GOLPE DO PLANO COLLOR

GOLPE DO PLANO COLLOR

“Brasil?
Fraude explica.”

Logo nos primeiros dias de 2017, se você receber um adorável telefonema de Brasília ou do Rio de Janeiro, comunicando que tem uma “bolada de dinheiro” te esperando na Caixa, não fique tão feliz e pensando: comecei o ano bem, com o pé direito.

Mas em contrapartida a telefonista vai te pedir para depositar o valor das custas processuais. Coisa pequena de R$3.000,00 ou um pouco mais. E você pega dinheiro aqui e ali e sai em disparada para o banco. A sua sorte é que encontra o seu velho amigo e advogado da família.

Conta a história para ele. Nem ouviu a metade e solta esta: –É golpe meu filho! Aliás, muito conhecido na internet.

Dr. António, figura popular naquela cidade, já atendeu muitos casos como esse, mas quando a pessoa já tinha caído no golpe, depositado o valor solicitado na dita conta informada ao coitado do pato. Brasileiro é assim mesmo, não para para pensar, cai em tudo quanto é “Conto do Vigário”. Até naquele do bilhete premiado uma velhinha caiu nestes dias.

Mas Joaquim, o cliente de Dr. António, ainda insistiu que consultou e existem mesmo estas perdas do Plano Collor e muita gente está recebendo dinheiro por isso.

–Claro, claro, Senhor Quim, é verdade, mas no seu caso trata-se de um golpe que larápios estão aplicando por aí.

–Mas eles indicaram o número do processo, os meus dados todos e a advogada que estava atuando.

–Estes resíduos do Plano Collor sempre existiram e os estelionatários aproveitam disso, ligam para as casas das pessoas, geralmente aposentados, na tentativa de enganá-los.

–Informam que o dinheiro depositado é para pagamento de custas.

–Já vi um caso de um Senhor que depositou R$20.000,00 de sua poupança e perdeu tudo.

Ludibriam as pessoas utilizando de duas ferramentas emocionais: a ganância e o medo.

“As promessas de dinheiro fácil” ocorrem em todo o Brasil e tem muita gente que cai. “Ninguém denuncia por vergonha”.

É o chamado “Conto do Vigário” digital. Eles usam de todos os meios disponíveis: e-mail, celular e até carta para praticar os seus crimes.

Geralmente eles falam que são pessoas importantes e podem liberar o seu dinheiro mais rápido.

A Previdência não telefona para os idosos. E em hipótese alguma, a pessoa deve fazer depósito bancário esperando receber muito dinheiro em troca.
O INSS não é a Caixa que sorteia a Mega-Sena da Virada.
Manoel Amaral
ADLetras – Cadeira 08

O DIÁRIO DE UM OTÁRIO

DIÁRIO DE UM OTÁRIO

Você, querido otário, que está noivo e a sua noiva já pedindo dinheiro para operação nos EUA, altos valores, em dólares, tome cuidado. Isso agora é moda nas redes sociais.

Por outro lado, minha querida jovem, independente, ganhando bem, formada por várias universidades, trabalhando e dirigindo empresas de informática. Lá em cima, no topo da grana.

Tome mais cuidado ainda, com este jovem, bonito, boa conversa, carrão estacionado na melhor churrascaria da cidade. Relógio de ouro, Smartphone moderníssimo. Tudo demonstrando ser um cidadão de bem e bem rico.

Falando inglês fluentemente, arrastando até um francês se precisasse. Altos investimentos em Campos de Petróleo na Conchinchina, apartamentos em Miami, no bairro dos artistas de cinema. Uma renda invejável, um homem que todas as mulheres pediriam a Deus para casar e viver tranquilamente.

Mas a linda morena não convence facilmente, já pesquisou tudo na internet. Saiu a primeira vez e ele pagou tudo. Na segunda ele disse que esqueceu a carteira no seu chique hotel. Ela pagou e uma conta bem alta.

Conversa vai, conversa vem; ele a convidou para uma viagem de seus sonhos.
Poré solicitou-lhe apenas que depositasse uma antecipação do valor das passagens que depois reembolsaria com as demais despesas.

Ela colocou o pé atrás e pensou. Tem algo errado nisso tudo!
Mas vou tentar assim mesmo, se der qualquer coisa errada eu pulo fora.

Atrás da antecipação das passagens vieram outras despesas de translado. Ela bateu o pé e disse que não tinha mais dinheiro.

Ele insistiu e ela resistiu. Ele deu no pé, se mandou, desapareceu.

Ela ficou só com aquele prejuízo que parcelou no cartão de crédito.

Pois é, o caro bonitão já era velho conhecido da polícia, estelionatário.  Já aplicava este golpe há muito tempo.

Agora ela pensou que houve falha na sua pesquisa, pois o cara parecia bem conceituado, tinha “altos investimentos em poços de petróleo”. Mas aquilo era notícia plantada, justamente para enganar os incautos.

O imóvel no bairro dos artistas de cinema era pura mentira. Ela havia tirado uma foto próximo a uma mansão, daqui mesmo do Brasil e disse que era de Miami.

Portanto minhas lindas jovens do Facebook, cuidado, tem muitos pilantras escolados por aí.

Quanto mais inteligente a pessoa é, mais fácil de cair num golpe desses. Elas pensam que sabem tudo e o bandido já sabe tocar no ponto fraco daquelas pessoas.

“Quem pensa que está levando vantagem, no fim acaba levando prejuízo.”

Manoel Amaral

PARA BANDIDO TODO DIA É DIA DE ABRAÇO

PARA BANDIDO TODO DIA É DIA DE ABRAÇO

http://radiosuperfm.net/

Se vocês, minhas jovenzinhas de 15 a 18 anos, estão numa bela festa e um bonito rapaz vem com os braços abertos anunciando um abraço, saia fora. Estará prestes a ser roubada.

Eles aparecem, geralmente são bonitões, começam conversando, depois querem abraçar a todos. No ato do abraço eles vasculham suas bolsas e bolsos.

Só numa festa destas daí, contou-se mais de mil Smartfones roubados. 

Contados apenas as pessoas que reclamaram na direção.

Então, se estiver numa festa chique, daquelas 0800, onde você pode beber todas e não pagar nenhuma, tome mais cuidado ainda. Seus pertences desaparecerão frente aos seus olhos e perceberá somente quando já não tem mais condições de reclamar com mais ninguém.

Na rua, quando tem muita gente olhando demonstrações de alguma coisa, tome mais cuidado ainda com sacolas, celulares, carteiras.

Eles estão ali observando e sem você perceber lá se foi o seu suado dinheirinho.
Os punguistas de hoje estão muito mais espertos que os do passado. Batem a carteira na sua cara e você nem percebe nada.

Enfiam a mão no seu bolso e leva o seu dinheiro. Abre e vasculham as bolsas femininas e levam só as coisas caras. Eles têm olhos nos dedos.

Se estiver indo ao banco para sacar uma quantia maior, é sempre bom levar uma pessoa consigo.

Não saia acompanhada de crianças, elas poderão distrair a sua atenção e lá se foi um prejuízo.

Nos supermercados, shoppings, grandes lojas, a atenção deve ser redobrada. Não pare na rua parecendo uma barata tonta, porque quando voltar ao normal estará de mão vazias.

Não dê papo para quem você não conhece. Se te fizerem uma proposta muito boa, pode ter a certeza que é roubo.

Não caia mais no “conto do vigário”, “conto do paco”, “conto do bilhete premiado”, isso é coisa do passado. Chame a polícia.

Fuja do “Hoje é dia de abraço grátis”, por trás disto por estar um caloteiro.

Manoel Amaral

www.afadinha.com.br

ABANDIDA

A BANDIDA
 “O bandido sempre volta do local do crime.”
(Detetive Osamir)
Aquela mulher que nascera no Rio Grande do Sul não era brincadeira não, comandava uma quadrilha que vivia assaltando restaurantes e tudo que encontrava pela frente, que pudesse render um bom dinheiro.
Era loura, bonita, valente,  andava bem vestida e com acessórios de grife. Mandava e os demais obedeciam. Sacava a arma que estava nas costas e entregava para um de seus colegas de crimes e anunciava o assalto.
Dirigia tudo como se tivesse fazendo uma coisa simples, não tinha medo de enfrentar muitas pessoas ao mesmo tempo. Dizia que seria aquele local e pronto, os outros obedeciam sem pestanejar.
Ivone tinha apenas 35 anos e uma ficha criminal quilométrica. Fora detida várias vezes pela polícia por estelionato,  receptação e lesão corporal.
Uma ONG que trabalhava com ressocialização de detentos contou que numa de suas saídas ela não voltou mais e continuou a sua vida de crimes no Rio de Janeiro. Tem até no Youtube um vídeo que mostra a criminosa cantando para os demais detentos.
Mas no assalto ao restaurante da Tijuca, no Rio, eles se deram mal, três foram baleados, um foi para o hospital e acabou morrendo. Os outros dois ficaram estirados no chão. E a chefe da quadrilha estava entre os mortos.
Interessante que os outros componentes da quadrilha que estavam do lado de fora do restaurante foram ver se a Ivone realmente tinha morrido.
Como se não bastasse essa ousadia, eles também foram até o Instituto Médico Legal [IML] para fazer o reconhecimento do corpo dela.
Ainda tiveram a cara de pau de ir ao velório da colega de quadrilha.
Eles foram presos pela polícia quando choravam no enterro…
Foi muita burrada junta.

Manoel Amaral

O MEDO



 “A diferença entre a polícia e o bandido é que o crime paga melhor.”  Ediel
Medo, medo de tudo, de viajar, trabalhar, abrir o portão da garagem.
Temos que fazer diversos trajetos ao sair de casa, tomar cuidado com o celular, o tablet ou o dinheiro no bolso, coisas que desaparecem num abrir e fechar de olhos.
Bandido hoje é mais equipado do que a polícia. Tem mais dinheiro que todo mundo. Pode pintar e bordar que não vai preso. Já nós, só bordar…
Em Aparecida do Norte, estando na rua fique com a mão no bolso por que lá o dinheiro desaparece como por encanto. Não é só lá em toda cidade grande e agora também nas pequenas. Não temos salvação, só mesmo jogando uma bomba atômica no país e depois começar tudo de novo.
Lembrei até de um filme, mas não o nome, onde quando encerra a guerra numa periferia de um grande centro, matando todos os líderes, uma criança de uns dez anos aparece e levanta um fuzil.
Significa que a guerra nunca vai acabar.
Estamos no fim do fim? Parece que sim, tem de tudo atualmente: muita liberdade, governo desgovernado, povo desesperado, bandido no comando e terminar não sabem quando.
As chuvas não vêm quando precisamos, quando vem saem arrasando tudo. A seca já atinge locais nunca dantes atingidos. Rios estão secando, geleiras derretendo, temperatura só aumentando. Terremotos, maremotos, tufões, vulcões, tsunamis cada dia aumentam mais, é o efeito dominó.
E o lixo só diversificando. O mar está todo poluído, os rios nem se fala, os córregos estão cinza-escuro. As nascentes estão secando.
A coisa está preta, pior que preta: pretíssima! O homem, principal responsável por isto tudo, continua poluindo cada vez mais.
E o país onde tem a maior reserva de água doce do mundo, está com falta d’água em vários locais.
São Paulo, a maior cidade da América Latrina, está pedindo água.
E aviões sumindo, navios afundando, carros batendo, trens descarrilhando e o ser humano desintegrando.
O povo está ficando cansado de esperar por liberdade e segurança, ensino e saúde, paz sem guerra e nada de bom vislumbra no horizonte.
O homem não pode nem exercer o seu sagrado direito de defesa que vão logo esquartejando e separando-lhe a cabeça.
A vida é dura, cruel, difícil de acreditar. O real ultrapassa a ficção.
É o produto ruim do homem, homem que devora o homem.
Manoel Amaral

www.casadosmunicipios.com.br

DESPERADOS

DESPERADOS
Libere o seu lado insano
Imagem Google
A cena: 10h30min, uma jovem mulher desce correndo a rua, entra numa padaria, abre a geladeira, tira uma garrafa long neck,  com um líquido dourado. Paga a conta a garota do caixa, vai até ao fundo, pega um abridor.
Um barulho se ouve: tinlintintim! A tampinha bate nos ladrilhos e vai parar debaixo de uma mesa.
Sai em disparada, esbarra no garçom, este se assusta, depois sorri. A garota é bonita.
Jogando aquele líquido goela abaixo ela passa próximo a um hotel, dobra a esquina e entra num carro muito chique.
Um senhor curioso para saber que tipo de bebida era aquela,foi logo perguntando a mocinha do caixa:
— O que era aquela bebida?
— O Senhor não sabe? É a nova cerveja que veio da França, com uma mistura de Tequila.
— Mas as mulheres saem bebendo assim no bico da garrafa, no meio da rua?
— Hiii! Velhinho, o Senhor não sabe de nada, elas fazem coisas muito piores!
— Ia para uma balada, com um sugestivo nome de “Os Desesperados”, lá pras bandas da mata virgem. Dizem que lá o bicho pega – foi logo dizendo uma jovem que estava fazendo compras.
— Hum, mas que coisa esquisita, como é o nome da cerveja?
— Desperados.
Não contente com todas as informações, foi até a geladeira e olhou a garrafa da bebida e lá estava: Desperados.
Aí um leitor mais atento que bicho de preguiça dirá:
— O  autor errou o título.
Não amigo, não errou, o nome certo é DESPERADOS.
Desperado em tradução, via google, quer dizer bandido, malfeitor. Mas pode também significar desesperado. Quem está desesperado pode fazer qualquer coisa para obter o que pretende.
E lá se foi o velhinho levando uma sacola de pães e horrorizado com o que viu e ouviu.
São os tempos mais que modernos e depois dizem que nós é que somos insanos.
Manoel Amaral

O BANDIDO ATRAPALHADO

O BANDIDO ATRAPALHADO

Tem coisas que só acontece mesmo neste nosso país. Onde já se viu um bandido ir assaltar um banco e dar um tiro no próprio pé?

E o pior, saiu do assalto mancando e foi parar (o idiota), num posto de saúde nas proximidades do local do assalto.

Foi preso com o resto do bando e como sempre um fugiu, mas desta vez o dinheiro foi recuperado.

Tudo isso se passou em Guapirama, interior do Paraná.

Pior que este caso só o de Canoas, Rio Grande do Sul, em 2010, quando um bandido, assustado, atirou no próprio comparsa durante o assalto.

Mas outros casos interessantes pipocam por aí: tem o caso do Papai Noel ladrão, que ficou preso numa chaminé e foi resgatado pelos bombeiros. Esse é de Minas.

No dia 14 de janeiro deste ano, uns idiotas tentam roubar o caixa eletrônico num posto de combustível, na Grande S. Paulo, mas deu tudo errado, o dinamite não foi suficiente para abrir o cofre e os criminosos fugiram sem levar nada.

Outro bandido atrapalhado cai de um telhado, altura de 6 m e quebra a perna. Ele fugia de um assalto frustrado a uma oficina em SP.

Este outro ladrão atrapalhado estava tentando assaltar uma Padaria mas o pente de sua submetralhadora caiu e ele acabou preso. Quase foi linchado pelas vítimas do assalto.

Olha só a coragem deste bandido idiota que teve a coragem de voltar à loja em Votuporanga-SP, para pegar uma pasta, com documentos pessoais, que havia esquecido num balcão, durante o assalto. Resultado: foi preso pelo dono da loja.

Chega de tanta idiotice.
Por hoje é só.

Manoel Amaral

O MOTORISTA DE TÁXI E O BANDIDO

Justino, o justo, motorista de táxi há mais de cinco anos em sua cidade, passou por maus momentos naquele dia.

Quase chegando ao ponto de trabalho, por volta de oito horas da manhã, ao atravessar a rua, foi atropelado por um motoqueiro e sua máquina infernal. Teve ferimentos leves, seguiu mesmo assim para o trabalho.

Refeito do susto, do outro lado da rua, encontrou os seus colegas que falavam de assaltos e liam uma jornal que compravam todos os dias e que apreciavam muito; publicava: mulher pelada, futebol e página policial.

Um deles disse que na noite anterior recusara uma chamada para um bairro afastado dizendo que não podia ir por ter outro compromisso, mas na realidade era medo de ser assaltado.

O dia não começara bem, tentava pegar logo algum passageiro para não ter prejuízo e cumprir a cota do dia.

Uma chamada, ali por perto, foi urgente levar aquele passageiro onde desejava.

A viagem foi ficando muito longa, quase dez horas daquela manhã conturbada, o passageiro arrancou da cintura um revólver e anunciou o assalto, ali mesmo, no meio da rua de grande movimento.

Mandou o motorista parar numa rua mais estreita e sem movimento, amarrou-o com fita adesiva que carregava no bolso. Vedou seus olhos e tampou a boca com o mesmo material.

Justino ficou totalmente imobilizado, foi jogado no porta-malas do veículo.

O bandido rodou a cidade inteira com o pobre motorista quase morrendo asfixiado naquele ambiente próprio para malas e nunca para pessoas.

Parou perto de um posto de combustível para comprar um litro de gasolina. Ninguém ficou sabendo para que.

Nesse meio tempo Justino soltara a amarra dos pés e pressionando o banco traseiro conseguiu sair do veículo, ainda com as mãos presas e os olhos vedados, não conseguia gritar tinha a fita atravessada em sua boca.

Cambaleando ali no meio da rua, sem saber onde estava. Recebeu uns socos de alguém que acabara de chegar. Era o assaltante que pegou o carro novamente e fugiu em disparada para outro bairro.

Justino foi socorrido pelo primeiro morador que já o conhecia do ponto de táxi no centro da cidade.

Retirada as fitas dos olhos, boca e das mãos, reconheceu onde estava e agradeceu ao senhor Joaquim que o ajudou.

Na outra ponta da cidade o assaltante continuava a andar no veículo e fazendo até corridas quando solicitado.

Nestas alturas dos acontecimentos o proprietário do veículo já sabia de toda a história e acionou a polícia.

O idiota do assaltante foi preso na zona rural, por desconfiança de um passageiro que fretou o veículo, achou o preço muito baixo e desconfiou do taxímetro desligado durante a corrida.

Manoel Amaral

OSVANDIR E O BANDIDO TATUADO

Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem
(Chico Buarque)

Hoje mesmo, em Minas, um usuário de maconha denunciou a si próprio, indicando à polícia uma plantação de maconha no seu sítio. Ele esteve na Delegacia e informou que plantava a erva para consumo próprio, há mais de 20 anos.

E por falar na dita, a que foi encontrada, num lote vago, em Barbacena-MG, em 2009, e arrancada pela PM, não era a “Erva do Diabo”, mas pura e simplesmente uma plantinha qualquer.

Tem aquele outro ladrão que ficou entalado na chaminé da lanchonete. Pensou que era Papai-Noel, mas não conseguiu entrar por aquele buraco tão estreito.

Um outro bandido, acostumado a roubar equipamentos de som de veículos na garagem de prédios, recolheu todo o material que conseguiu naquela noite e colocou num dos carros. Cochilou, dormiu e se deu mal, quando acordou estava nas mãos da Polícia.

Uns ladrões de bancos se deram mal. Tiveram o trabalho de fazer um buraco na caixa eletrônica 10 x 15 cm, com maçarico, mas algo não estava previsto; o fogo do equipamento acabou queimando o dinheiro. Fugiram numa camionete e foram presos. Alguns populares viram só as cinzas na carroceria do veículo.

Estes fatos inusitados acontecem diariamente, basta prestar um pouco de atenção. Vejam só este outro que aconteceu ontem em Minas: Um carro seguia normalmente pela estrada, num posto policial solicitaram sua parada. O motorista enfiou o pé no acelerador. Não adiantou, foi preso. O carro estava cheio de maconha…

Este outro depois de roubar uma casa lotérica com uma arma de
brinquedo, deixou cair no chão um currículo, que tinha até mesmo foto.

No Rio, um assalto foi frustrado pelos latidos de uma cadela. O dono da casa acordou com o barulho e imobilizou o bandido, que era franzino e mudo. Ele gostava de roubar cuecas. Na prisão a polícia descobriu que estava usando calcinha.

Num dia desses, num município do interior, tivemos notícia que uma quadrilha de encapuzados, estava assaltando o comércio local. E ainda ameaçavam os proprietários, que se denunciassem, fariam qualquer coisa com as pessoas da família.

Os comerciantes estavam ficando amedrontados. Um dos bandidos era baixinho e muito bravo, era exatamente quem comandava os outros quatro. Seu apelido: Gigante!

Foi numa destas incursões pela noite, todos encapuzados que algo diferente aconteceu; alguém que não tinha medo de ladrões e muito menos de Gigante, resolveu enfrentá-los. Ficou de vigia em seu comércio até tarde, quando eles chegaram disparou alguns tiros e os bandidos saíram em disparada.

No dia seguinte quando estava tudo muito tranqüilo, um carro preto parou na porta de seu comércio e cinco mascarados entraram. Levaram tudo que queriam e ainda fizeram ameaças. Sô Chico não teve como reagir, pois foi amarrado no balcão de sua mercearia. O chefe da quadrilha, como era muito exibido, voltou lá antes de partir e colocou o braço direito na testa e gritou: __ Eu sou o Gigante!

O comerciante levantou a cabeça e fixou bem os olhos numa tatuagem que o bandido tinha no braço direito.

O tempo passou e houve um período de calmaria, tudo indicava que eles estariam roubando em outros povoados.

Mas o comerciante não esqueceu aquelas palavras gravadas no braço direito do bandido. Procurou a Polícia e relatou o fato. Como o município era pequeno, foi muito fácil por as mãos naquela quadrilha que assustava a região.

O que estava escrito na tatuagem? – Perguntou Osvandir.

__ O idiota do bandido gravou no seu braço direito: José da Cidinha.

Manoel Amaral

OSVANDIR E O SEQUESTRO

“Há quem pense que, se não houver pedido de resgate,
não há sequestro.”
(Tonhão, bandido da favela Morro do Querosene)

Capítulo I
OSVANDIR SUMIU

Nem sempre acontece de haver pedido de resgate, num caso de sequestro, foi o que aconteceu com Osvandir.

Ele seguia em seu carro, tranquilamente, para a casa que alugara no Rio, de repente resolve mudar o itinerário e passar por outras ruas. Foi até o final de uma delas. Estava muito escuro, ouviu o roncar de um carro cantando pneus. Freou. Na sua frente um carro preto, na traseira um cor de vinho, parecia ser um Tempra.

Quando ele já ia descendo do veículo para saber do que se tratava recebeu um golpe na cabeça e caiu ali mesmo, não percebendo mais nada.

Os dois carros sumiram por aquela rua sem movimento. O do Osvandir ficou ali, a espera de qualquer pessoa para depená-lo.

Até apareceu mesmo alguém para tentar levá-lo, mas não conseguiu.

Nesse meio tempo já dirigiam a uma casa previamente alugada, para receber o sequestrado. Ao chegarem ao local, arrastaram aquele jovem para dentro de um quarto e fecharam a porta.
Esconderam os dois veículos na garagem, e ficaram aguardando o desenrolar dos fatos.

O que aconteceu lá dentro daquela casa só Osvandir poderia contar com suas próprias palavras:

“Eu acordei, com a cabeça sangrando, dois homens e uma mulher na sala conversando. Pedi um copo de água, o que veio rapidamente. No quarto uma janela fechada com cadeado e grade do lado de fora.”

“Já se passavam algumas horas e chegou um jantar em marmita. Tudo simples, mas bem limpo. Uma colher e um docinho de leite, envolvidos por um saco plástico”

“Comi, porque estava mesmo com muita fome e fiquei por ali observando alguma coisa. Notei que a casa mais próxima era bem longe, havia alguns lotes vagos. A cama era de casal, um armário do lado direito e o banheiro do lado esquerdo. Liguei o chuveiro, estava funcionando precariamente.”

“A mulher abriu a porta e entrou com alguns remédios para tratar do meu ferimento. Eles estavam apreensivos, pensavam que tinha um corte profundo, mas na realidade foi só de raspão, bem que mereciam alguns pontos. Ela pediu-me que deitasse com a cabeça virada para o lado da janela e começou o tratamento. Passou um medicamento, que imaginava ser para cicatrização e anti-séptico, uma espécie de merthiolate, mas genérico. Observei que a sua região pubiana era muito saliente. Imaginei até que fosse travesti, mas a fala era mesmo de mulher.”

“Após aquela ligeira limpeza e uma gaze em cima, fixado por um esparadrapo, fui deitar naquele colchão de casal. De madrugada ouvi alguns tiros, imaginei ser ali por perto. Deveria ser alguma briga de quadrilhas nos bairros.”

“Na manhã seguinte fui desamarrado para conhecer a casa. Um local para churrasco, lavanderia, banheiro, sala, cozinha, dois quartos e um lote muito grande, com muros bem altos. Pude observar que a construção era de boa qualidade e não estava situada em favela. Ao lado direito uma casa bem distante e ao lado esquerdo um lote vago. Gritar ali, seria tempo perdido.”

(Continua…)

MANOEL AMARAL