputados.

__ Pronto, aqui está a ferramenta para abrir este pote, disse Kate.

__ Comece por este pequeno sinal aqui do lado e vá tirando pequenos pedaços desta cera.

Assim fez Osvandir. Limpou bem a boca do pote. Viram lá no fundo uns papeis, já amarelados pelo tempo, um deles dizia:

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DOMINGO DE RAMOS

(TP 13, 1+12)

Naquele tempo, Alul e seus companheiros ao aproximaram-se da Capital Federal, chegaram a Sitirub, próximo do Morro das Palmeiras ao lado do Córrego da Ponte.

Então Alul enviou dois de seus companheiros, dizendo-lhes: “Ide até o povoado mais próximo, logo encontrareis uma camionete velha, parada na porta de um amigo e com ela um jipe, 1951. Pegai-os e trazei-os a mim! Se alguém vos disser alguma coisa, direis: “O Senhor Alul precisa deles, mas logo os devolverão”.

“Dizei ‘a filha de Yanras, a Anaesor: Eis que o teu amigo Alul vem a ti, manso e trepado numa camionete velha e um jipe, 1951”.

Então os companheiros foram e fizeram como Alul lhes havia mandado. Trouxeram a camionete e o Jipe e puseram sobre eles suas bandeiras vermelhas e Alul subiu na carroceria. As pessoas levantaram suas bandeiras, enxadas, foices e facões, enquanto outros cortavam ramos das árvores e os espalhavam pelo caminho.

As multidões que iam à frente de Alul e os os que o seguiam, gritavam: “Viva o TSM e fora CHF!”

Quando Alul entrou em Sitirub, a cidade inteira se agitou, diziam: “ Quem é este homem? E as multidões respondiam: “Este é o candidato do TP, o Senhor Alul. É a nossa salvação!”

Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelos meios de comunicação.

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Ao lerem aquele texto, quase sem sentido para eles, propuseram levar o pote até aos Deputados e trocar por alimentos.

Receberem aquele material, ficaram muito contentes e informaram que haviam encontrado outros potes idênticos, numa caverna lá no deserto.

Na manhã seguinte o Avião verde e amarelo conseguiu alçar vôo, aproveitando um pequeno campo dos outros habitantes da Ilha.

Quando tudo parecia tranqüilo, eis que surge no espaço uma coisa esquisita, parecia uma máquina do tempo em formato de elevador espacial. (Continua…)

MANOEL

OSVANDIR E A BOLA PRETA

BIG BANG BOST II (BBB) – 1ª TEMPORADA

“O futuro pertence aos sonhadores” (Osvandir)

Quando todos estavam preparando-se para dormir, um barulho muito grande foi ouvido lá no meio do canavial.

Seria um monstro a sacudir aquelas matas ao redor da ilha?. Dr. Jackello, Kate, Papai Lockerroni e Charlie Garrafinha foram verificar o que era aquilo.

Andaram na mata, desceram a vala, subiram até certa altura do morro, onde havia uma fumaça preta. De início nada foi encontrado.

Assim que Osvandir pulou um pequeno riacho seco, viu ao longe um torvelinho. Correu muito e conseguiu chegar primeiro ao local.

O que viu deu para impressioná-lo: uma enorme bola preta, parecia queimada, atravessada por um cano maciço, com inscrição dos números 4, 8, 15, 16, 23 e 42 além de alguns desenhos da antiga civilização Inca. Havia uma espécie de fita isolante de uns 10 cm de largura cobrindo-a por todo lado.

Com toda precaução Osvandir mediu a radioatividade do terreno próximo e do estranho material, vindo não se sabe de onde. Achou interessante, o impacto do objeto não causou muito estrago no terreno.

Dr. Jackello disse tratar-se de um pedaço do avião, uma turbina, ao que Marcão Locke não concordou , achava que o material seria parte de um estudo secreto sobre magnetismo do Exército Americano.

Charlie Garrafinha, apelido que ganhou logo no início quando chegou a ilha porque ficou encarregado de abastecer o pessoal com água potável, informou que já tinha visto coisa parecida no meio da sucata de materiais dos “Outros”, quando esteve no seu Acampamento.

Tão logo o pessoal foi chegando, ouviram um barulho de passos no canavial. Kate assustada deu o alarme:

___Algumas pessoas vestidas de branco, com armas nas mãos, estão vindo.

Dr. Jackello agarrou Kate e sairam correndo por entre colunas de pedras e logo foi seguido pelos amigos.

Os “Outros” já vinham preparados com uma espécie de maca para o transporte da bola preta. Juntaram tudo, inclusive os pequenos fios e saíram dali com a maior rapidez.

Quando Charlie Garrafinha estava enchendo as garrafas d’ água, apareceu Michael Felipe com seu o filho Walt e o cão Vincent, que também ficaram assustados com o fumacê lá no alto da serra.

O dia já amanhecia e já haviam chegado ao seu acampamento na beira da praia, ao lado daqueles destroços do Avião Oceanic Airlines, vôo 815.

Estavam todos tomando o lanche da manhã e contando as novidades da noite anterior e o caso da estranha bola preta, de repente um avião Airbus, verde e amarelo, começou a fazer um pouso forçado no canavial… (continua)

Manoel

OSVANDIR E O LOBISOMEM

Abro o jornal “A Folha de São Paulo” e a notícia: NOVO TREMOR DE TERRAS NO NORTE DE MINAS. Há muito tempo que o Nordeste do país e o Norte de Minas vêm sofrendo com os abalos sísmicos. No ano passado na região de Caraíbas houve, em 24 horas, 162 tremores.

O povo supersticioso, abalado com estes acontecimen-tos, chega a sexta-feira da paixão, amedrontado.Qualquer barulho é motivo de preocupação.

Na rádio a música de Zé Ramalho, “Mistério da meia-noite”, põe todo mundo de sobreaviso:
“Mistérios da meia-noite
Que voam longe
Que você nunca
Não sabe nunca
Se vão se ficam
Quem vai quem foi
Impérios de um lobisomem
Que fosse um homem
De uma menina tão desgarrada
Desamparada se apaixonou
Naquele mesmo tempo
No mesmo povoado se entregou
Ao seu amor porque
Não quis ficar como os beatos
Nem mesmo entre Deus ou o capeta
Que viveu na feira”

A lenda do Lobisomem é contada de rua em rua, boteco em boteco, roda de amigos e em família. Uns dizem que o lobisomem se transforma à meia noite de sexta-feira, em uma encruzilhada, é metade lobo e metade homem. Sai procurando sangue, adora um galinheiro. Ao amanhecer ele procura a mesma encru-zilhada para voltar a ser homem.

Em algumas regiões dizem que o lobisomem deve percorrer sete cemitérios até o amanhecer, para voltar a ser humano. Caso contrário ficará em forma de besta para sempre.Para matar o lobisomem só bala de prata ou fogo. Uns até acreditam que ele nunca pode ser morto, pois se transforma em outro animal qualquer.

Se alguém for mordido por lobisomem e não conseguir a cura até a 12ª badalada do sino da velha igreja matriz da cidade, ficará assim para toda a eternidade.

Mas hoje vamos contar uma versão diferente, não é aquela que a sétima criança em uma seqüência de filhos do mesmo sexo, tornar-se-á um lobisomem, ou aquela da sucessão de sete mulheres, ou ainda outra que diz que o sétimo filho homem de um sétimo filho homem se tornará a fera.

A nossa história foi contada pelo culto Professor Osvaldo Catarino Evaristo, de Belo Horizonte, que na década de 70 residia em São Gonçalo do Pará. “Por volta de 1700, na época do ouro e da escravidão, muitas fazendas tinha escravos para cuidar do garimpo ou da plantação. Trabalho duro, pesado, de sol a sol. Os escravos mais fracos morriam logo nos primeiros dias de trabalho. Muita doença nos sertões de Minas.

A febre do ouro fácil foi tomando conta de todos. Os fazendeiros tratavam mal aos escravos, pouca comida e muito trabalho. Namorar moças de outras fazendas, nem pensar. Foi aí que surgiu a idéia de um preto velho para aliviar a pressão sobre os jovens. Criou uma fantasia de pele de lobo guará, muito bem feita e passou para seu filho e disse:
__ Vai filho, coloque a fantasia e procure o seu amor na próxima fazenda.

Ao ouvir aquela história o Osvandir foi ficando curioso, queria saber mais…

O rapaz seguiu caminho, encontrou com alguns fazendeiros e capatazes, escondeu-se atrás de uma moita. Quando pensou que tudo estava bem, foi saindo devagarzinho, mas foi visto por um fazendeiro que assustado sacou a velha espingarda e deu um tiro que acertou na perna da fera. Caça daqui, procura dali, mas o lobo escapuliu…

No outro dia um comentário na senzala assustou a todos: uma fera, um homem lobo foi encontrado nas divisas das fazendas “Buracão” com “Água Podre”. O fato foi assunto para o resto do mês.

Com a divulgação para outras paragens, através dos negros dos quilombos, tudo foi ficando mais fácil para o namoro entre eles.

Um dia, o namorado não apareceu para a bela mulata Marina, da Fazenda do Brejo Seco, ali bem próximo do Arraial do Ouro. Ela tinha a fantasia que foi preparada por sua mãe, uma bela manta com pelos dourados. Resolveu ir a procura do namorado. Sexta-feira 13, lua cheia, céu bem claro que parecia dia.

A jovem com pouca experiência de seguir pelo mato afora, esqueceu-se do perigo que corria para aquelas bandas para onde ia. Era o local próximo do garimpo, com gente trabalhando dia e noite.

Num descuido, a moça tropeçou nuns galhos secos, o Capataz pegou o seu Arcabuz, ou seria um Bacamarte? Não sabemos. O tiro foi certeiro, e a fera tombou ao lado daquela grande árvore de gameleira.

Ao aproximar-se, o homem viu aquele lobo estirado no chão. Cutucou com a ponta de uma vara e algo se mexeu, deu o último suspiro. O tiro foi certeiro, no coração.

Quando o Capataz foi verificar o lobisomem, teve uma surpresa: por baixo de tantos pelos de um lobo guará, estava morta uma linda mulher… era a lobismulher…

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Fonte: www.wikipédia.com.br
Folha de São Paulo
Vale a pena ler:
http://contoselendas.blogspot.com/2004/12/lobisomem.html
http://www.famiglia.barone.nom.br/index67.htm