PAU DE ARARA

PAU DE ARARA
Caminhão de Pau de Arara no nordeste é como ônibus, carrega muita gente, acidentes estão sempre acontecendo todos os dias entre os romeiros, que vão para Juazeiro, Ceará.

Muita gente morre e dezenas de feridos. E não tem médicos, enfermeiros e serviço hospitalares para atendê-los.

Já quando um caminhão de porcos acidenta-se, aparece Veterinários de todo lado e as clínicas recebem os animais e os tratam com carinho.

Nada contra, mas e o ser humano? Não vale nada?

Não, não vale. Todo dia tem “Dimenor” assaltando e matando até por causa de R$10,00.

Eles sabem que vão entrar na Delegacia e sair no mesmo dia, sorrindo, então pintam e bordam e ninguém não pode nem reagir que leva bala.

E no trânsito? Eles param os carros, tiram os ocupantes jogam no meio da rua e saem com os veículos.

Mas voltemos aos porcos: o caminhão transportava 110 animais para um frigorífico, o motorista fez uma manobra, tombou, o trânsito foi interditado. Estava apenas a dois quilômetros do destino final, aconteceu o acidente.

Mas como aqui no Brasil tudo é feito na base de gambiarra, na primeira tentativa não deu certo.

Na segunda piorou, até que apareceu um mais inteligente e pediu que os porcos fossem colocados em outra carreta, o que foi providenciado.

Muitos porcos morreram, outros muito feridos. Apareceu por ali alguém ligado a ONG de maltrato a animais filmou tudo e jogou na internet.

O Caso ganhou proporções inesperadas, apareceu  gente de todo lado para adotar os animais feridos. Os mortos foram levados para inutilização, por que não podem usar aquela carne para o consumo humano.

O restante foi para o frigorífico para abate.

Após a divulgação na internet o povo ficou chocado, parecendo ser uma grande tragédia.

Tragédia são as recusas de governantes em aceitar imigrantes de vários países em guerra, que estão invadindo a Europa.

Eles são tratados como animais (animais seriam melhor cuidados).

Spray de pimenta, chato d’água, bomba de efeito moral, fumaças de todas as espécies, balas de borracha e tudo para impedir a passagem de pessoas por seus países.

Vendo o sofrimento daquele, um milionário até ofereceu, dinheiro suficiente para comprar uma ilha e construir casas para todos.

Quando abro os jornais de hoje, leio:
Ônibus tomba e 15 pessoas morrem em acidente na cidade de Paraty, no Rio”.
Será que apareceu alguém de ONG pró-humana para filmar o acidente?

Você que levou porcos para cuidar, aproveite e leve também um refugiado e um acidentado para sua casa.

Manoel Amaral

PRECARIEDADE TRANSPORTE ESCOLAR


A precariedade do transporte brasileiro é muito grande e como dizia aquela Revista Francesa (France Football):
“- A atual presidente Dilma Rousseff garantiu que faria um trem-bala, nos moldes do TGV Francês, que ligaria 4 cidades-sede: SP-RJ-BH-Brasilia. A promessa está gravada em redes sociais. (http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,governo-garante-trem-bala-pronto-ate-a-copa-de-2014,381839,0.htm )”
E o trem bala não saiu e nem vai sair, ficou só na promessa!
E não é só o caso do trem bala não, as Prefeituras prometem e não resolvem o caso do transporte escolar.
Todos os dias os jornais publicam fotos de acidentes de veículos escolares. Viajam sem cinto de segurança, com alunos sentados no assoalho e a maioria até sem freio e farol.
Alguns veículos não atendem os critérios básicos, nem tem a faixa lateral de identificação.
Nenhum tem um assistente, e o motorista  nem sempre pode descer para recolher os alunos. “Eu até desço, mas, está sem freio de mão, então fica perigoso.” – Afirma o motorista de uma Kombi velha.
Muitos veículos estão rodando em caráter de emergência, enquanto  o principal está quebrado há muito tempo.
O ideal seria como consta na Portaria do DETRAN nº 1153, de 26-8-2002 Artigo 3º.
Mas o que acontece é superlotação, ausência de cinto de segurança, defeito na porta, extintores de incêndio vencidos, pneus carecas, falta de vedação contra poeira, problemas nos freios e até ônibus que rodam há mais de 30 anos.
Tem, na Zona Rural, até caminhão “pau de arara” que transporta estudantes, com assentos frouxos e uma lona furada que serve como teto.
Graves acidentes acontecem todos os dias no país inteiro, onde ferem muitas crianças. 
Quanto a situação das escolas municipais sugiro ver vídeo do Programa Fantástico, deste domingo, apesar de focalizar apenas parte do Nordeste, no seguinte link:

O MOTORISTA DE TÁXI E O BANDIDO

Justino, o justo, motorista de táxi há mais de cinco anos em sua cidade, passou por maus momentos naquele dia.

Quase chegando ao ponto de trabalho, por volta de oito horas da manhã, ao atravessar a rua, foi atropelado por um motoqueiro e sua máquina infernal. Teve ferimentos leves, seguiu mesmo assim para o trabalho.

Refeito do susto, do outro lado da rua, encontrou os seus colegas que falavam de assaltos e liam uma jornal que compravam todos os dias e que apreciavam muito; publicava: mulher pelada, futebol e página policial.

Um deles disse que na noite anterior recusara uma chamada para um bairro afastado dizendo que não podia ir por ter outro compromisso, mas na realidade era medo de ser assaltado.

O dia não começara bem, tentava pegar logo algum passageiro para não ter prejuízo e cumprir a cota do dia.

Uma chamada, ali por perto, foi urgente levar aquele passageiro onde desejava.

A viagem foi ficando muito longa, quase dez horas daquela manhã conturbada, o passageiro arrancou da cintura um revólver e anunciou o assalto, ali mesmo, no meio da rua de grande movimento.

Mandou o motorista parar numa rua mais estreita e sem movimento, amarrou-o com fita adesiva que carregava no bolso. Vedou seus olhos e tampou a boca com o mesmo material.

Justino ficou totalmente imobilizado, foi jogado no porta-malas do veículo.

O bandido rodou a cidade inteira com o pobre motorista quase morrendo asfixiado naquele ambiente próprio para malas e nunca para pessoas.

Parou perto de um posto de combustível para comprar um litro de gasolina. Ninguém ficou sabendo para que.

Nesse meio tempo Justino soltara a amarra dos pés e pressionando o banco traseiro conseguiu sair do veículo, ainda com as mãos presas e os olhos vedados, não conseguia gritar tinha a fita atravessada em sua boca.

Cambaleando ali no meio da rua, sem saber onde estava. Recebeu uns socos de alguém que acabara de chegar. Era o assaltante que pegou o carro novamente e fugiu em disparada para outro bairro.

Justino foi socorrido pelo primeiro morador que já o conhecia do ponto de táxi no centro da cidade.

Retirada as fitas dos olhos, boca e das mãos, reconheceu onde estava e agradeceu ao senhor Joaquim que o ajudou.

Na outra ponta da cidade o assaltante continuava a andar no veículo e fazendo até corridas quando solicitado.

Nestas alturas dos acontecimentos o proprietário do veículo já sabia de toda a história e acionou a polícia.

O idiota do assaltante foi preso na zona rural, por desconfiança de um passageiro que fretou o veículo, achou o preço muito baixo e desconfiou do taxímetro desligado durante a corrida.

Manoel Amaral

O PESCADOR E A RODA DE CAMINHÃO

“Dez pneus cheios e um coração vazio”
(Motorista de carreta)

Um caminhão passou em alta velocidade pelo asfalto…

Um pescador desceu calmamente a ladeira e posicionou-se num recanto logo abaixo da velha ponte. Ali, naquele local, ele pescava muitos peixes há uns vinte anos, hoje apenas alguns só para distração.

Trouxera uma velha capanga de brim marrom, que já estava quase branco pelas constantes lavagens. Uma lata de isca e uma velha enxadinha com cabo curto, que só servia mesmo para arrancar minhocas.

O seu jeito especial de pescar, às vezes, conseguia levar para casa uns peixes maiores. Mas o tempo estava ruim, havia chovido no dia anterior e o rio muito cheio.

Parou alguns instantes para tomar o seu cafezinho e fumar um cigarrinho de fumo baio, fraquinho, só para espantar os mosquitos que cada vez aumentavam mais.

Os veículos na rodovia já começavam a incomodar, logo ele que fugia de casa por causa de barulho. Desceu então para o poção que estava a uns cem metros abaixo.

Algumas piabas começaram a beliscar a isca, as águas faziam um semicírculo no remanso e vários peixes ficavam por ali para abocanhar algumas frutinhas do mato.

Tudo num silêncio maravilhoso, apenas alguns cantos de pássaros em extinção. Na semana passada vira um tucano pousado num galho seco, coisa que há muito tempo não via por ali. Pensou consigo mesmo: ― Os pássaros estão voltando, quem sabe os peixes também apareçam no rio.

Nesse meio tempo uma capivara com seus filhotes passaram bem pertinho dele, numa trilha que ia para um milharal. Os velhos tempos estaria mesmo voltando, ou tudo aquilo seria uma ilusão?
Ele notara mesmo que muitas aves e animais selvagens estavam visitando quintais nos arredores das cidades.

Há dez quilômetros da ponte um caminhão vinha em alta velocidade. Antônio, o bom motorista, sempre mandava revisar o seu veículo e conhecia bem a estrada, mas com as chuvas muitos trechos pioraram.

Numa daquelas conhecidas curvas, um buraco maior apareceu e ele não teve como desviar a tempo.

Uma roda desprendeu-se do eixo e seguiu pelo asfalto, sem que o motorista notasse. Era uma grande descida, João atravessou a ponte e seguiu o seu destino.

A roda seguiu girando pelo asfalto, antes de chegar a ponte ela entrou à esquerda e desceu a ladeira.

O pescador estava lá no seu pesqueiro, compenetrado, os peixes aumentaram. Já estava com a capanga cheia. Improvisou um gancho de um galho para acomodar o restante das piabas e mandis.

Como estava ficando tarde a família ficou preocupada. O seu filho mais novo foi à sua procura.
Encontrou o velho morto, no rio, agarrado a um galho de ingá.

Havia um corte na sua cabeça, logo acima da nuca. Ficou por entender como aquilo teria acontecido.

Deixou o corpo encostado numa árvore e pesquisou em volta. Logo abaixo, cerca de cem metros, uma roda de caminhão, tombada ao lado de um cupinzeiro.

Manoel Amaral

OSVANDIR E O GOLPE DO ACIDENTE

“Não tenha medo de tentar nem se culpe
quando fizer algo que não dê certo.”
(Luiz Gasparetto)
Há uns dez anos aconteceu um fato muito interessante em Belo Horizonte, capital de Minas.

Aqueles ônibus loucos, aquelas obras inacabáveis, carros velhos e novos buzinando a todo momento, motos por todo lado, tudo contribuindo para que cada dia o trânsito ficasse cada vez pior.

Osvandir descia lá do alto da Avenida Afonso Pena, com intenção de pegar a Avenida Amazonas e vir para sua terra, mas antes pode observar um fato muito esquisito.

Viu um homem de meia idade, atravessar uma rua em disparada, não deu tempo do motorista da Kombi parar e o infeliz bateu com o corpo todo na lateral direita do veículo, provocando um grande amasso na lataria.

Até aí tudo bem, mais um acidente naquele conturbado trânsito.
Engano, aquilo gerou um rumoroso processo judicial.

O motorista ficou receoso de que o pedestre solicitasse algum valor de indenização na justiça e antes que isso acontecesse pediu a um advogado que preparasse uma Ação de Indenização por Perdas e Danos, contra o infeliz.

Como a justiça é morosa, gastou alguns meses para o Senhor Jairzinho ser citado para a audiência. Achou muito interessante, pois não devia nada a ninguém. Leu a documentação entregue pelo Oficial de Justiça, mas não entendeu muito bem.

Na petição o Advogado fazia uma série de alegações e munido da perícia concluía que o pobre do pedestre havia atropelado o veículo e requeria danos morais e materiais.

Aquele processo serviu de gozação no Fórum local, mas o fato é que ele seguia os trâmites legais.

No dia da audiência, o MM. Juiz notando a pobreza do indivíduo e a malícia do autor, propôs um acordo: o autor pagaria as custas e o advogado, o réu comprometeria perante todos que não reclamaria qualquer tipo de indenização no futuro.

Ambos satisfeitos, declarou-se encerrado mais um processo na primeira audiência.

Tudo estaria esquecido se não fosse uma conversa que Osvandir ouviu, por acaso, depois da audiência:

__ Você conseguiu sair de mais essa, não é mesmo Jairzinho?
__ É, eu errei o cálculo, a minha velocidade não deu para cair na frente do veículo, aí bati na lateral.
__ Como é mesmo esta história? Perguntou Osvandir.
__ O Jairzinho já vinha planejando este acidente há tempos, com a intenção de pedir indenização. Acontece que ele não foi feliz no golpe…
– informou um amigo.

Osvandir saiu dali sem saber quem era o mais esperto, se o motorista ou o atropelado.

MANOEL AMARAL